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Sexta-feria, 30 de julho de 2010
Os primeiros filmes japoneses no Brasil
Um religioso e outro sobre amor proibido marcam
o início da exibição de filmes japoneses no Brasil, no final dos anos 20

(Fotos: Museu Histórico da Imigração Japonesa)


Par romântico Oito (Sawa Renko) e Fumio (Akira Kuromi), no filme Kagô no Tori, de 1923
 
Onoe Matsunosuke, protagonista do filme Nichiren Shonin

Os anos 20, no rumor das frentes de colonização, nasceram as iniciativas pioneiras de exibição de filmes japoneses. Em Bauru, em outubro de 1929, foi fundada a Nippaku Cinema-sha (Empresa Cinematográfica Nipo-Brasileira), por Masaichi Saito com a colaboração de Sadao Utsumi (representante da Towa Cinema do Japão).

Quem escreveu sobre esses tempos foi Kimiyasu Hirata (proprietário do antigo Cine Nippon) no livro Coronia Gueinoshi, de 1986, no artigo “Antiga Nippaku Cinema-sha exibiu o filme Kago no Tori”. Ele começou a trabalhar com Saito em 1930, nas turnês pelas colônias.

Hirata afirma que o primeiro filme japonês trazido ao Brasil foi em 1927, por dois monges budistas da Nichirenshu, de Kumamoto. Chamava-se Nichiren Shonin (Mestre Nichiren) e tratava sobre a fundação da seita. A estréia foi na colônia Vila Nova (na linha Noroeste). Os monges, conta, não sabiam que eletricidade era coisa rara nas colônias e enfrentaram muitas dificuldades.

A história da Nippaku Cinema-sha começa em 1928, quando Sadao Utsumi retornou ao Japão. Convencido de que o filme Kagô no Tori (Ave engaiolada) também poderia repetir o estrondoso sucesso popular, ele voltou para cá e propôs negócio para Saito.

Havia o problema técnico: a energia para projetar os filmes nas colônias, já que a maioria se localizava no meio da mata. Assim, o caminhão, usado para transportar os pesados equipamentos transformou-se no gerador de energia: com o seu motor em funcionamento, uma correia era passada na roda traseira (que ficava erguida) e essa rotação acionava o gerador. O gerador, conta Hirata, pesava cerca de 200 quilos e produzia 1,2 mil watts.

Depois de algum tempo, Utsumi deixou a sociedade e montou uma foto em Araçatuba e, como presidente da Associação de Jovens local, dedicou-se à educação dos descendentes de japoneses. Após a guerra, ele trabalhou no Banco América do Sul, em São Paulo. Saito e Hirata prosseguiram a empreitada.

A história de uma paixão irresistível (e impossível!)

Filme mudo de 1923, Kago no Tori (Ave engaiolada) conta a história de um amor impossível entre Oito (moça de família de ricos comerciantes) e Fumio. Uma paixão arrebatadora nasce de um encontro casual numa praia de veraneio. Obrigada a casar-se com Yosuke, escolhido pela família, não consegue ficar longe de Fumio (que afoga suas mágoas na bebida). Oito foge de casa e vai até à pensão, mas não encontra o amado. Desesperada, ela se suicida.

Famoso por enfocar o amor impossível num Japão ainda de mentalidade feudal, a música-tema do filme também fez muito sucesso.

 
NOTA DA REDAÇÃO
As fontes para os textos são: Texto de Zensuke Namatame, de 1985, publicado no Coronia Gueinoshi. O livro contém artigos de vários autores. Editado pela Comissão de Publicação do Coronia Gueinoshi, 1986, São Paulo.
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