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Quinta-feira, 11 de março de 2010
Zenga: A arte Zen
Ensô Ensô, de Hakuin
(1685–1769)

O ensô é um círculo feito para simbolizar a iluminação. Não se limita, porém, a uma função estética. Consiste, muitas vezes, em um enigma (kôan), formulado pelo mestre para a meditação de seu discípulo, a fim de que este possa alcançar uma forma mais elevada de consciência.

(Fotos: L’art zen: peintures et calligraphies des moines japonais 1600-1925/CEJ-USP)


Furu-ike ya
Nari yara ponto
Tobinkonda
(Uma lagoa antiga
E alguma coisa que... ploft!
Mergulhou.)
A rã e as plantas, de Sengai (1750–1838).

Zenga é o nome dado pelos japoneses à pintura e à caligrafia produzidas pelos monges do zen-budismo, no Japão, a partir do século XVII. Trata- se, por um lado, de um caminho para a iluminação (satori). Por outro, é uma arte que tem como principal característica a profunda simplicidade. O zenga é, de fato, uma arte rude e espontânea – muitas vezes, irreverente até. Tem por objeto, na pintura, os próprios mestres zen, grandes modelos do passado e elementos da natureza (como animais e plantas); já na caligrafia, poemas e adivinhações zen são seu objeto, os quais adquirem singularidade a partir da combinação dos estilos de caligrafia com a maneira pessoal dos autores de compor os caracteres.

O zenga, apesar de ter se desenvolvido no Japão somente a partir do século XVII, possui uma história que remete, na realidade, a mais de mil anos atrás. Isso porque os mestres zen da China, nessa época, já recorriam à pintura como um meio para atingir a iluminação – deles próprios e de seus discípulos. Com o uso de pincel e tinta, a intensidade espiritual de um mestre zen torna-se palpável, podendo-se considerar o zenga uma manifestação exterior da via interior dos monges zen.

No Japão, o desenvolvimento do zenga está relacionado, sim, à introdução do zenbudismo no país (século XIII). Porém, vincula-se, sobretudo, às mudanças sociais ocorridas no Japão após a Era Azuchi-Momoyama (1568–1600) – Era Edo em diante –, isto é: inserção do neoconfucionismo; fechamento do país para o exterior; crescimento da economia mercantil; enfraquecimento das crenças religiosas; posterior abertura do Japão ao exterior. O zenga foi a resposta encontrada pelos monges zen para, diante dessas mudanças, divulgar o zenbudismo para o grande público – eles acreditavam que talvez a pintura e a caligrafia pudessem ter um impacto mais direto sobre as pessoas do que os sermões e as cerimônias religiosas.

Nomes importantes na história do zenga foram: Takuan Sôhô (1573–1645), monge chefe do templo Daitoku-ji e mestre dos principais expoentes do zenga de seu tempo; Hakuin Ekaku (1685– 1769), responsável pela introdução de novos personagens nas artes zen e por conferir a temas familiares do zenga uma perspectiva nova; e Sengai Gibon (1750– 1838), cujas obras, possuidoras de um espírito alegre e de um humor de desdém, tornaram-se as mais populares da história do zen-budismo.


Colaborador: Rodrigo Moura Lima de Aragão
Revisão: Prof. Dra. Madalena Natsuko Hashimoto Cordaro
Crédito: Bolsistas de Toyama 2005/2006, curso de Língua e Literatura Japonesa (FFLCH/USP)
Coordenação: Koichi Mori.
Assessoria técnica: PatríciaIzumi. Centro de Estudos Japoneses/USP
Tel.: (11) 3091-2426 (secretaria)/3091-2423 (biblioteca)

Site: www.fflch.usp.br/dlo/cejap

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