Sasaki
encontrou nos estudos um motivo para recomeçar: Nunca
devemos desistir por causa das coisas malsucedidas
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(Reportagem:
Helena Saito/IPC | Foto: Marcello Sudoh/IPC)
Há quatro
anos, o brasileiro Roberto Izumi Sasaki, 31, deixou para sempre o trabalho
nas fábricas. Após sofrer um acidente de trânsito,
ele perdeu a visão e teve de se aposentar por invalidez. Deprimido
e sem saber o que fazer, encontrou a chance de voltar à ativa na
Universidade de Tecnologia Tsukuba, em Ibaraki, instituição
pública preparada para receber alunos com deficiência visual
e auditiva, onde cursa há dois anos Acupuntura e Moxabustão
(terapia japonesa que estimula pontos no corpo com queima de ervas). Agora,
faz o máximo para aprender japonês e pagar as despesas com
a anuidade da escola e o alojamento, que ficam em torno de 900 mil ienes
(R$ 17.820) ao ano. Sasaki decidiu ingressar na faculdade após
passar três anos de muito estresse. Durante a readaptação,
tinha dia que brigava muito com minha esposa. Então comecei procurar
saber até onde ia o meu limite. Para isso, o brasileiro precisou
aprender a ler em braile e a se virar sozinho. Primeiro, subi o
Monte Fuji. Depois visitei Hokkaido, Quioto e Nara. Ainda insatisfeito,
Sasaki buscou a sala de aula.
Desafios
Antes de prestar
o vestibular, tinha pela frente o primeiro desafio: precisaria estudar
um ano para completar os 12 necessários para ingressar numa universidade
japonesa. Também matriculou-se num curso de idiomas, em Tóquio,
para melhorar seus conhecimentos de japonês. Só depois foi
aprovado no vestibular, composto de uma prova de múltipla escolha
em braile, redação e uma entrevista. Agora, prestes a terminar
o 2º ano do curso universitário, Sasaki tem mais desafios
e um dos principais no momento é ampliar os conhecimentos da língua
japonesa. Para isso, fará um curso com foco em escrita.
Há
também livros com áudio e aqueles que peço para meus
amigos lerem para mim, explica o brasileiro. Sasaki esforça-se
para bancar as despesas da universidade, que é pública,
mas, diferentemente do Brasil, é preciso pagar uma anuidade. O
preço é mais baixo que o de instituições particulares,
mas, mesmo assim, pesa no bolso. O universitário tem também
as despesas com material didático para estes, conta com
a ajuda financeira da prefeitura de Ushiku (Ibaraki).
Para os que
estão em dúvida quanto a estudar, o brasileiro deixa uma
mensagem de estímulo. Não devemos esperar que as coisas
aconteçam. Nunca devemos desistir por causa das coisas malsucedidas.
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