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(Fotos:
Museu Histórico da Imigração Japonesa)

O cantor/ator Kayama Yozo no Othon Palace Hotel, em 1968;
1º
Festival da Toho, em 1961, Takarada Akira (dir.) e
Kusabue Mitsuko (de quimono), com atores brasileiros
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No
cenário cultural da década de 50, uma das novidades
na cidade de São Paulo, foi a instalação
das grandes distribuidoras de filmes japoneses. Elas se aliaram
aos antigos profissionais nipo-brasileiros do setor.
A
Toho na concorrência e os novos ventos. Este é
o título do texto de Masao Oshida, em 1984, sobre a instalação
da distribuidora da Companhia Cinematográfica Toho. Conta
que, em abril de 1958, foi aberto o escritório em São
Paulo Toho Filmes América do Sul Ltda (Nambei
Toho) tendo como representantes Nagatoshi Yamazaki, Oshida
Masao e mais seis diretores.
De
olho na demanda do mercado brasileiro, ressalta, esse plano
existia desde 1954, mas os diretores japoneses vieram a São
Paulo só no início de 1957, quando conheceram
o auditório da Nambei Guekiyo, na Rua São Joaquim
(próximo da Avenida Liberdade, onde hoje funciona uma
igreja evangélica). Assim, a partir de 1958, a Toho passou
a controlar a programação desse local, agora batizado
como Cine Tokyo.
De
acordo com informações de Isomitsu Okinaka, ex-representante
do jornal Selon, esse acordo foi até agosto de 1959,
quando a Toho fez contrato com o Cine Jóia (na Praça
Carlos Gomes, onde, hoje, funciona uma igreja evangélica).
Primeiro
filme, primeiro festival
O
primeiro filme trazido pela Nambei Toho foi Daigaku no samurai
tachi, de 1957, dirigido por Nobuo Aoyagi, uma comédia
sobre jovens universitários. Na estréia, estiveram
vários artistas, como Kochi Momoko, Kitagawa Machiko
e o galã Takarada Akira. Foi o primeiro filme em cinemascope
(imagens em grande dimensão) exibido no Brasil, conforme
Oshida, que destaca as filas intermináveis atestando
o sucesso do empreendimento.
Outro
momento marcante da Toho ocorreu em abril de 1959, com o lançamento
do filme O homem de riquixá (Muhomatsu no issho), de
Hiroshi Inagaki, com Toshiro Mifune, no Cine Marrocos (na Rua
Crispiniano). O evento foi patrocinado pelo Consulado Geral
do Japão e teve a presença de vários críticos
de cinema que contribuíram, de acordo com Oshida, para
popularizar e difundir a qualidade dos filmes japoneses. A obra
conquistara, em 1958, o Grand Prix no Festival de Veneza.
Em
janeiro de 1961, foi realizado o 1º Festival de Cinema
da Toho, em cinco salas do circuito da Cinelândia (eixo
da Avenida São João), com a presença dos
artistas Takarada Akira e Kusabue Mitsuko. Na ocasião,
também foi exibido o filme Tsuma (A esposa), de Naruse
Mikiyo. Em janeiro de 1963, aconteceu o 2º Festival, de
uma semana, no Cine Jóia, com a participação
das estrelas Keiji Assami e Fujii Teruko.
Em
abril de 1968, para comemorar o 10º aniversário,
além do presidente Matsuoka da Toho, do diretor Yonemoto,
estiveram o cantor/ator Kayama Yuzo e os atores Tanaka Kunie
e Nakao Mie. Kayama Yozo, além da apresentação
do Golden Show, no Cine Jóia, cantou em Londrina
(PR) e Mogi da Cruzes, seguindo depois ao Rio de Janeiro para
as gravações do filme Rio no wakadaisho (Jovens
do Rio).
Oshida
informa que, até o final de 1978, quando a Nambei Toho
encerrou suas atividades no Brasil, foram importados 722 filmes,
sem contar os curta-metragens com noticiários.
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