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Sexta-feria, 03 de setembro de 2010
• Era Showa – parte 5
Surgem os movimentos literários
Literatura Proletária e Grupo Nova Sensibilidade são dois movimentos importantes na década de 20
 

Yukio Mishima e Yasunari Kawabata (fundo): escritores representativos da época

Um ano após o grande terremoto de Kanto – que atingiu Tóquio, Yokohama e imediações, em 1º de setembro de 1923, fins da Era Taisho, causando a morte de mais de 90 mil pessoas (140 mil vítimas entre mortos, feridos e desaparecidos) –, surgiram duas correntes literárias: Puroretaria Bungaku (Literatura Proletária) e Shin-kankaku-ha (Grupo Nova Sensibilidade).


Puroretaria Bungaku (Literatura Proletária)
A difusão da ideologia democrática na Era Taisho fez brotar a literatura escrita pela classe proletária. Nasceu a tendência de fazer da literatura um meio para a luta de classes, criando a ilusão de que a revolução social em si fosse uma arte.

A Literatura Proletária adquiriu grande força em meio à crise econômica pela queda da bolsa de valores de Nova York, fazendo surgir grandes nomes. Um deles, Takiji Kobayashi (1903~1933), escritor do Kani kôsen (Navio-oficina de pesca ao caranguejo), romance que relata as condições subumanas em que viviam os tripulantes do navio-oficina que contava com a proteção da marinha japonesa. Foi detido, torturado e morto na prisão. As obras de Kobayashi, que primam por suas descrições da natureza e do cenário de forma simples, mas precisas, nortearam muitos escritores de tendências esquerdistas e adeptos do movimento democrático.

Porém, com o tempo, surgiram conflitos entre os escritores marxistas com formação universitária e os mais simplórios, da classe operária. Além disso, muitos enfrentaram a repressão dos militares que passaram a controlar com maior rigor quaisquer movimentos ideológicos.

Ainda como marco da passagem da Era Moderna para a Era Contemporânea da Literatura Japonesa, é citado o suicídio de dois grandes escritores: Takeo Arishima (1878~1923) e Ryûnosuke Akutagawa (1892~1927). O suicídio de Arishima, que declarou a sua inércia perante a luta social, e o de Akutagawa, que escreveu numa nota antes de se suicidar: “a apreensão indistinta perante o futuro”, apontam indícios de impasse em que se encontravam os literatos da época.


Shin-kankaku-ha (Grupo Nova Sensibilidade)
Com a nova era consumista introduzida dos EUA, novos movimentos despontam entre os literatos japoneses, estimulando o surgimento, inclusive, de muitas revistas literárias. Esses escritores com novas sensibilidades são denominados Shin-kankaku-ha (Grupo Nova Sensibilidade) pelo crítico Kameo Chiba (1878~1935). Como um dos escritores representativos dessa época, podemos citar Yasunari Kawabata (1899~1972).

Uma das primeiras obras de Kawabata, Izu no odoriko (A dançarina de Izu), conhecida por ter sido filmada para o cinema por diversas vezes, protagonizadas por atrizes famosas de cada momento da Era Shôwa, revela o seu talento lírico, tornando-o a figura principal de shin-kankaku-ha. Como suas obras representativas, podemos citar: Yukiguni (País das Neves), Senbazuru (Mil grous), Yama no oto (O som da montanha) e Kyoto (Quioto – velha cidade). Kawabata foi o primeiro japonês a receber, em 1968, o Prêmio Nobel da Literatura e suicidou-se em 1972.


Prêmios literários
O grande escritor popular e fundador da revista Bungei Shunju (Primavera e outono da arte literária), Kan Kikuchi (1888~1948), para homenagear os dois grandes amigos e escritores que tiveram morte precoce, Ryûnosuke Akutagawa (suicida em 1927) e Sanjûgo Naoki (1891~1934) instituiu dois prêmios literários: Akutagawa-shô, para autores de Jun-bungaku (Literatura Pura), e Naoki-shô, para os autores de Taishû Bungaku (Romances Populares). Ambos os prêmios são entregues anualmente até os dias de hoje.

O primeiro a receber o Akutagawa-shô foi Tatsuzô Ishikawa (1905~1985), com a obra Sôbô, que retrata a vida dos imigrantes em busca de uma vida nova no Brasil. O primeiro Naoki-shô foi concedido a Matsutarô Kawaguchi (1899~1985), com a obra Tsuruhachi Tsurujirô, que descreve a vida e o amor do casal que se dedica à arte popular shinnai gatari (uma espécie de trovador).

A fixação de Dazai (1909~1948) pelo prêmio Akutagawa é bastante conhecida. Comparado ao escritor russo Anton Pavlovich Tchekov (1860~1904), o escritor de Shayô (Decadência) é lido até hoje por muitos e acabou se suicidando com sua amante em 1948, sem receber o prêmio tão almejado. Shayô retrata o drama da nobreza que vai se destruindo perante a sociedade mutante.


Yukio Mishima (1925~1970)
Escritor polêmico, que chocou o mundo ao praticar o seppuku no quartel de Forças de Autodefesa em 1970. Escreveu romances buscando temas em crimes ocorridos na vida real, como em sua famosa obra Kinkaku-ji (Templo Dourado), um romance sobre o fascínio do jovem bonzo pela beleza estética do Templo Dourado, a ponto de atear fogo no templo e ser destruído por sua própria fantasia.

Mishima escreveu ainda muitos romances lidos no mundo inteiro, tais como Kamen no kokuhaku (A revelação mascarada), Shiosai (O marulhar das ondas), Yûkoku (O patriotismo) e outros.

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