Daimao
(à esq.) e seu assistente,
durante o tradicional número da serra
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(Fotos:
Museu Histórico da Imigração Japonesa)
atahiko
Morimasa chegou no Brasil em 1930, aos 12 anos de idade. Foi
para a colônia Santa Lúcia, na estrada de ferro
Mogiana. Depois de um ano, mudou-se para Guarulhos. Virou chacareiro,
vendia verduras e foi feirante.
Do
Japão, ficou gravada a cena de um festival no santuário
xintoísta: ela tocava shamisen enquanto pescava,
no ar, os kingyo, peixes coloridos, e o marido tirava inusitados
objetos de uma sombrinha preta.
Ao
mudar para Guarulhos, comprou e estudou todos os livros sobre
mágica. Graças a um amigo, conheceu João
Peixoto, famoso no ramo e, com o filho deste, Norman Peixoto,
aprendeu várias técnicas. Queria ser como Shokyusai
Ten-ichi, o melhor do Japão.
Adotou
o nome Daimao e, com um filho e duas filhas, mais
um manager, montou seu grupo que, a partir de 1967, se apresentou,
primeiro em Guarulhos, depois no interior paulista, norte e
sul do Paraná. Saía nas férias para não
atrapalhar os estudos dos filhos.
Um
conhecido lhe propôs sociedade para montar o Circo
Mágico Tokyo. A empreitada não vingou. Daimao,
então, passou a criar novos números e a inventar
(e fabricar) os acessórios de mágica. No entanto,
a partir de 1974, desistiu do empreendimento: tinha a televisão
como concorrente e a incerteza quanto ao futuro dos filhos.
Acumulou mais de seis toneladas em equipamentos. Felizmente,
arranjou um interessado que comprou quase tudo.
Morimasa
conta que, entre os nipo-brasileiros, foram poucos mágicos,
profissionais ou amadores. Lembra de Ten-yu (Kazuo Hasebe),
que tirava serpentinas e sombrinhas de um tamborim vazio.
Antes da guerra, quanto ao lazer, havia o cinema mudo, com seus
benshi (narradores) e o naniwabushi (canto bravo), mas os mágicos
foram os preferidos.
Lembra
do sucesso da companhia japonesa Shokyusai Tensho, que fez turnês
por São Paulo e Paraná em 1951. Depois, em 1960,
a mesma companhia não alcançou a mesma bilheteria,
apesar de os jornais escreverem o contrário.
Daimao,
lembra que, em Belo Horizonte, o filho de um prefeito, nos 11
dias de espetáculo, ficou no palco tentando descobrir
o segredo da magia do baú (onde eram espetadas espadas,
mas não machucavam a moça presa dentro dele).
A
sensação maior era quando o mágico aparecia
do meio da fumaça, levitava a moça, que, depois,
era queimada até virar ossos. Mas, num passe de mágica,
voltava ao normal.
Em tempo: o rapaz não conseguiu descobrir o segredo!
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