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Sexta-feria, 30 de julho de 2010
Nippaku Cinemasha - A pioneira do cinema ambulante
Companhia inaugurou o cinema ambulante pelas colônias
e produziu o primeiro documentário sobre a vida dos imigrantes

(Fotos: Museu Histórico da Imigração Japonesa)


A Nippaku Cinemasha, em 1933, em Marília (linha Paulista) para uma temporada pelas colônias da região. À esquerda, em pé, Kimiyasu Hirata e Matsui (sentado)

Masaichi Saito, fundador da Nippakku Cinemasha (Empresa Cinematográfica Nipo-Brasileira), chegou a Promissão (região da linha férrea noroeste) em 1924 e logo se mudou para a cidade de Bauru como fotógrafo do jornal Seishu Shimpo. Nascido em 1879, no Japão, em 1920, durante quatro anos foi intérprete russo-japonês em Vladivostok (região da Sibéria – Rússia). Retornou a Tóquio para trabalhar como fotógrafo, mas, em 1924, chocado com o grande terremoto ocorrido no ano anterior (que destruiu a região de Kanto), decidiu morar no Brasil.

Saito ficou no jornal até 1929, quando saiu para montar a Nippaku Shintakusha (Empresa de Corretagem Nipo-Brasileira), que durou pouco. No mesmo ano, fundou a Nippaku Cinemasha que, juntamente com o fotógrafo Sadao Utsumi, produziu o filme Noroeste-sen Isshu (Uma volta pela Linha Noroeste), de 40 minutos, retratando a vida cotidiana dos imigrantes japoneses dessa região. Antes de iniciar a empreitada, graças à propaganda nas páginas do jornal Seishu Shimpo, a Nippaku conseguiu juntar contribuições suficientes dos imigrantes em boa situação financeira para rodar quatro rolos de filmes.

Saito estava feliz. Conseguira realizar dois acalentados sonhos: exibir filmes japoneses e produzir filmes sobre os imigrantes (só não foi possível ganhar dinheiro com eles, como também sonhava).

Estréia

A estréia do filme Noroeste-sen Isshu, em dezembro de 1929, no Nihon Ryokan, em Bauru, foi sucesso absoluto, conforme escreve Kimiyasu Hirata, no livro Coronia Gueinoshi. Na ocasião, também foi exibido o filme Kago no Tori (Ave Engaiolada), grande sucesso no Japão (mais detalhes foram tratados na edição 375).

Com a equipe formada por Saito, Utsumi (que era o assistente) e os narradores (benshi) Kimiyasu Hirata (que depois, em 1935, fundou o Nippon Eiga Kogyo) e Araki (já que os filmes eram mudos), a Nippaku Cinemasha iniciou as temporadas mambembes, tanto na cidade de Bauru, como nos locais de concentração de imigrantes japoneses.

Outros filmes passaram a ser importados. A lista não era extensa, mas os títulos eram variados. Entre outros, havia Yuki no Towadako (Neve no lago Towada), a comédia Koshinuke Teishu (Marido Descadeirado), Gotai Irei Seigui Tokyo Daishuppatsu (Entronização do Imperador Showa – A Partida de Tóquio), o drama Chichi no Ai (Amor de Pai). Havia ainda Fukô no Teito Tokyo (A Reconstrução de Tóquio após o Grande Terremoto) e Osaka Ashibe Odori (A Dança Ashibe de Osaka). “As opções eram poucas, e a saída eram as reprises contínuas dos filmes, mas ninguém reclamava”, garantiu Hirata (Continuamos com a história da Nippaku Cinemasha na próxima semana).

 
NOTA DA REDAÇÃO
As fontes para os textos são: Texto de Zensuke Namatame, de 1985, publicado no Coronia Gueinoshi. O livro contém artigos de vários autores. Editado pela Comissão de Publicação do Coronia Gueinoshi, 1986, São Paulo.
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