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Mangás
e animês têm atraído uma ampla audiência de fãs
que os estão distribuindo com suas próprias traduções
e performances na internet. Isso é o que demonstra uma recente
pesquisa realizada por um centro acadêmico britânico.
Lee Hye-Kyung,
da Universidade de Londres, disse que esse processo mostra novas maneiras
pelas quais a cultura pop do Japão está se difundindo na
era da globalização. Mas ela acredita na existência
de um conflito em potencial no futuro, se as editoras japonesas decidirem
tomar medidas legais contra as traduções não autorizadas
distribuídas por fãs nos Estados Unidos e na Europa.
Lee, que finalizou
recentemente a pesquisa desse fenômeno no qual o mangá
japonês é traduzido para outras línguas pelos fãs
, apresentou suas descobertas em um seminário sobre marcas
do Japão globalizado, ocorrido em Londres. No Brasil, esse processo
é chamado de fansub, em uma referência ao fã
que desenvolve subtitles (legendas em inglês) tanto de mangás
como também de animês.
A pesquisadora
também descobriu que estrangeiros fãs devotos da animação
japonesa, ou de animê, também traduzem filmes e produzem
legendas para distribuição pela internet. O mesmo processo
também está acontecendo com obras da literatura japonesa
moderna.
Processo
O primeiro
passo do fansub consiste em um fã de mangá ter acesso aos
últimos lançamentos dos quadrinhos japoneses. O fã,
então, digitaliza cada uma das páginas do mangá.
Depois disso, ele envia as imagens por e-mail para o tradutor, que, após
fazer o seu trabalho, encaminha-o para a conferência de um revisor.
O próximo passo é remover o conteúdo original em
japonês dos balões dos quadrinhos e inserir a tradução.
A versão
traduzida é, algumas vezes, enviada a uma espécie de controle
de qualidade, que a verifica antes de lançá-la em
sites da internet, de onde o material poderá ser baixado gratuitamente
pelos leitores interessados.
Lee acredita
que existam mais de mil grupos praticantes desse tipo de trabalho espalhados
pela rede mundial de computadores. Muitos deles estão sediados
nos Estados Unidos, onde essa prática existe desde os anos 90.
Para a pesquisadora,
esse processo representa um tipo diferente de relação entre
as editoras e aqueles que copiam o seu trabalho.
Enquanto a
indústria da música toma medidas drásticas contra
os compartilhadores de material ilegais, o segmento da indústria
do mangá ainda não tomou nenhum tipo de atitude legal. Lee
disse ter entrado em contato com uma editora japonesa que não se
mostra particularmente feliz no que se refere às traduções
não autorizadas, mas essa empresa já se engajou em uma ação,
coordenada com outras editoras, que visualiza o fansub como um fenômeno
estrangeiro.
Ela acredita
que essa disputa possa ganhar dimensões maiores no futuro e ir
adiante, se o mercado de mangás tornar-se mais lucrativo no exterior.
Tal processo, atualmente, atrai a atenção de uma modesta
parcela do público, em comparação com outros produtos.
Lee constatou,
durante sua pesquisa, que alguns scanlators (praticantes do fansub) traduzem
séries de mangás, mesmo existindo a possibilidade de elas
serem publicadas na Inglaterra posteriormente. Esse foi o caso de Naruto,
uma série de histórias em quadrinhos, posteriormente transformada
em animê, que mistura fantasia e artes marciais, quando fãs
ficaram impacientes esperando a tradução oficial.
Em uma recente
conferência organizada pela Fundação Sasakawa, da
Grã-Bretanha, Lee ressaltou que muitos adeptos da prática
do fansub contam com um empenho missionário para divulgar
os mangás traduzidos em bases sem fins lucrativos. A motivação
para tanto residiria em uma tentativa de encorajar editoras fora do Japão
a adquirir os direitos desses trabalhos e traduzi-los para línguas
europeias. Eu considero o fansub um fenômeno muito interessante,
que desafia a nossa percepção sobre a relação
entre o público os direitos dos produtos, afirma.
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