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(Fotos:
Museu Histórico da Imigração Japonesa)

Estréia do filme Ruten, realizada no Teatro São Francisco

Cena do filme Ruten, com vários atores de Kabuki |
Conforme
escreve Kimiyasu Hirata ao relembrar a estréia de Ruten
(Vida de Artista), no Teatro São Francisco, no centro
de São Paulo, em 1947: As filas chegavam quase
a um quilômetro. Um sucesso de poderosa influência
para a evolução dos negócios de filmes
japoneses logo após o final da Segunda Guerra.
Conta
que foi ele, então proprietário da empresa Nippon
Kinema Kogyosha que, em abril de 1946, tomou a iniciativa de
importar o filme Ruten, de 1937, dirigido por Futagawa Buntaro,
reconhecido cineasta pelo estilo jidaigeki (filmes da época
dos samurais), tendo no elenco vários artistas de Kabuki.
Não foi tarefa fácil: levou quatro meses para
conseguir autorização federal e do Dops (Departamento
de Ordem Política e Social). Mesmo assim, o filme acabou
sendo confiscado pelas autoridades policiais em meio à
série de atentados decorrentes do conflito entre os kachigumi
e makegumi.
Para
fazer frente a esse problema, em setembro de 1946, Hirata associou-se
a Masaichi Saito (proprietário da Nippaku Cinemasha)
e, juntos, montaram a Nippaku Kogyo Kaisha cujas atividades
começaram com a exibição bem-sucedida de
Ruten.
A
sociedade de Hirata e Saito durou até 1952, e separaram-se
devido às diferenças na condução
dos negócios. Hirata alega que, naquela época,
a maioria dos filmes era recomprada da Nichibei Cinemasha, de
Los Angeles (EUA) e, portanto, eram velhos e desgastados
e não davam para concorrer com os novos, importados diretamente
do Japão.
Portanto,
ao montar a sua empresa, Nippon Cinemasha, centrou esforços
na importação direta junto a diversas produtoras.
Assim, da Daiei, entre outros, trouxe um filme estrelado pela
cantora Misora Hibari, ou ainda Kumo Nagareru Ateni (sobre os
kamikaze). Da Shochiku comprou Carmen Junjyosu (A redenção
de Carmen), ou ainda Nami (Onda), premiado no Festival de Cannes.
Trouxe ainda a série Haha mono, filmes chorosos de mães
e filhos, Hi no tori, com Kyo Machiko (a eterna musa), Asakusa
Kureinai Dan (sobre os yakuza) e Shohai (sobre lutas de judô).
Hirata
relembra do sucesso de Muhomatsu no Issho (O homem do riquixá),
de 1943, e o Meiji Tenno to Nichiro Sensô (sobre a guerra
russo-japonesa de 1904/05, vencida pelos japoneses).
Mas
nenhum superou o filme Onna Shinju Oh no Fukusho (Conflito da
Carne), em que a atriz Maeda Michiko aparece nua. Exibido no
Cine Jussara (na Rua D. José Gaspar) e no Cine Áurea
(na Rua Aurora), ficou em cartaz três semanas, com sete
sessões diárias. Hirata diz que chegou a vender
dez cópias do filme para vários cinemas. O segredo,
conta, foi a legenda em português (e, é claro,
também, a inusitada cena de nudez!).
O
sucesso chegou até os ouvidos das empresas cinematográficas
do Japão, continua Hirata e, por conta disso, no
fim dos anos 50 e início dos 60, várias produtoras
decidiram montar seus próprios negócios no Brasil.
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