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Sexta-feria, 30 de julho de 2010

Apropriações ilícitas
Todas as espécies de roubo ou furto nascem do hábito de pegar pequenas coisas,
como a flor colhida de um arbusto no parque, por exemplo
 

(Texto: Venerável Mestre Hsing Yün | Foto: Divulgação)

Neste nosso mundo, há muitas situações em que as pessoas, sobretudo as que ocupam postos elevados ou de autoridade, abusam dos privilégios conferidos pelo cargo em beneficio próprio. Todos buscamos riqueza e prosperidade, mas os gananciosos não apenas são insaciáveis em sua infindável ânsia por mais, como não se detêm diante de nada para adquirir bens de forma ilícita. Esse tipo de gente rouba, suborna, não honra suas dívidas, pratica desfalques, frauda e se aproveita de todas as oportunidades com o fim de lucrar. Para fazer fortuna, alguns se envolvem até em negócios ilícitos, tais como jogo, prostituição ou outros tipos de delitos.

Causa e efeito

Aqueles que ganham dinheiro usando qualquer dos meios mencionados, é certo, não irão se livrar da retribuição, que vem de acordo com a lei de causa e efeito. Em geral, a fortuna obtida por tais meios não dura muito tempo. Ao longo da história, muitos que agiram de forma ardilosa, trapaceando e roubando, abusando de seu poder e corrompendo-se, obtiveram sucesso aparente em suas negociatas, mas, no final, acabaram perdendo o que tinham, inclusive suas preciosas vidas. De tudo, não sobrou nada além de infâmia. O que se ganha, então, com atividades ilícitas?

Em nossa vida diária, muitas vezes inconscientemente, nos apoderamos de coisas que não nos foram dadas – uma flor colhida num arbusto do parque, por exemplo. Pode parecer trivial, mas é importante perceber que todas as espécies de roubo ou furto nascem do hábito de pegar pequenas coisas!

Há uma história elucidativa a esse respeito. Um professor chama o pai do aluno e diz: “Seu filho roubou o lápis do colega.” Furioso, o pai dá uma bofetada no filho e o repreende: “Como pôde roubar o que é dos outros? Se você precisava de lápis, eu poderia ter apanhado um punhado deles no escritório onde trabalho.” Embora isso seja apenas uma piada, incidentes desse tipo acontecem com freqüência à nossa volta. Portanto, é preciso permanecer atento às pequenas coisas da vida e nos conscientizar de que podemos conquistar as coisas que desejarmos, desde que de forma lícita. Jamais devemos nos apropriar do que quer que seja.



Venerável Mestre Hsing Yün é o 48º patriarca do budismo chinês da escola Ch’an. Fundador do Monastério Fo Guang Shan, em Taiwan, e do Templo Zu Lai, em Cotia (SP), entre outros ao redor do mundo.
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