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Sexta-feria, 03 de setembro de 2010
Eisâ, a dança okinawana dos taikôs
Hoje, grupos de eisâ moderno incorporam estilos musicais do Ocidente

A maior parte do repertório eisâ é composta pela música folclórica okinawana

(Fotos: Marcel Uyeta e Divulgação)

Segundo a tradição do Obon (“Urabon-e”, do sânscrito Ullambana), que acontece em Okinawa entre os dias 13 e 15 de julho – em outras regiões do Japão ocorre em agosto – , os espíritos ancestrais voltam ao mundo dos humanos para visitar as suas famílias. Na última noite do festival, após o simbólico retorno dos espíritos ao seu mundo, grupos de pessoas dançam e cantam ao som de música folclórica, acompanhada do taikô (tambor japonês).

Típica da região de Okinawa, essa dança performática é conhecida como eisâ e sua origem está nos cantos budistas do início do século XVII, quando o monge Taichû Shônin chegou a Okinawa introduzindo preces e cantos budistas. Adaptando-os a uma linguagem mais acessível e adicionando-lhes melodia, o monge conseguiu que fossem difundidos como poemas budistas de Ryûkyû (antigo nome de Okinawa) e possíveis de serem cantados. Assim, muitos monges começaram a especializar-se nesse tipo de prece, e logo se tornou costume convidá-los para cantar os poemas aos espíritos ancestrais no Bon Odori (dança do Obon). Graças à demanda, esses monges, conhecidos por chondarâ, passaram a incrementar o canto com danças budistas.

A origem da palavra eisâ pode estar ligada à palavra wesa (), que aparece na frase Iro Iro no wesa omoro (), do capítulo 14 do livro mais antigo de Okinawa, Omoro Sôshi, uma compilação de cânticos antigos da região, escrita sob auspícios reais.

O estilo nas performances de eisâ varia por distritos. Ainda hoje, a maior parte do repertório das músicas eisâ é composta pela música folclórica okinawana, apesar de suas origens remeterem a canções de invocação a Buda, como Mamauya Nenbutsu, uma das mais populares. Mais recentemente, grupos de sôsaku eisâ (eisâ moderno) estão incorporando diversos tipos de músicas em seus repertórios, incluindo até estilos musicais do Ocidente.

 
Pequeno glossário do eisâ

• PÂRANKÛ: Pequeno taikô revestido por pele em apenas um dos lados.

• SHIME-DAIKO: Um pouco maior que o pârankû, é revestido nos dois lados.

• HATA e HATAGASHIRA: Geralmente, as apresentações de eisâ são acompanhadas por bandeiras (hata) que faziam parte dos ritos de pedido de boas colheitas e livramento de pragas e doenças. O hata é a ligação entre o mundo dos homens e o dos espíritos e é por ele que a manifestação divina se faz presente em rituais e celebrações. O hatagashira traz a identificação de cada grupo de sôsaku eisâ.

• CHONDARÂ: Sua origem está na denominação dos monges que entoavam preces budistas de Ryûkyû. Hoje, é o nome dos animadores de público que circulam entre os participantes em uma apresentação de sôsaku eisâ.

• SANSHIN: Nome okinawano do shamisen, uma espécie de banjo de origem chinesa de três cordas, revestido com couro de cobra.

• MIN`YÔ: Como é chamada a música folclórica.

• ÔDAIKO: O maior taikô usado no eisâ. É leve, se comparado aos de outros estilos do Japão. É tocado preso ao ombro por uma fita.


Colaboração: Carlos Roberto Amorim Glaujor e Aline Majuri Wanderley
Revisão: Prof. Dr. Koichi Mori
Crédito: Bolsistas de Toyama 2005/2006, curso de Língua e Literatura Japonesa, Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas (USP). Coordenação: Koichi Mori. Assessoria técnica: Patrícia Izumi, Centro de Estudos Japoneses (USP). Tel.: (11) 3091-2426 (secretaria)/3091-2423 (biblioteca). Site: CEJAP
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