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Sexta-feria, 03 de setembro de 2010
Do arco-da-velha para o Japão
Artigos brasileiros longe de serem souvenirs fazem sucesso entre os japoneses

Design de produtos brasileiros é um atrativo da loja Nico, um dos maiores estabelecimentos de artigos “made in Brazil”

(Texto e Fotos: Julio Caruso/ipcdigital.com)

Tem de palito de dente, passando por apito e chaveiros de automecânica, a uniforme de escola municipal. Esses são exemplos de produtos disponíveis em lojas japonesas e sites na internet. O que para brasileiro pode parecer bugiganga aos olhos dos japoneses produtos como um envelope verde-amarelo são vistos como itens exóticos e que, ao mesmo tempo, transmitem “brasilidade”.

Os donos das lojas são japoneses que recebem artigos enviados por conterrâneos que residem no Brasil ou, em alguns casos, eles próprios fazem questão de atravessar o mundo para escolher e comprovar a qualidade dos produtos que irão vender.

Takashi Horiuchi é um deles. Além de uma cafeteria e uma loja repleta de CDs do Brasil, ele administra a loja Dois, localizada em uma pacata rua em Kamakura (Kanagawa). Segundo a funcionária da loja, Akiko Akase, Horiuchi faz questão de trazer coisas novas que normalmente não são importadas para o Japão. “Da última vez, ele trouxe uma peça de tapeçaria feita por índios”, acrescenta.

Akiko diz que os produtos que vendem bastante têm as cores típicas do Brasil ou a bandeira nacional. “O apito, por exemplo, quem compra leva sempre um verde e um amarelo”. Lá, são vendidos também cadernos da marca Tilibra e lápis. Horiuchi viaja ao Brasil pelo menos três vezes a cada dois anos e, quando não vai, recebe os produtos de um amigo que mora lá. Ainda segundo a funcionária, os clientes, formados em sua maioria por japoneses amantes do Brasil, quando ficam sabendo da chegada de novas mercadorias vão em busca de novidades.

Quem também conta com um “amigo fornecedor” é Reiko Misawa. Proprietária da loja Nico, em Yushima (Tóquio), ela diz que foi por conta da amiga que mora em São Paulo que começou a vender artigos do Brasil. Ela já tinha a loja quando a tal amiga enviou umas amostras de artigos de papelaria. Reiko gostou e passou a receber os produtos com freqüência. “Eu mesma só fui buscar uma vez”, confessa.

Na loja, que também vende artigos da Rússia e da China, são encontrados palitos de dentes da marca Gina, fósforo Fiat Lux, pregador de roupa feito de madeira, papel toalha, borracha cheirosa da Turma da Mônica e até filtro de café. Mas, quando o assunto é ranking dos produtos mais vendidos, Reiko enumera três: sacola do supermercado Pão de Açúcar, régua com formato do mapa do Brasil e adesivos da bandeira.

Pela internet

A loja virtual Ponto, criada pela designer gráfica japonesa Ayano Izumi, comercializa produtos brasileiros desde dezembro de 2005. No caso dela, tudo começou com a paixão pelas obras do arquiteto Oscar Niemeyer. “Fiquei maravilhada quando vi, pela primeira vez, as fotos de Brasília numa revista, há dois ou três anos”. Ayano inaugurou sua loja com os livros sobre Niemeyer e outros artigos relacionados à capital brasileira. “Esses produtos até chamavam a atenção de certas pessoas, mas elas não chegavam a comprá-los. Só comecei a receber pedido depois que coloquei as camisetas da Universidade de Brasília à venda”, lembra.

Hoje, esse artigo aparece como o item mais vendido, seguido pela camiseta da Universidade de São Paulo (USP) e pelo uniforme de uma escola municipal do Rio de Janeiro. “Das cem que trouxe na última viagem, consegui vender 60, quase atingindo a meta que era de vender 70”. Até o próximo verão, Ayano pretende diversificar os modelitos e trazer quantidade maior de camisetas.

A brasilidade

Todos os proprietários apontam a “brasilidade” desses artigos como o grande diferencial em relação aos produtos japoneses. “Vendo algumas coisas com bandeira verde-amarela, mas não gosto desse tipo de design apelativo. Prefiro outros estilos mais sutis, mas que têm muita brasilidade como os chaveiros promocionais”, explica Ayano.

No Japão, não há importadora dessas “raridades” que ela quer oferecer ao público. Tudo o que se vende em sua loja, foi escolhido e comprado pessoalmente por Ayano no Brasil.

Desde a primeira viagem à terra do seu ídolo Oscar Niemeyer, em março de 2005, a designer gráfica já voltou duas vezes ao Brasil para renovar o estoque. Além de ir às universidades e às fornecedoras de camisetas, ela visita feiras e lojas de souvenir no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Ayano tem planos de ampliar a rede de venda, mas sem exagero. “Quero continuar com o mesmo esquema, eu mesma indo pessoalmente ao Brasil para escolher e checar a qualidade dos produtos antes de trazê-los para cá. Se ficar fácil demais encontrar esses produtos, vai deixar de ser raridade e perder a graça”, conta.

 
Alguns dos produtos mais procurados
Bolsa feita com tecido de saco de café.
Caneta com bandeira do Brasil e grãos de café.
Chaveiros promocionais de bancos, lojas e etc.
Envelopes para correio via aérea.
Caderno com pautas da marca Tilibra.
Cultura Tradicional
Filosofia japonesa 5s melhora desempenho profissional
Quantas vezes o Japão tremeu?
Dicas de como chegar ao topo do Japão
Sucesso dos kaitenzushi no Japão
A tradição do Valentine’s Day
Bushido no mundo dos negócios
Mergulhe nos prazeres do ofurô
Renda-se à comida japonesa!
Feng Shui: energia para dar novos ares a sua casa
O Japão na visão do cinema ocidental
Macarrão Instantâneo: rápido e fácil
Quimono: A tradição que resiste ao tempo
Universidades difundem cultura japonesa
Do arco-da-velha para o Japão
Japão sem mistério
Timidez
Marmitas sofisticadas
Mangá: Uma das marcas da sociedade japonesa
As medidas japonesas
Etiqueta japonesa: um tesouro milenar
O Kanji de Quioto
Sudoku: Passatempo japonês vira mania nacional
Wagashi: pequenas jóias da tradição
Orquídeas
Sanshin
Pintura monocromática japonesa: Sumi-ê
Superstições japonesas
Oseibo (dar presentes)
Gatebol
Jardins Japoneses: Nihonteien (Parte 2)
Jardins Japoneses: Nihonteien (Parte 1)
Kao - moji
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Tatemae e honne
Zenga: A arte Zen
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Giri / Ninjô: Sentimentos conflitantes na literatura japonesa
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Eisâ no Brasil
Eisâ, a dança okinawana dos taikôs
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