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Sexta-feria, 30 de julho de 2010
Kusudama
Saquinho contendo ervas era usado no Japão, antigamente, para afastar o mal e as doenças

(Colaboração: Sandra Iamamura/NB | Fotos: Alexandre Sperandio / Divulgação)

Genericamente falando, kusudama são bolas decorativas, com feixes de fios coloridos dependurados sob elas e que são utilizadas, no Japão, como uma espécie de móbile, para enfeitar o ambiente.

O nome kusudama, que literalmente significa “bola de remédio” (kusu = kusuri = remédio e dama = tama = bola), servia, originalmente, para afastar o mal, para garantir a saúde das crianças, como costumava-se empregar na China. No Japão, não era diferente, havendo o costume de pendurar saquinhos contendo ervas medicinais sobre as cabeceiras das camas de doentes durante a Era Heian (sécs. VIII~XII). Com o tempo, esses saquinhos passaram a ser ornamentados e perfumados com fragrâncias, funcionando como aromatizadores e, atualmente, para a decoração de ambientes.

Além de elementos decorativos, os kusudama também são associados, no arquipélago, a eventos comemorativos, como o internacionalmente conhecido Tanabata Matsuri (Festival das Estrelas) – celebrado anualmente no mês de julho (no Brasil, comemora-se o festival no bairro da Liberdade) – além de inaugurações, formaturas, casamentos, etc.

Os kusudama de Tanabata também podem ser chamados de fukinagashi (flâmulas), preservando o formato similar dos originais chineses, enfeitados com flores e com tiras de papel (tanzaku) penduradas. A criação dos famosos kusudama do Tanabata Matsuri de Sendai, província de Miyagi (que também podem ser apreciados no Festival das Estrelas da Liberdade), é atribuída ao comerciante da cidade de Ichibanchô, Kengoro Mori, que, em 1946, se inspirou na beleza das dálias de seu jardim para confeccionar, em papel, enfeites tão vistosos, que acabaram sendo adotados para o Tanabata de sua região.

Quando utilizados para eventos comemorativos, os kusudama ganham o nome de waridama (wari = waru = partir, cortar), pois são “partidos” ao meio, como uma espécie de balão surpresa, soltando tiras e confetes coloridos de papel e, no meio do balão partido, vê-se a mensagem relacionada ao festejo dependurada. Dependendo da comemoração, o kusudama pode ganhar formatos variados, abrindo-se em forma de sino ou coração, para casamentos, ou quaisquer outras formas que lembrem os homenageados. Em 2003, para comemorar a vitória do time de beisebol profissional Hanshin Tigers, foi partido um kusudama enorme em forma de berinjela, remetendo ao principal produto agrícola da cidade de Aki, província de Kochi, que sediou o jogo. Outro tradicional evento que costuma utilizar o waridama, é o Nenmatsu Takarakuji, a loteria de final de ano do Japão, para celebrar o sorteio do primeiro prêmio, transmitido anualmente pela emissora NHK.

 
Origami modular

Quando confeccionado a partir da junção de módulos dobrados em papel, o kusudama ganha a classificação de origami modular. Os módulos de papel são encaixados para formar uma bola, que, depois de pronta, é pendurada por um fio de seda com tiras coloridas sob ela.

Segundo informações dos artesãos Alexandre e Andréa Iogolia, no site www.kusudama.origami.nom.br, as primeiras instruções de um kusudama tradicional apareceram no jornal Origami, do NOA (Nippon Origami Association), em 1978, e Makoto Yamaguchi publicou, em 1990, o livro Kusudama Ball Origami, no qual ensina 26 módulos muito interessantes.

Existem modelos de kusudama que vão desde os mais simples (com seis módulos), aos mais complexos (com até 60 módulos, que podem ser colados ou costurados, para formar as fascinantes bolas decorativas, que podem ou não, dependendo de seu formato, comportar um saquinho de sachê dentro delas, exercendo sua função original).

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