Clientes
lesados em busca das caixas que deveriam ser despachadas para o
exterior pela empresa CMD
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(Reportagem
e Foto: Alexander Kanashiro/IPC)
Clientes da
CMD (Cargo Marítimo Doméstico), contratada por brasileiros
e peruanos para fazer o transporte de mudanças para o exterior,
acusam a empresa de não prestar o serviço mesmo após
o pagamento. Pessoas lesadas encontraram, no dia 17 de setembro, dois
depósitos onde as caixas eram armazenadas, um em Kasugai (Aichi)
e outro em Yaizu (Shizuoka). O dono de um dos galpões alugados
acredita que haja um terceiro depósito. Em Kasugai, foram encontradas
76 caixas com remetentes de Gifu, Chiba, Nagano, Mie, Aichi, Shiga, Osaka
e Tochigi. Metade delas estava a céu aberto, cobertas apenas por
uma lona.
O brasileiro
Mitsuo Minohora, 33, ao descobrir o possível paradeiro de seus
pertences, saiu de Higashiomi (Shiga) e se dirigiu até as duas
províncias, na esperança de recuperar os volumes. Após
nove horas de busca, apenas uma das seis caixas que entregou ao representante
da empresa, Ricardo Ugaz, foi encontrada. Estava com o nome de outra
pessoa e, além disso, havia coisas junto com as minhas que não
me pertenciam, relata.
Minohara contratou
a CMD em maio de 2009 para enviar cinco caixas ao Peru, antes de voltar
ao país com a filha e a esposa. Na mudança, havia equipamentos
no valor de 2 milhões de ienes (R$ 40.520), como computadores e
um forno industrial, com os quais pretendia abrir um negócio. Depois
de seis meses sem notícias do recebimento, ligou para Ugaz, que
lhe informou que atrasaria mais dois meses. Três meses depois, uma
suposta funcionária da CMD ligou para sua sogra no Peru para dizer
que a mudança estava presa na alfândega e seria preciso pagar
impostos e frete para liberá-la. Desconfiada, ela foi pessoalmente
ao órgão federal, mas não encontrou nada no nome
do genro. Liguei para Ugaz, mas ele disse que não iria se
responsabilizar por nada. Depois sumiu e desde então não
atende mais ao celular, afirma Minohara.
Ameaça
Por conta
do imprevisto, a família desistiu temporariamente do retorno ao
Peru. Minohara procurou a Defesa do Consumidor e a polícia de Higashiomi
para registrar ocorrência, mas diz que não foi atendido.
No primeiro órgão, falam que é para resolver
diretamente com o representante. Na delegacia, pediram para escrever uma
carta formal para ele, mas Ugaz não está mais no antigo
endereço, explica Minohara.
A dona do depósito
de Kasugai diz não ter sido paga pela CMD. Ela pede aos donos para
irem até o local retirarem as caixas. Estão aqui desde
2009 e preciso tirá-las para trabalhar.
Minohara se
ofereceu para levá-las à sua residência em Shiga,
onde haveria espaço para armazená-las até que os
donos fossem encontrados. Porém, desistiu depois de ser ameaçado
por telefone por um suposto proprietário. Ele me disse que
se fizesse isso invadiria minha casa para retirar as coisas à força,
comenta. Só quero que o Ugaz faça o ressarcimento
ou pague por isso na cadeia, para não enganar mais ninguém.
Ricardo
Ugaz foi procurado pela reportagem por telefone, mas não foi encontrado.
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(Reportagem:
Osny Arashiro/IPC)
Sem notícias
de Ricardo Ugaz, o proprietário do depósito de Yaizu (Shizuoka),
o japonês Masaki Ikenoya, tenta devolver o material aos donos. Com
a ajuda de uma peruana, checa os poucos nomes que constam nas caixas.
Calculo que existam 70 caixas, mas as identificadas são poucas,
diz a peruana, que pediu anonimato. Eles localizaram três proprietários
com base nas informações de caderno de Ugaz.
A CMD (Cargo
Marítimo Doméstico) veiculava publicidade em revistas gratuitas
da comunidade. O representante da empresa, Ricardo Ugaz, viveu em uma
casa alugada, de propriedade de Masaki Ikenoya, durante cerca de 15 anos.
Há dois anos, pediu emprestado o galpão e uma caminhonete.
Ele foi trazendo essas caixas e deixando lá, conta
Ikenoya.
No início,
o japonês não deu muita atenção ao caso, até
por não saber ler o que estava escrito nas caixas. Mas, quando
precisou do espaço, Ugaz disse não ter dinheiro para removê-las.
A última vez que falei com ele foi há mais de dois
meses. Depois ele desapareceu. Algumas pessoas acreditam que o peruano
esteja na casa de amigos, em Shimada (Shizuoka).
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