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Sexta-feria, 03 de setembro de 2010
Jardins Japoneses: Nihonteien (Parte 1)

Convivência dos japoneses com a natureza possui tanto tempo quanto a própria civilização

(Fotos: Divulgação)

Os tradicionais jardins japoneses constituem um dos pontos representativos da cultura nipônica, sendo reconhecidos por sua beleza e complexidade singulares em qualquer parte do mundo.

Os jardins japoneses, como os conhecemos hoje, construídos a partir de diversos conceitos estéticos e religiosos, tiveram sua origem a partir do período auge da aristocracia japonesa, a Era Heian (794~1185). Mas, na verdade, a convivência dos japoneses com o manuseio da natureza possui tanto tempo quanto a própria civilização. Desde a pré-história do arquipélago (Era Yayoi, 300a.C.~300d.C.), quando o homem primitivo tomou consciência da agricultura, fixando-se em pequenas vilas, a disposição da paisagem natural passou a influenciá- lo e por ele ser influenciada. Como resultado desse processo, os jardins expressam a relação do homem com a natureza, a qual foi sendo concebida e aprofundada, com o passar do tempo, por meio de conceitos espirituais, estéticos e intelectuais.

A jardinagem concentra concepções religiosas

Para que se entenda o real significado desse tipo de jardim, é necessário que se compreenda a peculiar relação dos japoneses com os elementos da natureza, uma vez que, para eles, além de ser a origem da vida e da terra onde vivem, a natureza também compreende a morada das divindades (kami). Segundo a crença religiosa japonesa, o Xintoísmo (Shinto) define a origem do Japão e de seu povo por meio de divindades que controlam a vida e as forças naturais (a história da formação do Japão e de seu povo foi concebida a partir da compilação de mitos antigos denominada Kojiki, ou Relatos de Fatos do Passado). Dessa forma, localidades exóticas como cachoeiras, árvores anciãs ou grandes rochas, representações muito freqüentes na arte da jardinagem, podem ser consideradas sagradas, por simbolizarem a morada das divindades naturais.

Ideogramas e Significados


niwa

sono

Teien

As palavras que, na língua japonesa, costumam ser mais usadas para denominar “jardim” são niwa e sono, ambas registradas pela primeira vez em literatura na primeira compilação poética japonesa, do início do século VIII, chamada Man’yôshû. O primeiro ideograma denomina um território não controlado pelo homem, de característica mais natural, e o segundo um território cercado, uma natureza de característica mais controlada. O interessante é que ambos os ideogramas podem ser usados juntos, tomando a pronúncia chinesa Teien, que siginifica não apenas a palavra “jardim”, mas também expressa um conceito básico da arte da jardinagem: o equilíbrio entre a beleza natural e aquela construída pelo homem.

A jardinagem, como uma arte propriamente dita, foi introduzida ao Japão pela China e Coréia, nas Eras Asuka (552~710) e Nara (710~794), períodos marcados pela grande importação de conceitos religiosos e culturais. Essa importação ocorreu por meio da vinda ao Japão de alguns especialistas nessa arte, como o imigrante coreano Michiko Takumi, citado na compilação histórica Nihon Shoki (Crônicas do Japão, datada do início do século VIII), como um artista que construiu um jardim no Japão no século VII, chamando a atenção do povo japonês para a beleza dessa arte.

A jardinagem que concentra concepções religiosas e intelectuais passou a se desenvolver a partir desses períodos, tomando diferentes significados e formatos. Na edição 411, veremos uma pequena descrição histórica dos principais tipos de jardins, seus conceitos de construção e significados.


Colaboradoras: Pedro Ferreira Perrenoud Marques
Revisão: Profa. Dra. Junko Ota
Coordenação: Koichi Mori.
Crédito: Bolsistas de Toyama 2005/2006, curso de Língua e Literatura Japonesa (FFLCH/USP).
Tel.: (11) 3091-2426 (secretaria),3091-2423 (biblioteca)
Assessoria técnica: Patrícia Izumi. Centro de Estudos Japoneses/USP.
Site: www.fflch.usp.br/dlo/cejap

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