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(Fotos:
Museu Histórico da Imigração Japonesa)
Par
romântico Oito (Sawa Renko) e Fumio (Akira Kuromi),
no filme Kagô no Tori, de 1923
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Onoe
Matsunosuke, protagonista do filme Nichiren Shonin
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Os
anos 20, no rumor das frentes de colonização,
nasceram as iniciativas pioneiras de exibição
de filmes japoneses. Em Bauru, em outubro de 1929, foi fundada
a Nippaku Cinema-sha (Empresa Cinematográfica Nipo-Brasileira),
por Masaichi Saito com a colaboração de Sadao
Utsumi (representante da Towa Cinema do Japão).
Quem
escreveu sobre esses tempos foi Kimiyasu Hirata (proprietário
do antigo Cine Nippon) no livro Coronia Gueinoshi, de 1986,
no artigo Antiga Nippaku Cinema-sha exibiu o filme Kago
no Tori. Ele começou a trabalhar com Saito em 1930,
nas turnês pelas colônias.
Hirata
afirma que o primeiro filme japonês trazido ao Brasil
foi em 1927, por dois monges budistas da Nichirenshu, de Kumamoto.
Chamava-se Nichiren Shonin (Mestre Nichiren) e tratava sobre
a fundação da seita. A estréia foi na colônia
Vila Nova (na linha Noroeste). Os monges, conta, não
sabiam que eletricidade era coisa rara nas colônias e
enfrentaram muitas dificuldades.
A
história da Nippaku Cinema-sha começa em 1928,
quando Sadao Utsumi retornou ao Japão. Convencido de
que o filme Kagô no Tori (Ave engaiolada) também
poderia repetir o estrondoso sucesso popular, ele voltou para
cá e propôs negócio para Saito.
Havia
o problema técnico: a energia para projetar os filmes
nas colônias, já que a maioria se localizava no
meio da mata. Assim, o caminhão, usado para transportar
os pesados equipamentos transformou-se no gerador de energia:
com o seu motor em funcionamento, uma correia era passada na
roda traseira (que ficava erguida) e essa rotação
acionava o gerador. O gerador, conta Hirata, pesava cerca de
200 quilos e produzia 1,2 mil watts.
Depois
de algum tempo, Utsumi deixou a sociedade e montou uma foto
em Araçatuba e, como presidente da Associação
de Jovens local, dedicou-se à educação
dos descendentes de japoneses. Após a guerra, ele trabalhou
no Banco América do Sul, em São Paulo. Saito e
Hirata prosseguiram a empreitada.
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Filme mudo de 1923, Kago no Tori (Ave engaiolada) conta a história
de um amor impossível entre Oito (moça de família
de ricos comerciantes) e Fumio. Uma paixão arrebatadora
nasce de um encontro casual numa praia de veraneio. Obrigada
a casar-se com Yosuke, escolhido pela família, não
consegue ficar longe de Fumio (que afoga suas mágoas
na bebida). Oito foge de casa e vai até à pensão,
mas não encontra o amado. Desesperada, ela se suicida.
Famoso
por enfocar o amor impossível num Japão ainda
de mentalidade feudal, a música-tema do filme também
fez muito sucesso.
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