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Sexta-feria, 30 de julho de 2010
Cinema Japonês: chegam as grandes distribuidoras
Elas chegam na década de 50 e se instalam na cidade de São Paulo

(Fotos: Museu Histórico da Imigração Japonesa)


O cantor/ator Kayama Yozo no Othon Palace Hotel, em 1968;


1º Festival da Toho, em 1961, Takarada Akira (dir.) e
Kusabue Mitsuko (de quimono), com atores brasileiros

No cenário cultural da década de 50, uma das novidades na cidade de São Paulo, foi a instalação das grandes distribuidoras de filmes japoneses. Elas se aliaram aos antigos profissionais nipo-brasileiros do setor.

“A Toho na concorrência e os novos ventos”. Este é o título do texto de Masao Oshida, em 1984, sobre a instalação da distribuidora da Companhia Cinematográfica Toho. Conta que, em abril de 1958, foi aberto o escritório em São Paulo – Toho Filmes América do Sul Ltda (Nambei Toho) – tendo como representantes Nagatoshi Yamazaki, Oshida Masao e mais seis diretores.

De olho na demanda do mercado brasileiro, ressalta, esse plano existia desde 1954, mas os diretores japoneses vieram a São Paulo só no início de 1957, quando conheceram o auditório da Nambei Guekiyo, na Rua São Joaquim (próximo da Avenida Liberdade, onde hoje funciona uma igreja evangélica). Assim, a partir de 1958, a Toho passou a controlar a programação desse local, agora batizado como Cine Tokyo.

De acordo com informações de Isomitsu Okinaka, ex-representante do jornal Selon, esse acordo foi até agosto de 1959, quando a Toho fez contrato com o Cine Jóia (na Praça Carlos Gomes, onde, hoje, funciona uma igreja evangélica).

Primeiro filme, primeiro festival
O primeiro filme trazido pela Nambei Toho foi Daigaku no samurai tachi, de 1957, dirigido por Nobuo Aoyagi, uma comédia sobre jovens universitários. Na estréia, estiveram vários artistas, como Kochi Momoko, Kitagawa Machiko e o galã Takarada Akira. Foi o primeiro filme em cinemascope (imagens em grande dimensão) exibido no Brasil, conforme Oshida, que destaca as filas intermináveis atestando o sucesso do empreendimento.

Outro momento marcante da Toho ocorreu em abril de 1959, com o lançamento do filme O homem de riquixá (Muhomatsu no issho), de Hiroshi Inagaki, com Toshiro Mifune, no Cine Marrocos (na Rua Crispiniano). O evento foi patrocinado pelo Consulado Geral do Japão e teve a presença de vários críticos de cinema que contribuíram, de acordo com Oshida, para popularizar e difundir a qualidade dos filmes japoneses. A obra conquistara, em 1958, o Grand Prix no Festival de Veneza.

Em janeiro de 1961, foi realizado o 1º Festival de Cinema da Toho, em cinco salas do circuito da Cinelândia (eixo da Avenida São João), com a presença dos artistas Takarada Akira e Kusabue Mitsuko. Na ocasião, também foi exibido o filme Tsuma (A esposa), de Naruse Mikiyo. Em janeiro de 1963, aconteceu o 2º Festival, de uma semana, no Cine Jóia, com a participação das estrelas Keiji Assami e Fujii Teruko.

Em abril de 1968, para comemorar o 10º aniversário, além do presidente Matsuoka da Toho, do diretor Yonemoto, estiveram o cantor/ator Kayama Yuzo e os atores Tanaka Kunie e Nakao Mie. Kayama Yozo, além da apresentação do “Golden Show”, no Cine Jóia, cantou em Londrina (PR) e Mogi da Cruzes, seguindo depois ao Rio de Janeiro para as gravações do filme Rio no wakadaisho (Jovens do Rio).

Oshida informa que, até o final de 1978, quando a Nambei Toho encerrou suas atividades no Brasil, foram importados 722 filmes, sem contar os curta-metragens com noticiários.

 
NOTA DA REDAÇÃO
As fontes para os textos são: Texto de Oshida Masao, publicado no livro Coronia Gueinoshi, vários autores, editado pela Comissão de Publicação do Coronia Guenoshi, 1986, São Paulo.
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