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(Fotos:
Museu Histórico da Imigração Japonesa)

Cine Niterói nos tempos da Galvão Bueno
Nos
primeiros anos da década de 50, a Rua Galvão Bueno
era meio escura, com árvores em ambas as calçadas
e comércio incipiente, com alguns bares e mercearias.
Essa é a lembrança de Fujio Yahagui, ex-superintendente
do Cine Niterói, no livro Coronia Gueinoshi, ao contar
o surgimento do edifício de cinco andares, de cor branca,
no último quarteirão antes da Praça da
Liberdade, onde funcionava a gráfica do Diário
Oficial. Ali, no térreo, em 1953, foi inaugurado do Cine
Niterói.
Foi
uma construção que mudou o cenário da região
e transformou-se na referência para a constituição
de um bairro típico japonês. Além do cine,
havia hotel, restaurante e auditório. Tanto que era chamado
de Castelo Niterói, conta Yahagui, ressaltando
que Yoshikazu Tanaka, o seu proprietário, trabalhou dia
e noite para concretizar esse empreendimento. Ele acompanhou,
pessoalmente, as instalações das 1,5 mil poltronas,
do carpete vermelho, do projetor, da tela, das caixas acústicas
e da iluminação, atesta.

1
- Fila de espera para assistir a uma sessão no Niterói;
2 - Ator Ishihara Yujiro, famoso pelos papéis de pistoleiro
Estréia
Fato
é que, no início dos anos 50, a concorrência
era acirrada: o auditório Nambei Guekijo
já se transformara no Cine Tokyo e Tanaka tinha pressa.
Finalmente, em 23 de julho de 1953, foi inaugurado com a exibição
do filme Guenji Monogatari (Amores de Guenji), da Daiei, de
1951, dirigido por Kosaburo Yoshimura, prêmio de Melhor
Fotografia no Festival de Cannes de 1952.
Em
pouco tempo, assistir ao filme no Niterói virou programa
preferido dos nipo-brasileiros. Se por um lado as filas de público
atestavam o sucesso do empreendimento, por outro, não
eram poucas as dificuldades. No tempo da inauguração,
tínhamos somente quatro filmes e Tanaka teve de viajar
ao Japão para comprar novos filmes em várias companhias.
Não era fácil acertar o gosto do público,
no entanto, essa era a sensação do nosso negócio,
revela Yahagui. Em 1961, o Niterói fechou exclusividade
de distribuição com a Daiei.
Trajetória

A atriz Takara Tomoko, com Tanaka e Masao Oshida
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De
acordo com Yahagui, Yoshikazu Tanaka chegou ao Brasil em 1926,
aos 21 anos, e foi para a região da Mogiana e, depois,
para o norte do Paraná. Bom negociante, em 1938, deixou
a lavoura para se dedicar ao comércio de produtos agrícolas.
O período da Segunda Guerra foi próspero para
Tanaka em 1943, ele mudou a matriz de seus negócios
para São Paulo e abriu filial no Paraná (Uraí).
Com os lucros com a venda de feijão, conseguiu capital
para abrir o Cine Niterói, aos 48 anos.
Keijiro
Jojima, em texto comemorativo aos 30 anos de fundação
do Cine Niterói, em 1983, destaca a inteligência
e o bom humor de Tanaka (falecido em 1980), e confessa: Na
entrada, era costume encontrar reproduções de
diferentes artistas em tamanho natural. Por exemplo, de Ishihara
Yujiro pistoleiro ou de Tsuruta Koji yakuza, afirma. E
lamenta: O próprio Niterói, que muito contribuiu
na urbanização da Liberdade, acabou se tornando
vítima dela (em 1968, com a construção
da via expressa Leste-Oeste, o cinema foi demolido e passou
para a Avenida Liberdade).
Na
Avenida Liberdade (esquina com a Rua Barão Iguape), na
década de 70, o Niterói ainda teve de amargar,
em sua porta, as obras de construção do Metrô.
Depois, seguiram-se outros problemas (crise da indústria
cinematográfica japonesa, concorrência da televisão
e do vídeo cassete, etc.) que levaram ao seu fechamento
em 1988.
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