PORTAL NIPPO-BRASIL - 10 ANOS ONLINE
Sexta-feria, 30 de julho de 2010
Animais do folclore japonês - Parte II
Kitsune e Tanuki
Na primeira parte deste assunto, foram apresentados o gato e o cachorro. Conheça, agora, os animais mais populares da Cultura Japonesa.
Kitsune

Kitsune: esperteza e astúcia para planos bem-sucedidos

A raposa, kitsune, é conhecida, desde os primórdios, por seus extraordinários poderes sobrenaturais. Extremamente inteligente e astuta, acredita-se que ela possua a capacidade de mudar de aparência, transformando-se, geralmente, em belas mulheres para ludibriar os homens. Há ainda a crença de que as raposas podem possuir o corpo de seres humanos e apenas monges especiais conseguiriam exorcizá-las.

Na literatura, a referência à raposa pode ser encontrada já no Nihonshoki (Crônicas do Japão), primeira crônica histórica oficial, compilada em 720. Narrativas de raposas que se transformam em mulheres para ludibriar os homens, muitas vezes tornando-se suas esposas* podem ser vistas em obras como Nihon Ryôki (Relatos Milagrosos do Japão), do século IX, ou Konjaku Monogatarishû (Coletânea de Narrativas de Hoje e de Outrora) do século XII.

Embora a imagem difundida da raposa seja a de um animal malévolo, no templo de Fushimi Inari, em Quioto, a raposa é reverenciada como a divindade guardiã e emissária do deus do arroz do xintoísmo, Inari. Portanto, nos arredores do templo há várias estátuas em reverência ao animal.

Na língua japonesa, podem ser encontradas algumas expressões que fazem referência às crenças em torno da raposa, como: kitsunebi (“fogo-fátuo”) e o kitsunetsuki (“o estar possuído pela raposa”). Ainda na culinária japonesa, há um prato chamado kitsune udon , feito de macarrão tipo udon com pedaços de abura-age (tofu frito), que se acredita ser o prato preferido das raposas.

Tanuki

Tanuki: aspecto gorducho e, em geral, imagem de animal brincalhão

O texugo japonês, tanuki, é, juntamente com a raposa, o animal mais presente nas lendas do imaginário japonês e é, normalmente, retratado com barriga e testículos protuberantes e segurando uma garrafa de saquê em uma das mãos. Nas obras mais antigas, a identificação do tanuki ainda é incerta, podendo referir-se a animais como itachi (“doninha”), ten (“marta”), musasabi (“esquilo voador”) ou o próprio tanuki. Uma definição mais precisa do termo tanuki vai ocorrer a partir da Era Edo (1603–1868), quando acaba por identificar-se com o texugo japonês. Por sua aparência gorducha, o tanuki possui a imagem, diferentemente da raposa, de um animal brincalhão, cujas ações poderiam ser consideradas divertidas, ao invés de cruéis.

A principal crença em torno do tanuki é a sua capacidade de mudar de forma, transformando-se, na maior parte dos casos, em homens. Contudo, o tanuki, geralmente, não obtém tanto sucesso na execução de seus planos, como ocorre com a raposa. Como exemplo, acredita-se que, por gostar tanto de saquê, ao sentir seu cheiro, o tanuki esquece-se de seu disfarce – quando nessa condição – e levanta o rabo, revelando sua identidade.

Uma das histórias mais conhecidas sobre o tanuki é Bunbuku Chagama (“Chaleira que espalha felicidade”), na qual um tanuki liberto de uma armadilha retribui a gentileza a seu salvador. A história popular, Kachi Kachi Yama (“A montanha kachikachi”), constitui um dos raros exemplos em que se enfatiza o lado cruel do tanuki, que serve a um homem uma sopa feita com o corpo da esposa deste. Este aspecto cruel estaria relacionado com o significado primordial do ideograma , que, na China, indica o nome genérico de felinos selvagens.

O tanuki também aparece em muitas expressões da língua japonesa, como tanuki oyaji (“velho astuto”), tanuki neiri (“sono fingido”), por conta do costume desses animais de fingir-se de morto ou adormecido quando surpreendido.

*Narrativas classificadas nos estudos folclóricos como Kitsune Nyôbô, a esposa-raposa.

Colaboradores: Aline Majuri Wanderley e Pedro Ferreira Perrenoud Marques
Revisão:
Profa. Dra. Junko Ota
Crédito

Bolsistas de Toyama 2005/2006, do curso de Língua e Literatura Japonesa da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP. Coordenação: Prof. Dr. Koichi Mori. Assessoria técnica: Patrícia Izumi, Centro de Estudos Japoneses da USP. Tel.: (11) 3091-2426 (secretaria)/3091-2423 (biblioteca). Site: CEJAP
Cultura Tradicional
Filosofia japonesa 5s melhora desempenho profissional
Quantas vezes o Japão tremeu?
Dicas de como chegar ao topo do Japão
Sucesso dos kaitenzushi no Japão
A tradição do Valentine’s Day
Bushido no mundo dos negócios
Mergulhe nos prazeres do ofurô
Renda-se à comida japonesa!
Feng Shui: energia para dar novos ares a sua casa
O Japão na visão do cinema ocidental
Macarrão Instantâneo: rápido e fácil
Quimono: A tradição que resiste ao tempo
Universidades difundem cultura japonesa
Do arco-da-velha para o Japão
Japão sem mistério
Timidez
Marmitas sofisticadas
Mangá: Uma das marcas da sociedade japonesa
As medidas japonesas
Etiqueta japonesa: um tesouro milenar
O Kanji de Quioto
Sudoku: Passatempo japonês vira mania nacional
Wagashi: pequenas jóias da tradição
Orquídeas
Sanshin
Pintura monocromática japonesa: Sumi-ê
Superstições japonesas
Oseibo (dar presentes)
Gatebol
Jardins Japoneses: Nihonteien (Parte 2)
Jardins Japoneses: Nihonteien (Parte 1)
Kao - moji
Além das palavras
Tatemae e honne
Zenga: A arte Zen
Budô
Jogos tradicionais de adultos
Jogos tradicionais infantis
Giri / Ninjô: Sentimentos conflitantes na literatura japonesa
Danças tradicionais do Japão
Go: o tradicional jogo “japonês”
A milenar arte da caligrafia
Eisâ no Brasil
Eisâ, a dança okinawana dos taikôs
ARQUIVO
Cultura Tradicional
 Link direto com a redação (sugestões, dúvidas ou reclamações): Clique aqui
  © Copyright 1992-2010 - Jornal NippoBrasil - Todos os direitos reservados - www.nippo.com.br - www.zashi.com.br