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Sexta-feria, 30 de julho de 2010
DAIMAO, dedicação à arte da magia
No Brasil, ele desistiu da profissão, preocupado com o futuro das crianças

Daimao (à esq.) e seu assistente,
durante o tradicional número da serra

(Fotos: Museu Histórico da Imigração Japonesa)

atahiko Morimasa chegou no Brasil em 1930, aos 12 anos de idade. Foi para a colônia Santa Lúcia, na estrada de ferro Mogiana. Depois de um ano, mudou-se para Guarulhos. Virou chacareiro, vendia verduras e foi feirante.

Do Japão, ficou gravada a cena de um festival no santuário xintoísta: ela tocava shamisen enquanto “pescava”, no ar, os kingyo, peixes coloridos, e o marido tirava inusitados objetos de uma sombrinha preta.

Ao mudar para Guarulhos, comprou e estudou todos os livros sobre mágica. Graças a um amigo, conheceu João Peixoto, famoso no ramo e, com o filho deste, Norman Peixoto, aprendeu várias técnicas. Queria ser como Shokyusai Ten-ichi, o melhor do Japão.

Adotou o nome “Daimao” e, com um filho e duas filhas, mais um manager, montou seu grupo que, a partir de 1967, se apresentou, primeiro em Guarulhos, depois no interior paulista, norte e sul do Paraná. Saía nas férias para não atrapalhar os estudos dos filhos.

Um conhecido lhe propôs sociedade para montar o “Circo Mágico Tokyo”. A empreitada não vingou. Daimao, então, passou a criar novos números e a inventar (e fabricar) os acessórios de mágica. No entanto, a partir de 1974, desistiu do empreendimento: tinha a televisão como concorrente e a incerteza quanto ao futuro dos filhos. Acumulou mais de seis toneladas em equipamentos. Felizmente, arranjou um interessado que comprou quase tudo.

Morimasa conta que, entre os nipo-brasileiros, foram poucos mágicos, profissionais ou amadores. Lembra de Ten-yu (Kazuo Hasebe), que tirava serpentinas e sombrinhas de um tamborim “vazio”. Antes da guerra, quanto ao lazer, havia o cinema mudo, com seus benshi (narradores) e o naniwabushi (canto bravo), mas os mágicos foram os preferidos.

Lembra do sucesso da companhia japonesa Shokyusai Tensho, que fez turnês por São Paulo e Paraná em 1951. Depois, em 1960, a mesma companhia não alcançou a mesma bilheteria, apesar de os jornais escreverem o contrário.

Daimao, lembra que, em Belo Horizonte, o filho de um prefeito, nos 11 dias de espetáculo, ficou no palco tentando descobrir o segredo da magia do baú (onde eram espetadas espadas, mas não machucavam a moça presa dentro dele).

A sensação maior era quando o mágico aparecia do meio da fumaça, levitava a moça, que, depois, era queimada até virar ossos. Mas, num passe de mágica, voltava ao normal.

Em tempo: o rapaz não conseguiu descobrir o segredo!

 
NOTA DA REDAÇÃO
As fontes para os textos são: depoimento de Matahiko Morimasa publicado em Coronia Gueinoshi, vários autores, livro editado pela Comissão de Publicação do Coronia Guenoshi, 1986, São Paulo.
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