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Sexta-feria, 30 de julho de 2010
A história do pachinko
Máquinas de jogos de bolinhas são um dos grandes passatempos dos japoneses

O jogo era chamado de pachi pachi ou gachanko, devido ao som que a máquina fazia. Somente por volta de 1930 passou-se a usar a denominação pachinko

(Texto: Eri Horiguchi/IPC Japan)

Desejando ver seu dinheiro “render”, o maior passatempo do japonês é o pachinko. Não há dúvida sobre isso quando se tem em conta que dos ¥ 85 bilhões que circulam no setor de lazer, mais de ¥ 29 bilhões (cerca de US$ 253 milhões de dólares) correspondem ao jogo das bolinhas. Esses dados, extraídos do Livro Branco (relatório oficial de cada ministério japonês) sobre o lazer no Japão (2003), demonstram que, em todo o país, há 21,7 milhões de aficionados por pachinko.

A história do jogo japonês tem início no princípio do século XX, quando foram importadas cinco máquinas dos Estados Unidos, nas quais, introduzindo-se uma moeda de 1 centavo, saía uma bolinha e, se o usuário conseguisse fazer com que ela entrasse em um buraco utilizando-se de uma alavanca, saíam duas ou três moedas de 1 centavo.

Esse jogo divertia tanto crianças como adultos, que o chamavam de pachi pachi, pacchin, gachan ou gachanko, devido ao som que a máquina fazia. Somente por volta de 1930 passou-se a usar a denominação de pachinko.

A cidade de Nagóia (Aichi) é conhecida como o local de origem do pachinkoya (casa de pachinko), sendo inventada ali a máquina que serviu de base às atuais. O inventor foi Takeichi Masamura (1906-1975), um comerciante de objetos de vidro. Nascido em uma família humilde de Gifu, Masamura também atuava nas áreas de venda de sorvetes e de aluguel de imóveis.

Em 1936, Shoichi Fujii, também de Nagóia, criou uma máquina da qual saíam bolinhas em vez de moedas. Fujii necessitava de vidros para suas máquinas e foi assim que conheceu Masamura, que, em pouco tempo, abriu seu próprio negócio de pachinko.

O boom do pachinko aconteceu nos anos do período pós-guerra, época em que a comida era escassa e o cigarro era um artigo de luxo. Então, Masamura teve a brilhante idéia de premiar os ganhadores do pachinko com cigarros.

O êxito foi tanto, que em pouco tempo não houve máquinas suficientes para satisfazer a demanda. Então, Masamura decidiu deixar todos os seus negócios e dedicar-se à fabricação de novas máquinas que cativassem ainda mais ao público.

Depois de meses e meses de estudos e testes, em 1949, o empreendedor criou sua primeira máquina, à qual deu o nome de Masamura Geji. A disposição dos pinos que fazem as bolinhas mudarem de direção ainda é utilizada até hoje. As máquinas de Masamura difundiram-se rapidamente entre as 4.818 casas de pachinko que existiam na época, uma cifra que, em apenas três anos, subiu para 42.168 estabelecimentos.

Golpe mortal e ressurgimento

Em 1952, outro empresário de Nagóia aficionado por pachinko inventou uma máquina que logo causaria um problema social. Tokuji Kikuyama, representante da empresa Onoda Cemento, não gostava de ter que introduzir uma bolinha de cada vez para jogar. Isto o levou a criar uma máquina que permitia introduzir as bolinhas sucessivamente. Com a máquina anterior, era possível lançar 50 bolinhas por minuto, enquanto com a nova esse número subia para 130.

Os estabelecimentos mudaram de máquinas, porque o pachinko inventado por Kikuyama fazia com que os clientes comprassem mais bolinhas. Em outras palavras, os jogadores gastavam cada vez mais dinheiro, e isto chegou a originar um problema social muito grave.

A polícia encarregada de supervisionar o setor recreativo proibiu esta máquina em 1954, levando cerca de 70% dos 53 mil estabelecimentos que existiam na época a fecharem suas portas.

A maioria dos que prosseguiram com o negócio foi de coreanos residentes no Japão. Graças a uma outra máquina inventada em 1955, os estabelecimentos recuperaram seus clientes. Ela foi denominada churippu (tulipa), porque, quando uma bolinha entrava no buraco, três ou quatro objetos que tinham a forma de tulipa abriam suas pétalas para felicitar o cliente.

Entretanto, na década de 1950, o Japão começou a experimentar um vertiginoso crescimento econômico, e os prêmios do pachinko perderam seu atrativo. Os clientes preferiam dinheiro, porém os estabelecimentos não podiam premiá-los porque, no Japão, os jogos de azar são proibidos. Então, o sindicato de Osaka idealizou um sistema que permitia aos clientes ganhar dinheiro. Para isso, estabeleceram uma loja independente, que se dedicava a “comprar” os prêmios dos jogadores e, desta maneira, estes conseguiam o desejado dinheiro. Imediatamente, esses prêmios retornavam ao pachinko. Este curioso sistema continua sendo utilizado atualmente.

Museu do Pachinko
Em Nagóia (Aichi), há um museu no qual se pode conhecer a história do pachinko e ver como as máquinas foram evoluindo.
- Endereço: Aichi-Ken, Nagoya-Shi, Nishi-Ku, Josai 4-19-6, Masamura Building, 3º andar.
- Telefone: (052) 531-3638
- Funcionamento: 11h às 16h (fecha às quintas, no final do ano e no feriado de Finados)
- Entrada: Livre
- Estação: Joshin, da linha Tsurumai
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