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(Texto:
Venerável Mestre Hsing Yün | Foto: Divulgação)
Existem
milhares de problemas na vida. No âmbito do corpo, há
envelhecimento, doença e morte. No âmbito da mente,
há ganância, raiva e ilusão. Dentre eles,
o mais difícil de se lidar é com o auto-apego,
por ser ele o comandante de 84 mil outros problemas. Por causa
do apego ao eu, inúmeros contratempos são
causados por posturas do tipo eu duvido, eu invejo e eu
acho.
Os
apegos
Muitos se dispõem a abrir mão de todas as suas
posses materiais em troca de suas vidas, pois são mais
apegados à vida. Há também os que são
capazes de perder a moral diante da fama e da fortuna, em razão
de seu tortuoso apego ao ego e ao materialismo. São todos
exemplos da relação entre o apego ao ganho e à
perda e àquelas coisas que estão intimamente relacionadas
ao eu. Além disso, por causa de nossos apegos,
é difícil mudar nossos maus hábitos e nossa
fala nociva. Na vida, podemos nos apegar ao conhecimento, às
opiniões e às idéias. Se eles forem corretos
e razoáveis, nós nos sairemos bem. Mas, se nos
apegarmos à fala e a opiniões tortuosas, nós
nos tornaremos difíceis de tolerar.
É
preciso entender que, para se lidar com os fenômenos deste
mundo, não existe uma regra ajustes e mudanças
são necessários. Quando uma estrada está
bloqueada, devemos tomar outro rumo. E se esse outro caminho
não está acessível, então temos
de buscar outro, sem insistir obstinadamente em nossas idéias.
Como diz o ditado: Uma mente teimosa é incapaz
de completar qualquer coisa. Aquele que tem apego é,
em geral, teimoso demais para mudar seus caminhos, tem dificuldade
para se relacionar com os outros, é incapaz de seguir
a correnteza e de aceitar a opinião alheia. Por
causa dessa falha de caráter, experimenta dificuldades
em sua profissão e em seus relacionamentos interpessoais.
Novos
horizontes
Os santos iluminados, mesmo que já tenham se livrado
do ego, têm, às vezes, apego benigno ao Darma.
Quanto a nós, se nos iludirmos nos apegando a intrigas
sem sentido ou ao que é certo ou errado entre nós
mesmos e os outros, seremos difíceis de tolerar.
O
apego impossibilita nosso avanço na vida
sem deixar para trás o último passo, como
podemos passar para o próximo? Somente quando abandonamos
nossos apegos nos tornamos capazes de abrir novos horizontes.
Dentre todos os outros, o apego ao amor e ao ódio é
o mais aprisionante. O eu-apegado, o eu-possessivo, o eu-rancoroso
e o eu-opinioso geram pensamentos e idéias tortuosos,
que nos amarram firmemente, como cordas, e criam infinitos problemas.
Os ensinamentos budistas sobre prajna (sabedoria) e contemplação
são maravilhosos métodos que podem ser usados
para nos libertar dos apegos. De que outra maneira poderemos
obter libertação e tranqüilidade?
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