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Japoneses Notáveis
Matéria publicada no Zashi edição 9 - Maio de 2008

Uma carreira de talento e polêmica

Takeshi Kitano tem trajetória marcada por grandes produções, vários prêmios internacionais e declarações de impacto

Frases de Takeshi Kitano

“Volto o meu ardente ódio contra os que vivem no mundo frio, de repetição da violência tal qual um game digital. Gosto de protagonistas que combatem com violência [a loucura, a violência interior do Homem] a violência de ignorar e não sentir a ‘dor’ sentida pelas pessoas. Não é um filme de ação.”

“Está surgindo o paradoxo da civilização: a humanidade reúne a inteligência para degenerar a massa cinzenta do ser humano.”

(Ilustração: Cláudio Seto)

Foi no inverno do ano de 1947, na periferia de Tóquio, que nasceu o quarto filho do pintor de parede Kikujiro Kitano e da senhora Saki Kitano. Ele foi batizado com o nome de Takeshi. Ele ingressou no curso de engenharia da Faculdade de Meiji, mas, no segundo ano, perdeu o interesse pelos estudos e abandonou, repentinamente, a família e os estudos. Decidiu perambular pelas ruas do bairro de Shinjuku. “A voz de minha mãe me diz: ‘Viva com coragem”. O semblante de meu pai me ensina que devo morrer e a minha vida está sem rumo algum. Nada mal em viver procurando um lugar para morrer”, declarou.

Vida de artista

A idéia de ser aprendiz de artistas surgiu em 1972, na Sala Asakusa-França, um teatro de streap-tease, começando com a função de ascensorista. Por sua personalidade discreta, diziam que Takeshi não teria aptidão para ser artista, mas, a despeito disso, ele deu início à carreira de humorista, formando a dupla “Two Beat”: “Beat Kiyoshi”e “Beat Takeshi”. Ele aproveitou a boa fase de manzai (humor em duplas) para conquistar um explosivo sucesso com sua fala veloz e a freqüência comparável à de uma metralhadora, com a qual emplacava termos como “velho”, “velha”, “baranga”, “caipira”, “yakuza”, “fedelho”, entre outros. A fama também foi resultado de sua atuação em programas de variedades e em números ricos em assuntos do momento, ou fofocas venenosas. Takeshi não obteve, entretanto, o reconhecimento de seu meio profissional, pelo qual foi apontado portador de um estilo de atuação pouco apreciável.

Dias conturbados

Em agosto de 1994, ao dirigir uma motocicleta alcoolizado, Takeshi provocou um acidente quase fatal em Shinjuku, Tóquio, mas retornou milagrosamente às atividades. Em 1983, ele estreou como diretor de cinema com o filme O Natal no Campo de Guerra, ganhando destaque. Conquistou o prêmio Leão de Ouro no Festival Internacional de Cinema em Veneza, com os filmes Sonatine (1993), Kids Return (1996), Hana-bi (1998), Kikujiro no Natsu (O Verão de Kikujiro, 1999), Brother (2001) e Dolls (2002).

Seus temas são a morte e a violência, mas suas produções são altamente poéticas e Kitano é aplaudido como um diretor de cinema de nível mundial. Seus fãs mais fervorosos são chamados de “Kitanistas”. Filmes como Zatoichi (1994) e Battle Royal (2000), que possuem caráter de entretenimento, fizeram sucesso mundialmente, sendo elogiada a sua característica artística, não obstante tenha operado em vermelho comercialmente. Takeshi’s (2005) e Kantoku, banzai! (Viva o diretor, 2007) conquistaram o prêmio “Glory to the Filmmaker!” do Festival Internacional de Cinema em Veneza.

 
* Japoneses Notáveis é uma seção produzida pelas professoras da Aliança Cultural Brasil-Japão Akiko Kurihara,
Hiroko Nishizawa e Kurenai Nagahama, com tradução de texto de Akiko Kurihara e Arísia Noguchi.

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