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Sexta-feria, 30 de julho de 2010
Continuação
Ichiro Wakiyama o talento a serviço da música
Desde que chegou ao Brasil, esteve envolvido com música – criou bandas e animou festas.
Para ele, a Segunda Guerra foi marcada por tragédias pessoais e pelo sucesso da canção Koguen no Hana, de sua autoria

Apresentação conjunta dos grupos musicais das seções União 1 e União 2, em setembro de 1941

(Fotos: Museu Histórico da Imigração Japonesa)

Koguen no Hana
(Flor no Planalto)

Usumurasaki no sumire bana
Dare mo shiranai koguen ni
saku sono sugata ware ni nite
mono no aware wo darega shiru
Ah! Koguen no kase no tsumetasa

Quem sabe o rumo da história da música entre os imigrantes tivesse sido outro. Essa é a sensação ao acompanhar a trajetória de Ichiro Wakiyama, falecido em 1950, aos 40 anos.

Na edição anterior, falamos de sua atividade musical ao chegar ao Brasil, especialmente a Bastos, nos anos 30. Tanto a dele, como de toda a comunidade nipo-brasileira, a vida muda radicalmente com a eclosão da Segunda Guerra. Zensuke Namatame, autor do texto sobre Ichiro, escreve que, em 1941, quando o Japão declarou guerra aos Estados Unidos, os imigrantes de várias seções de Bastos promoveram uma festa na Cooperativa Agrícola local, com variadas atrações, incluindo a apresentação da ópera Urashima.

Foi a última grande atividade coletiva. Três meses depois, todos os órgãos da Bratac (Sociedade Colonizadora do Brasil S/A - que administrava Bastos e outras localidades) foram fechados pelas autoridades e parte deles reabriu tendo na direção os interventores indicados pelo governo federal.

A vida de Ichiro também ficou difícil: sua mulher, Hatsuno, devido ao problema pulmonar, foi internada num sanatório em Campos do Jordão e, seu pai, Jinsaku, por ter sido militar no Japão, foi preso por agentes do Departamento da Ordem e Política Social (DOPS).

Com a música sempre presente em sua vida, numa das viagens a Campos do Jordão, Ichiro compôs Koguen no Hana (Flor no Planalto), que se transformou num sucesso entre os imigrantes. Ela canta a melancolia de alguém que, em meio ao vento gelado do planalto, se identifica com a solitária violeta. Mesmo saudoso, ela parece otimista: “se esperar, a primavera florescerá novamente”.

Mas, na vida pessoal, os problemas não tiveram final feliz: Hatsuno insistiu em retornar a São Paulo para continuar o tratamento, mudando-se para o bairro do Bosque da Saúde. Ela faleceu em junho de 1945. Também nesse mesmo mês, seu pai foi assassinado por membros radicais do grupo kachigumi, que acusavam-no de traidor da pátria japonesa.

Na ocasião, eram lançados pela Companhia de Disco Continental os primeiros discos de 78 rotações com músicas japonesas, gravados no Brasil graças à ativa participação de Ichiro. Sobre essa aventura, contaremos na próxima edição.


A associação das moças da seção Central de Bastos, responsáveis pela ópera Urashima, em 7 de setembro de 1941
 
NOTA DA REDAÇÃO
As fontes para os textos são: Texto de Zensuke Namatame, de 1985, publicado no Coronia Gueinoshi. O livro contém artigos de vários autores. Foi editado pela Comissão de Publicação do Coronia Gueinoshi, 1986, São Paulo.
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