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(Fotos:
Museu Histórico da Imigração Japonesa)
A
Nippaku Cinemasha, em 1933, em Marília (linha Paulista)
para uma temporada pelas colônias da região.
À esquerda, em pé, Kimiyasu Hirata e Matsui
(sentado)
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Masaichi
Saito, fundador da Nippakku Cinemasha (Empresa Cinematográfica
Nipo-Brasileira), chegou a Promissão (região da
linha férrea noroeste) em 1924 e logo se mudou para a
cidade de Bauru como fotógrafo do jornal Seishu Shimpo.
Nascido em 1879, no Japão, em 1920, durante quatro anos
foi intérprete russo-japonês em Vladivostok (região
da Sibéria Rússia). Retornou a Tóquio
para trabalhar como fotógrafo, mas, em 1924, chocado
com o grande terremoto ocorrido no ano anterior (que destruiu
a região de Kanto), decidiu morar no Brasil.
Saito
ficou no jornal até 1929, quando saiu para montar a Nippaku
Shintakusha (Empresa de Corretagem Nipo-Brasileira), que durou
pouco. No mesmo ano, fundou a Nippaku Cinemasha que, juntamente
com o fotógrafo Sadao Utsumi, produziu o filme Noroeste-sen
Isshu (Uma volta pela Linha Noroeste), de 40 minutos, retratando
a vida cotidiana dos imigrantes japoneses dessa região.
Antes de iniciar a empreitada, graças à propaganda
nas páginas do jornal Seishu Shimpo, a Nippaku conseguiu
juntar contribuições suficientes dos imigrantes
em boa situação financeira para rodar quatro rolos
de filmes.
Saito
estava feliz. Conseguira realizar dois acalentados sonhos: exibir
filmes japoneses e produzir filmes sobre os imigrantes (só
não foi possível ganhar dinheiro com eles, como
também sonhava).
Estréia
A estréia do filme Noroeste-sen Isshu, em dezembro de
1929, no Nihon Ryokan, em Bauru, foi sucesso absoluto, conforme
escreve Kimiyasu Hirata, no livro Coronia Gueinoshi. Na ocasião,
também foi exibido o filme Kago no Tori (Ave Engaiolada),
grande sucesso no Japão (mais detalhes foram tratados
na edição 375).
Com
a equipe formada por Saito, Utsumi (que era o assistente) e
os narradores (benshi) Kimiyasu Hirata (que depois, em 1935,
fundou o Nippon Eiga Kogyo) e Araki (já que os filmes
eram mudos), a Nippaku Cinemasha iniciou as temporadas mambembes,
tanto na cidade de Bauru, como nos locais de concentração
de imigrantes japoneses.
Outros
filmes passaram a ser importados. A lista não era extensa,
mas os títulos eram variados. Entre outros, havia Yuki
no Towadako (Neve no lago Towada), a comédia Koshinuke
Teishu (Marido Descadeirado), Gotai Irei Seigui Tokyo Daishuppatsu
(Entronização do Imperador Showa A Partida
de Tóquio), o drama Chichi no Ai (Amor de Pai). Havia
ainda Fukô no Teito Tokyo (A Reconstrução
de Tóquio após o Grande Terremoto) e Osaka Ashibe
Odori (A Dança Ashibe de Osaka). As opções
eram poucas, e a saída eram as reprises contínuas
dos filmes, mas ninguém reclamava, garantiu Hirata
(Continuamos
com a história da Nippaku Cinemasha na próxima
semana).
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