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(Fotos:
Museu Histórico da Imigração Japonesa)

Yume
miru koro (Tempo de sonhar), primeiro filme trazido pelo Nippak
Cinemasha
Kimiyasu
Hirata foi um dos integrantes da Nippak Cinemasha (Empresa Cinematográfica
Nipo-Brasileira) fundada por Masaichi Saito, em 1929, na cidade
de Bauru. Quando a luz se projetava na tela, principalmente
as crianças gritavam de alegria. Para nós, era
a maior felicidade, relembra, num texto que escreveu para
o livro Coronia Gueinoshi.
Era
o momento de magia capaz de fazer esquecer o esforço
para transportar quase uma tonelada de equipamentos cinematográficos
e geradores de energia pelas estradas de terra esburacadas,
empoeiradas (ou enlameadas!). Havia também sacrifício
do público: tinha gente que andava mais de 10 quilômetros
para assistir ao filme. Admite: Não dava para cobrar
caro o ingresso. Na verdade, ficávamos satisfeitos só
de sentir a felicidade das pessoas.
A
estréia do Nippak Cinemasha em São Paulo foi em
1933, mas, no ano anterior, no auditório da Escola Taisho
Shogakko (onde está o prédio da Sociedade Brasileira
de Cultura Japonesa, na Liberdade) foi organizada A Noite
do Cinema Japonês. Foram dois filmes: Rojo no Rakuen
(Paraíso da rua) e Nekketsu no Akushu (Caloroso aperto
de mãos).
Eram
filmes já usados, comprados do Japão, e depois
de cada exibição o nosso maior trabalho era emendar
os cortes, afirma.
Além
do bairro da Liberdade, as turnês incluíam exibições
em Pinheiros, Cooperativa Agrícola de Cotia, Cooperativa
de Mogi das Cruzes, Cocuera; ainda nas escolas japonesas de
Cotia, Jaguaré e Vargem Grande, ou então nas chácaras
alugadas (de proprietários não-nikkeis) nos bairros
Morumbi e Broklin.
Após
a Guerra, a Toho, Shochiku, Nikkatsu e Toei abriram distribuidoras
no país e os filmes eram exibidos em São Paulo
e depois seguiam para o interior. Mas, nos anos 30 e 40, compravam-se
filmes usados que, depois da temporada nas regiões da
Noroeste, Mogiana e Paulista chegavam na cidade de São
Paulo.
Entre
os filmes trazidos pela Nippak Cinemasha, alguns têm títulos
interessantes: Bakudan San-yushi (Três heróis da
bomba), Hitobashira Yon-yushi (Quatro heróis bodes expiatórios),
Manchu Koshinkyoku (Marcha da Manchúria), Jokyu (A garçonete)
e Café no Onna (A garçonete da cafeteria).
No
entanto, a trajetória do cinema foi interrompida em 1941,
com a Segunda Guerra. Hirata lembra que o último filme
foi Gokoku no haha (Mãe que protege o país), que
se passa durante a guerra russo-japonesa (19041905), exaltando
o espírito patriótico. Foi um sucesso de
bilheteria, muita gente ficou de fora, descreve.
Hirata
afirma que, com a guerra, não só foram proibidas
as exibições, como também todos os filmes
e os equipamentos foram confiscados pelo governo. Isso
foi muito lamentável para todos nós.
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