
Yukio Mishima e Yasunari Kawabata (fundo): escritores representativos
da época |
Um ano após
o grande terremoto de Kanto que atingiu Tóquio, Yokohama
e imediações, em 1º de setembro de 1923, fins da Era
Taisho, causando a morte de mais de 90 mil pessoas (140 mil vítimas
entre mortos, feridos e desaparecidos) , surgiram duas correntes
literárias: Puroretaria Bungaku (Literatura Proletária)
e Shin-kankaku-ha (Grupo Nova Sensibilidade).
Puroretaria
Bungaku (Literatura Proletária)
A difusão da ideologia democrática na Era Taisho fez
brotar a literatura escrita pela classe proletária. Nasceu a tendência
de fazer da literatura um meio para a luta de classes, criando a ilusão
de que a revolução social em si fosse uma arte.
A Literatura
Proletária adquiriu grande força em meio à crise
econômica pela queda da bolsa de valores de Nova York, fazendo surgir
grandes nomes. Um deles, Takiji Kobayashi (1903~1933), escritor do Kani
kôsen (Navio-oficina de pesca ao caranguejo), romance que relata
as condições subumanas em que viviam os tripulantes do navio-oficina
que contava com a proteção da marinha japonesa. Foi detido,
torturado e morto na prisão. As obras de Kobayashi, que primam
por suas descrições da natureza e do cenário de forma
simples, mas precisas, nortearam muitos escritores de tendências
esquerdistas e adeptos do movimento democrático.
Porém,
com o tempo, surgiram conflitos entre os escritores marxistas com formação
universitária e os mais simplórios, da classe operária.
Além disso, muitos enfrentaram a repressão dos militares
que passaram a controlar com maior rigor quaisquer movimentos ideológicos.
Ainda como
marco da passagem da Era Moderna para a Era Contemporânea da Literatura
Japonesa, é citado o suicídio de dois grandes escritores:
Takeo Arishima (1878~1923) e Ryûnosuke Akutagawa (1892~1927). O
suicídio de Arishima, que declarou a sua inércia perante
a luta social, e o de Akutagawa, que escreveu numa nota antes de se suicidar:
a apreensão indistinta perante o futuro, apontam indícios
de impasse em que se encontravam os literatos da época.
Shin-kankaku-ha
(Grupo Nova Sensibilidade)
Com a nova era consumista introduzida dos EUA, novos movimentos despontam
entre os literatos japoneses, estimulando o surgimento, inclusive, de
muitas revistas literárias. Esses escritores com novas sensibilidades
são denominados Shin-kankaku-ha (Grupo Nova Sensibilidade) pelo
crítico Kameo Chiba (1878~1935). Como um dos escritores representativos
dessa época, podemos citar Yasunari Kawabata (1899~1972).
Uma das primeiras
obras de Kawabata, Izu no odoriko (A dançarina de Izu), conhecida
por ter sido filmada para o cinema por diversas vezes, protagonizadas
por atrizes famosas de cada momento da Era Shôwa, revela o seu talento
lírico, tornando-o a figura principal de shin-kankaku-ha. Como
suas obras representativas, podemos citar: Yukiguni (País das Neves),
Senbazuru (Mil grous), Yama no oto (O som da montanha) e Kyoto (Quioto
velha cidade). Kawabata foi o primeiro japonês a receber,
em 1968, o Prêmio Nobel da Literatura e suicidou-se em 1972.
Prêmios
literários
O grande escritor popular e fundador da revista Bungei Shunju (Primavera
e outono da arte literária), Kan Kikuchi (1888~1948), para homenagear
os dois grandes amigos e escritores que tiveram morte precoce, Ryûnosuke
Akutagawa (suicida em 1927) e Sanjûgo Naoki (1891~1934) instituiu
dois prêmios literários: Akutagawa-shô, para autores
de Jun-bungaku (Literatura Pura), e Naoki-shô, para os autores de
Taishû Bungaku (Romances Populares). Ambos os prêmios são
entregues anualmente até os dias de hoje.
O primeiro
a receber o Akutagawa-shô foi Tatsuzô Ishikawa (1905~1985),
com a obra Sôbô, que retrata a vida dos imigrantes em busca
de uma vida nova no Brasil. O primeiro Naoki-shô foi concedido a
Matsutarô Kawaguchi (1899~1985), com a obra Tsuruhachi Tsurujirô,
que descreve a vida e o amor do casal que se dedica à arte popular
shinnai gatari (uma espécie de trovador).
A fixação
de Dazai (1909~1948) pelo prêmio Akutagawa é bastante conhecida.
Comparado ao escritor russo Anton Pavlovich Tchekov (1860~1904), o escritor
de Shayô (Decadência) é lido até hoje por muitos
e acabou se suicidando com sua amante em 1948, sem receber o prêmio
tão almejado. Shayô retrata o drama da nobreza que vai se
destruindo perante a sociedade mutante.
Yukio
Mishima (1925~1970)
Escritor polêmico, que chocou o mundo ao praticar o seppuku
no quartel de Forças de Autodefesa em 1970. Escreveu romances buscando
temas em crimes ocorridos na vida real, como em sua famosa obra Kinkaku-ji
(Templo Dourado), um romance sobre o fascínio do jovem bonzo pela
beleza estética do Templo Dourado, a ponto de atear fogo no templo
e ser destruído por sua própria fantasia.
Mishima escreveu
ainda muitos romances lidos no mundo inteiro, tais como Kamen no kokuhaku
(A revelação mascarada), Shiosai (O marulhar das ondas),
Yûkoku (O patriotismo) e outros.
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