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Sexta-feria, 12 de março de 2010
Eisâ no Brasil
Arte une gerações de okinawanos e descendentes na preservação de sua cultura e identidade

Sôsaku eisâ praticado no Brasil tem como objetivo reafirmar a condição étnica okinawana e inserir-se no ambiente brasileiro

(Fotos: Marcel Uyeta)

O eisâ exerce a mesma função que o min’yô (música folclórica) e o koten ongaku (música clássica com uso de sanshin e koto), na medida em que une as gerações de okinawanos na preservação de sua cultura e identidade. Por ser a colônia mais distante da terra natal, os okinawanos do Brasil procuram preservar aspectos culturais distintivos de sua origem. Assim, tanto o clássico quanto o folclórico encontram seu espaço representativo. O conjunto das artes tradicionais de Okinawa reúne ainda, além das citadas acima, o buyô (dança) e o Okinawa shibai (teatro okinawano).

Os imigrantes que chegaram antes da Segunda Guerra Mundial usavam as artes tradicionais de Okinawa apenas em festividades comunitárias, mas, com o pós-guerra e o intercâmbio entre os okinawanos radicados no Brasil e os de Okinawa, organizou-se o sistema de ensino e aprendizagem das artes tradicionais.

Na década de 80, o professor Urasaki Naohide já ensinava taikô no estilo Mitsufumi Ryûtaiko e, nos anos 90, iniciou as atividades da primeira filial brasileira do grupo de sôsaku eisâ Ryukyu Koku Matsuri Daiko, que, em 1993, na comemoração de 85 anos da imigração japonesa no Brasil e dos 55 anos da fundação dos kenjinkai, apresentou-se pela primeira vez no Brasil. Hoje, o professor Urasaki Naohide lidera as filiais do Ryukyu Koku Matsuri Daiko (São Paulo, Guarulhos, Campinas, Campo Grande e Brasília) e a professora Omine Hatsue lidera as filiais do Requios Gueinou Doukoukai (São Paulo e Brasília). Ambos os grupos se apresentam em diversos festivais culturais.

O sôsaku eisâ surgiu no intuito de atrair os jovens a participar das atividades artísticas da terra de origem e integra o conjunto de elementos que pretende estabelecer um elo de identidade étnica transnacional uchinânchu (okinawano). No caso específico do sôsaku eisâ praticado no Brasil, suas apresentações públicas em festividades da colônia okinawana e japonesa e em festividades tipicamente brasileiras (como o carnaval) têm o objetivo de reafirmar a condição étnica okinawana, ao mesmo tempo em que se insere no ambiente brasileiro.

As danças performáticas com o taikô do eisâ deixaram de ser apresentadas apenas nas festividades de finados e se tornaram um grande espetáculo distintivo da identidade okinawana ao redor do mundo.

 
Para quem quiser conhecer mais sobre os grupos de eisâ no Brasil:

Ryukyu- Koku Matsuri Daiko

• no Brasil: www.rkmd-brazil.com

• no Brasil: Okinawa Kenjinkai de Vila Carrão: Praça Haroldo Daltro, 279.

• em Okinawa: http://www.ryucom.ne.jp/users/m-taiko

Requios Gueinou Doukoukai

* no Brasil: Rua Fernão Albernaz, 380, São Paulo. Informações: (11) 6651-4802, com a Profª. Hatsue Omine

* no Brasil: Clube Cultural Nipo-Brasileiro, Brasília. Informações: (61) 8122-2928 (Luiza), (61)9983-4518 (Antonio)

* em Okinawa: http://www.requios.com/


Colaboração: Carlos Roberto Amorim Glaujor e Aline Majuri Wanderley
Revisão: Prof. Dr. Koichi Mori
Crédito: Bolsistas de Toyama 2005/2006, curso de Língua e Literatura Japonesa, Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas (USP). Coordenação: Koichi Mori. Assessoria técnica: Patrícia Izumi, Centro de Estudos Japoneses (USP). Tel.: (11) 3091-2426 (secretaria)/3091-2423 (biblioteca). Site: CEJAP
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