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Especial
Obon: Uma celebração aos mortos
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Durante
o feriado, japoneses recepcionam com festas os espíritos
de entes queridos
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Lanternas
são lançadas nos rios de
Hiroshima todos os anos, em memória aos mortos
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Qualquer
pessoa pode participar
do Gujo-Odori, na província de Gifu
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(Reportagem:
Yoko Fujino/NB | Fotos: Kyodo)
Em meados de
agosto, no auge do verão, japoneses viajam em massa rumo à
terra natal. É o feriado do obon, quando o povo relembra seus mortos.
Pelo antigo calendário, o obon é celebrado entre 13 e 15
de julho já no calendário atual,ele ocorre de 1 a
3 de setembro. No entanto, a maioria das regiões celebra a data
entre 13 e 15 de agosto, quando as pessoas visitam o túmulo da
família (ohaka-mairi) para limpá-lo e comunicar fatos novos,
como nascimentos e uniões. Monges budistas são chamados
para fazer a oração aos mortos e as comunidades reúnem-se
a noite, para dançar o bon-odori pela alma dos antepassados. Como
muitas pessoas retornam à cidade natal, é uma oportunidade
de rever amigos. Levantamento feito pela empresa de transporte ferroviário
Japan Railways revelou que, até o dia 29 de julho, haviam sido
feitos 3,48 milhões de reservas nos trens operados por ela, para
o período de 7 a 16 de agosto. Já as polícias das
províncias preveem congestionamento, pois as rodovias baixaram
a tarifa do pedágio para quem usa o sistema automático de
cobrança.
Rituais
O obon começa com a recepção aos
mortos (mukae-bi), na tarde do dia 12 ou 13 de agosto, quando uma
lanterna com o símbolo da família é acesa. O ritual
repete-se todas as noites do período. Muitas famílias acendem
uma fogueira em vez da lanterna. Verduras e frutas colhidas na horta da
casa, comida servida sobre folha de lótus ou de inhame são
oferecidas no altar. Figuras de animais feitas com berinjela e pepino,
com patas de gravetos, também são colocadas no altar: o
pepino seria o cavalo, que traz o espírito dos mortos com rapidez,
e a berinjela o boi, cujo caminhar é mais lento. Esses animais
são chamados de shouryou uma.
Três dias depois, os espíritos voltam para o mundo dos mortos.
Novamente, a fogueira é acesa e recebe o nome de okuri-bi (fogueira
da despedida).
Origem
O obon originou-se do uranbon-e (do sânscrito ullanbana),
celebração budista da Índia. Segundo a lenda, Maudgalyaayana
(em japonês, Mokuren), discípulo do Buda Shakyamuni (Shaka),
tinha o poder de visão mágica e viu a mãe morta no
inferno. Ofereceu-lhe comida, mas, ao chegar à sua boca, o alimento
pegava fogo. Condoído, pediu conselho a Buda, que disse que, fazendo
oferenda a todos os monges, uma parte chegaria à alma da mãe.
Assim, os budistas passaram oferecer comida aos monges. A dança
bon-odori representa a alegria da mãe de Mokuren ao ascender ao
céu.
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Símbolos |

Em
Tokushima, o Awa-Odori atrai milhares de espectadores no período
do obon
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O fogo é
um dos principais símbolos do obon. Presente na lanterna e na fogueira
de recepção, ele sinaliza a casa, para onde a alma deve
retornar. Já no final do período da celebração,
o fogo tem a função de iluminar o caminho até o mundo
dos mortos. Também teria a função de espantar os
maus espíritos que porventura tenham vindo junto. Em Quioto, as
famílias substituem o okuri-bi pelo Gozan Okuri-bi, grandes fogueiras
em forma de ideogramas ou de desenhos nas cinco montanhas que rodeiam
a cidade. A província parece arder em chamas por causa da luminosidade
das fogueiras e moradores de Quioto dizem que parece que se abriu
a porta do inferno. Não se sabe exatamente quando começou
a tradição, mas acredita-se que tenha sido na era Heian
(séc. VIII a XII).
Já em
outras regiões, a fogueira da despedida é substituída
pelo toorô-nagashi (lançamento de lanternas no rio ou no
mar). No Japão, o toorô-nagashi é realizado antes
do período do obon, pois as cidades de Hiroshima e Nagasaki celebram
as vítimas da bomba atômica com o ritual nas noites de 6
e 9 de agosto, respectivamente.
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Bon-odori |

Habitantes
de Quioto despedem-se
dos mortos com o Daimonji-Yaki
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Uma das atrações
da celebração dos mortos é o bon-odori (dança
de finados), dança coletiva feita em torno de um palco, ao som
de flauta e taikô. Ela representa a alegria dos mortos ao se livrar
do sofrimento do inferno.
Em Gujo-Hachiman,
Gifu, o obon é celebrado com danças que duram a noite toda,
de 13 a 16 de agosto. O Gujo-odori, como é chamada a dança,
também é realizado nos finais de semana de julho a setembro.
Nas quatros principais noites, o evento chega a reunir 250 mil pessoas
na cidade. As coreografias de Gujo são diferentes das coreografias
de bon-odori de outras regiões. Elaboradas ao longo de 400 anos,
as canções e coreografias refletem a história da
região: em Koneko, os dançarinos imitam os gestos do gato,
considerado importante aliado, porque caçava ratos que atacavam
a criação do bicho-da-seda. Já Harukoma reproduz
os gestos dos cavaleiros ao domar potros. Tanto a produção
de seda como a criação de cavalos eram importantes fontes
de renda da região.
Na província
de Tokushima, a atração é o Awa-odori. As coreografias
são dançadas em grupos, chamadas ren, entre 12 e 15 de agosto,
em cidades como Tokushima e Awa. Participantes de ren usam o mesmo yukata
(quimono de verão) e kasa (chapéu de palha), no caso das
mulheres, e hanten (veste curta masculina), no caso dos homens. Dados
de 2006 mostram que cerca de 960 ren participaram do Awa-odori, reunindo
até 1 milhão de participantes. O Awa-odori teria começado
em 1586, quando Hachisuka Iemasu, detentor das posses da região
de Awa, construiu o castelo de Tokushima, liberando o povo a dançar
como quisesse. Assim como o Gujô-odori, foi proibido diversas vezes
ao longo da história, mas a tradição popular resistiu
e, hoje, ambos os eventos são fortes atrações turísticas
e recebem recursos oficiais.
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