Os
estudantes Allan, Rafaela, Mariana
e Anderson: esforço dobrado
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(Reportagem
e Foto: Osny Arashiro/IPC)
Antes da aula,
muito trabalho na fábrica. É esse o jeito que a maioria
dos 17 brasileiros da escola Iwata Minami, de Iwata (Shizuoka), encontrou
para continuar os estudos no Japão. Eles frequentam o Ensino Médio
(kookoo) no período noturno, chamado de teijisei.
Durante o dia,
a jornada é de até oito horas de trabalho. Após baterem
o cartão de ponto, seguem direto para o colégio. Depois
de jantar no refeitório, têm a primeira aula às 17h40.
A quarta e última encerra-se às 20h55. Depois vem a limpeza
da sala e, a partir das 21h05, iniciam-se as atividades dos grupos estudantis
(bukatsu), com opções de esportes e informática.
Do total de 134 alunos, temos 17 brasileiros, dois peruanos e seis
chineses. A maioria deles trabalha em fábricas, afirma o
vice-diretor da escola, Naosuke Nakamura. Também ajudamos
os alunos a encontrar emprego, completa.
Para ingressar
no Iwata Minami, é preciso fazer um exame de redação
para avaliar o nível de japonês. Além da matrícula,
a despesa é apenas a anuidade de 130 mil ienes (R$ 2.625), dividida
em quatro parcelas. Nesse valor estão incluídos refeições,
excursão do colégio e deslocamentos a outras cidades para
jogos esportivos, explica Nakamura.
Dupla
jornada
O paulista
Allan de Oliveira Murayama Hitoshi, 18, é um dos alunos do teijisei
no Iwata Minami. Estudou até o 4º ano do Ensino Fundamental
no Brasil e quando a família chegou a Iwata ingressou na escola
japonesa. De manhã, começa a trabalhar às 8h, em
uma indústria de corte de frango. Com o salário, paga a
mensalidade e ainda sobra dinheiro para se divertir.
A paranaense
Mariana Nakagawa Bell, 18, está no 3º ano. Ela chegou a Iwata
quando estava com 11 anos e entrou na 5º série do Ensino Fundamental
(shoogakkoo). No começo eu chorava para não ir à
escola. Tinha uma sala separada para aprender nihongo e passava todo o
dia lá. Hoje entendo bem o idioma, não como nativa, mas
dá para acompanhar as aulas, afirma. O tema da redação
para ser aprovada no teijisei foi Meu Sonho. Ela escreveu que queria ser
intérprete para ajudar os brasileiros. Hoje o sonho mudou e Mariana
quer ser esteticista.
Já a
matogrossense Rafaela de Ávila Pereira Moriya, 16, chegou com 7
anos a Iwata e também ingressou no shoogakkoo. Senti muita
discriminação naquela época, não queria ir
para a escola, recorda. Quero dar um bom exemplo, porque muitos
brasileiros começam a estudar e depois param, observa a adolescente.
O expediente de Rafaela na fábrica de telefones celulares vai até
às 16h.
O paulista
Anderson Seiji Martins Tomi, 15, chegou com 5 anos ao Japão e sempre
frequentou escolas japonesas. Recentemente começou a trabalhar
em uma fábrica do ramo de fios elétricos. Agora posso
ajudar a pagar minha mensalidade, diz.
Os estudantes
são unânimes ao afirmar que o trabalho na fábrica
é temporário, só para poder financiar os estudos.
Para não ser peão o resto da vida, é preciso
estudar, aconselham.
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