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(Fotos:
Museu Histórico da Imigração Japonesa)
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Koguen
no Hana
(Flor no Planalto)
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Usumurasaki
no sumire bana
Dare
mo shiranai koguen ni
saku
sono sugata ware ni nite
mono
no aware wo darega shiru
Ah!
Koguen no kase no tsumetasa
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Quem
sabe o rumo da história da música entre os imigrantes
tivesse sido outro. Essa é a sensação ao
acompanhar a trajetória de Ichiro Wakiyama, falecido
em 1950, aos 40 anos.
Na
edição anterior, falamos de sua atividade musical
ao chegar ao Brasil, especialmente a Bastos, nos anos 30. Tanto
a dele, como de toda a comunidade nipo-brasileira, a vida muda
radicalmente com a eclosão da Segunda Guerra. Zensuke
Namatame, autor do texto sobre Ichiro, escreve que, em 1941,
quando o Japão declarou guerra aos Estados Unidos, os
imigrantes de várias seções de Bastos promoveram
uma festa na Cooperativa Agrícola local, com variadas
atrações, incluindo a apresentação
da ópera Urashima.
Foi
a última grande atividade coletiva. Três meses
depois, todos os órgãos da Bratac (Sociedade Colonizadora
do Brasil S/A - que administrava Bastos e outras localidades)
foram fechados pelas autoridades e parte deles reabriu tendo
na direção os interventores indicados pelo governo
federal.
A
vida de Ichiro também ficou difícil: sua mulher,
Hatsuno, devido ao problema pulmonar, foi internada num sanatório
em Campos do Jordão e, seu pai, Jinsaku, por ter sido
militar no Japão, foi preso por agentes do Departamento
da Ordem e Política Social (DOPS).
Com
a música sempre presente em sua vida, numa das viagens
a Campos do Jordão, Ichiro compôs Koguen no Hana
(Flor no Planalto), que se transformou num sucesso entre os
imigrantes. Ela canta a melancolia de alguém que, em
meio ao vento gelado do planalto, se identifica com a solitária
violeta. Mesmo saudoso, ela parece otimista: se esperar,
a primavera florescerá novamente.
Mas,
na vida pessoal, os problemas não tiveram final feliz:
Hatsuno insistiu em retornar a São Paulo para continuar
o tratamento, mudando-se para o bairro do Bosque da Saúde.
Ela faleceu em junho de 1945. Também nesse mesmo mês,
seu pai foi assassinado por membros radicais do grupo kachigumi,
que acusavam-no de traidor da pátria japonesa.
Na
ocasião, eram lançados pela Companhia de Disco
Continental os primeiros discos de 78 rotações
com músicas japonesas, gravados no Brasil graças
à ativa participação de Ichiro. Sobre essa
aventura, contaremos na próxima edição.
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