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Japoneses Notáveis
Matéria publicada no Zashi edição 10 - Junho de 2008

A grande poetisa da Era Meiji

Artista polêmica, Akiko Yosano viveu sempre fiel a si mesma, deixando muitas poesias lidas até os dias de hoje

(Ilustração: Cláudio Seto)

Uma das mulheres mais brilhantes do mundo literário japonês marcou o seu nome na história por uma personalidade de inteligência aguçada e de sensibilidade delicada e feminina. Nascida em Sakai (Osaka), em 1878 (ano 11 da Era Meiji), Akiko Yosano – cujo verdadeiro nome era Shô – veio de uma família abastada, dona de uma tradicional confeitaria.

Sempre muito ligada à leitura, Akiko, desde pequena, lia todos os livros do acervo de seu pai, que também apreciava a boa leitura. Assim, na idade adulta, ela começou a participar de um grupo de aficionados por literatura em sua cidade, o Naniwa Seinen Bungaku-ka (Associação de Literatos Jovens de Naniwa). Amiga de Tetsunan Kono, um dos jovens do grupo, por intermédio dele, Akiko conheceu aquele que seria o seu grande amor, Tekkan Yosano. Na verdade, Tekkan era um nome artístico; o verdadeiro era Hiroshi. Yosano já era um poeta famoso e editava a revista dedicada à poesia de nome Myojo, que circulou entre 1900 e 1908, fazendo grande sucesso.

Akiko logo se apaixonou por Tekkan Yosano, que já era casado. Em 1901, ela abandonou sua família para morar com Tekkan em Tóquio. Em outubro do mesmo ano, ela se casou com Tekkan, que, além de um brilhante poeta, era também um homem de muitos amores. Akiko, mulher de inteligência aguçada e de grande sensibilidade feminina, dedicou sua paixão imensurável ao marido Tekkan durante toda sua vida.

Produção literária

O primeiro livro de Akiko foi a coletânea de poemas chamada Midare-gami (em português, traduzido como Descabelados) em agosto de 1901. Trata-se de uma reunião de poemas no estilo tanka, com 5, 7 ,5, 7, 7 sílabas, totalizando 31, diferenciando-se, porém, dos tanka tradicionais, nos quais se enaltecia a beleza da natureza, a vida serena, ela expressa a paixão tórrida, o sentimento de forma aberta e direta, empregando palavras que, até então, não eram citadas, tais como chibusa (seios), hada (pele), kuchibiru (lábios). Sua poesia provocou o furor e a indignação dos conservadores, entretanto, seu talento foi reconhecido pelo círculo literário e por um grande número de leitores.

Autora engajada

Quando começou a Guerra Russo-Japonesa, o irmão mais novo de Akiko, de nome Chusaburo, a quem a poetisa dedicava grande carinho, foi recrutado para guerra. Ela, então, publicou o seguinte poema na revista Myojo: “Ah, choro por você, meu irmão/Não morras/Você, que nasceu como filho caçula/Teve um amor maior dos pais/Criaram até os seus 24 anos/Seus pais lhe ensinaram a pegar em armas?/E lhe disseram para matar alguém e se matar?”. O poema foi rotulado como “conteúdo perigoso”, em uma época na qual prevalecia o patriotismo que ensinava civis a morrerem para salvar a pátria.

Akiko defendeu a liberdade e a igualdade da mulher perante a sociedade, escreveu críticas literárias, traduziu para língua moderna o clássico História de Genji (do japonês, Genji Monogatari) e, para sustentar a família, deu aulas e muitas palestras, nas quais sempre comparecia acompanhada do seu marido, Tekkan. Poetisa polêmica, viveu sempre fiel a si mesma, deixando muitos trabalhos lidos até os dias de hoje. Faleceu em 29 de maio de 1942 (ano 17 da Era Showa), sete anos após a morte de Tekkan, com quem teve 11 filhos.

 
* Japoneses Notáveis é uma seção produzida pelas professoras da Aliança Cultural Brasil-Japão Akiko Kurihara,
Hiroko Nishizawa e Kurenai Nagahama, com tradução de texto de Akiko Kurihara e Arísia Noguchi.

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