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Arte em Letras
Matéria publicada no Zashi edição 1 - Setembro de 2007

Os Pioneiros

Prática do haicai foi constante entre os imigrantes japoneses desde a chegada ao porto de Santos

(Por Edson Kenji Iura*)


Shûhei Uetsuka, o pai da imigração
japonesa ao Brasil

Kasato Maru é o nome do vapor que trouxe a primeira leva de imigrantes japoneses ao Brasil em 1908. Shûhei Uetsuka (1876–1935), funcionário da companhia de imigração, encarregado de conduzir os viajantes ao novo país, é hoje lembrado como “o pai da imigração japonesa”. Ao lado disso, também foi haicaísta, ligado à escola Hototogisu, liderada pelo famoso poeta Kyoshi Takahama (1874-1959) e sendo conhecido pelo nome literário de Hyôkotsu. Consta que, durante os 52 dias de viagem do Japão ao Brasil, reuniu em torno de si um grupo de quatro ou cinco pessoas, junto às quais praticava o haicai. Quando o navio adentrou o Porto de Santos, a 18 de junho, Uetsuka escreveu o seguinte poema, referindo-se à visão das escarpas da Serra do Mar durante o inverno:

karetaki o miagete tsukinu iminsen

A nau imigrante
chegando: vê-se lá no
alto a cascata seca.

Era época de festas juninas, com balões e fogos de artifício iluminando os céus. Conforme um observador da época, talvez os imigrantes imaginassem que o povo brasileiro lhes dava as boas-vindas. Na noite do dia 19, após subir de trem a Serra do Mar, Uetsuka já se encontrava alojado com os demais na Hospedaria dos Imigrantes, atual Memorial do Imigrante, no bairro do Brás, em São Paulo. Observando as festividades, escreveu mais um haicai:

burajiru no shoya naru takibi matsuri kana

A primeira noite
passada no Brasil –
Festival de fogueiras.

Esses são os primeiros haicais de que se tem registro escritos no Brasil. Mas ainda que a história dos imigrantes tenha sido inaugurada sob os auspícios de um haicaísta, pelos dezoito anos seguintes não se tem muitas notícias de atividades poéticas. A verdade é que os primeiros anos da imigração foram marcados por grandes dificuldades e sacrifícios. Em meio à luta pela sobrevivência, é compreensível que o haicai não fosse um item de primeira necessidade. Tal situação só mudaria com a chegada dos mestres Keiseki Kimura (1867–1938), em 1926, e Nempuku Sato (1898–1979), em 1927.

Obras consultadas para a elaboração deste texto incluem Imin yon-jû, de Rokurô Kôyama;
O Haicai no Brasil, de Goga Masuda; e O imigrante japonês: história de sua vida no Brasil, de Tomoo Handa.
* Edson Iura é haicaísta do Grêmio Haicai Ipê e também um dos colunistas da seção Arte em Letras.

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