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Sexta-feria, 30 de julho de 2010
“Vida de artista” o cinema japonês no Brasil
Após a 2ª Guerra, sucesso do filme Ruten estimulou atividades de
empresários e produtoras do cinema japonês no Brasil

(Fotos: Museu Histórico da Imigração Japonesa)


Estréia do filme Ruten, realizada no Teatro São Francisco


Cena do filme Ruten, com vários atores de Kabuki

Conforme escreve Kimiyasu Hirata ao relembrar a estréia de Ruten (Vida de Artista), no Teatro São Francisco, no centro de São Paulo, em 1947: “As filas chegavam quase a um quilômetro”. Um sucesso de poderosa influência para a evolução dos negócios de filmes japoneses logo após o final da Segunda Guerra.

Conta que foi ele, então proprietário da empresa Nippon Kinema Kogyosha que, em abril de 1946, tomou a iniciativa de importar o filme Ruten, de 1937, dirigido por Futagawa Buntaro, reconhecido cineasta pelo estilo jidaigeki (filmes da época dos samurais), tendo no elenco vários artistas de Kabuki. Não foi tarefa fácil: levou quatro meses para conseguir autorização federal e do Dops (Departamento de Ordem Política e Social). Mesmo assim, o filme acabou sendo confiscado pelas autoridades policiais em meio à série de atentados decorrentes do conflito entre os kachigumi e makegumi.

Para fazer frente a esse problema, em setembro de 1946, Hirata associou-se a Masaichi Saito (proprietário da Nippaku Cinemasha) e, juntos, montaram a Nippaku Kogyo Kaisha cujas atividades começaram com a exibição bem-sucedida de Ruten.

A sociedade de Hirata e Saito durou até 1952, e separaram-se devido às diferenças na condução dos negócios. Hirata alega que, naquela época, a maioria dos filmes era recomprada da Nichibei Cinemasha, de Los Angeles (EUA) e, portanto, eram “velhos e desgastados” e não davam para concorrer com os novos, importados diretamente do Japão.

Portanto, ao montar a sua empresa, Nippon Cinemasha, centrou esforços na importação direta junto a diversas produtoras. Assim, da Daiei, entre outros, trouxe um filme estrelado pela cantora Misora Hibari, ou ainda Kumo Nagareru Ateni (sobre os kamikaze). Da Shochiku comprou Carmen Junjyosu (A redenção de Carmen), ou ainda Nami (Onda), premiado no Festival de Cannes. Trouxe ainda a série Haha mono, filmes chorosos de mães e filhos, Hi no tori, com Kyo Machiko (a eterna musa), Asakusa Kureinai Dan (sobre os yakuza) e Shohai (sobre lutas de judô).

Hirata relembra do sucesso de Muhomatsu no Issho (O homem do riquixá), de 1943, e o Meiji Tenno to Nichiro Sensô (sobre a guerra russo-japonesa de 1904/05, vencida pelos japoneses).

Mas nenhum superou o filme Onna Shinju Oh no Fukusho (Conflito da Carne), em que a atriz Maeda Michiko aparece nua. Exibido no Cine Jussara (na Rua D. José Gaspar) e no Cine Áurea (na Rua Aurora), ficou em cartaz três semanas, com sete sessões diárias. Hirata diz que chegou a vender dez cópias do filme para vários cinemas. O segredo, conta, foi a legenda em português (e, é claro, também, a inusitada cena de nudez!).

“O sucesso chegou até os ouvidos das empresas cinematográficas do Japão”, continua Hirata e, por conta disso, no fim dos anos 50 e início dos 60, várias produtoras decidiram montar seus próprios negócios no Brasil.

 
NOTA DA REDAÇÃO
As fontes para os textos são: Texto de Kimiyasu Hirata, publicado no livro Coronia Gueinoshi, vários autores, editado pela Comissão de Publicação do Coronia Guenoshi, 1986, São Paulo.
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