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Sexta-feria, 03 de setembro de 2010
Tatemae e honne
A sutileza na interação entre o tatemae e o honne procura evitar conflitos e deu origem a outras expressões ambíguas no idioma japonês

Fotos: (Divulgação)

Vários são os elementos que atuam nos relacionamentos interpessoais dos japoneses. Assim como nas demais culturas, o conflito entre a aparência e a verdadeira intenção está presente na interação entre os indivíduos. Porém, a necessidade de se manter a cordialidade mesmo em situações conflitantes é mais presente no Japão, exigindo, na maioria dos casos, certos cuidados para não comprometer o relacionamento. Essa preocupação é expressa pelas excessivas formalidades aos olhos ocidentais.

Os termos que definem as aparências e as verdadeiras inteções são, respectivamente, tatemae e honne. Tatemae é traduzido como “aquilo que é mostrado” ou “opinião coletiva” e Honne é traduzido como “voz verdadeira” ou “opinião pessoal”. O peso entre essas posturas varia de caso a caso, mas a prioridade entre uma ou outra tende a pender de acordo com o que for mais adequado para o coletivo ou para a situação. Numa conversação, os japoneses percebem rapidamente se o discurso do interlocutor está ou não de acordo com sua real intenção. E essa intenção por trás do discurso é algo que deve ser comunicado implicitamente, justamente para se evitar o conflito.

Essa peculiaridade do trato japonês normalmente causa confusão numa negociação com ocidentais. A cultura ocidental privilegia a objetividade e, por isso, quanto mais direta for uma rodada de negociação, melhor para os dois lados. Porém, no Japão esse conceito muda, o que torna necessário várias rodadas de negociação até que se concretize a transação. O conflito é inerente a uma negociação e, por isso, tatemae e honne são amplamente usados para se manter a compostura e evitar atitudes extremadas. Normalmente, um ocidental não tem meios para interpretar se o discurso de um japonês está em acordo ou desacordo com seu honne, isto é, se o japonês está apenas evitando um conflito ao usar o tatemae.

A origem de tatemae e honne pode ser explicada pela própria constituição da sociedade japonesa. Nela, o “coletivismo”, ou seja, a preponderância do coletivo sobre o indivíduo, é o que forma sua base; no Ocidente, ocorre o inverso, pois a base da sociedade está pautada no individualismo.

A sutileza na interação entre tatemae e honne e a procura em evitar conflitos e constrangimentos fez surgir expressões ambíguas, que não significam enfaticamente nem “sim” nem “não”. Dessa forma, sono uchini (em breve), izuremata (qualquer dia desses), kentôshitemimasu (vamos analisar), maemukini kentô itashimasu (vamos analisar favoravelmente), podem ser interpretadas como um sim provisório, ou uma negativa não explícita.


Colaborador: Carlos Roberto Amorim Glaujor
Revisão: Prof. Wataru Kikuchi
Crédito: Bolsistas de Toyama 2005/2006, curso de Língua e Literatura Japonesa (FFLCH/USP).
Coordenação: Koichi Mori.
Assessoria técnica: Patrícia Izumi. Centro de Estudos Japoneses/USP.
Tel.: (11) 3091-2426 (secretaria)/3091-2423 (biblioteca)

Site: www.fflch.usp.br/dlo/cejap

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