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Sexta-feria, 30 de julho de 2010
Do outro lado do mundo, a tradição musical japonesa
Min’you - Estilo musical cultivado pelos imigrantes japoneses ,
que a partir da década de 50, nasceram as associações de aficionados.

(Fotos: Museu Histórico da Imigração Japonesa)


Uma das primeiras apresentações de grupos de min’you, por volta de 1942 – equipe de Marília

Nascido da tradição oral ou de autores anônimos, o min’you canta as particularidades regionais, mas sua abrangência é mais ampla. No Brasil, essas músicas foram cultivadas pelos imigrantes japoneses e, a partir da década de 50, nasceram as associações de aficionados.

No Brasil, local onde imigrantes japoneses de diferentes províncias passaram a conviver, as músicas folclóricas foram transmitidas às gerações sem a preocupação com a identificação regional. Para os nascidos no Brasil, representavam simplesmente “as melodias antigas do Japão”.

“Tsuki ga deta deta / Tsuki ga deta deta aa yoiyoi/ Niike tanko no ue ni deta” são as primeiras estrofes de uma das músicas mais tocadas em festivais nipo-brasileiros de bon odori. Fala da lua que sai brilhante, por cima da mina de carvão, cuja dança estiliza os gestos desses trabalhadores. Originária da província de Fukuoka, no Brasil, o “tanko bushi” distanciou-se dessa regionalização, transformado simplesmente “em japonês”.

Conceito


1º Festival de Folclore Japonês, em 1956

O termo min’you tem sido aportuguesado como “música folclórica japonesa”, mas há aqueles que preferem preservar o nome original. Isso porque, além de incluir as melodias da tradição oral ou de autores anônimos cantadas pelo povo, também inclui músicas clássicas, teatrais, populares urbanas, de festivais, de rituais religiosos, entre outras.

O min’you pode ser classificado em diferentes formas, a mais simples divide-o em melodias de caráter religioso e de trabalho e divertimento. O primeiro grupo, refere-se às canções ligadas aos rituais xintoístas relacionados aos festivais para pedir (ou agradecer), aos deuses, pela prosperidade, boa colheita, boa saúde, etc.

Sobre os trabalhadores, as músicas referem-se às atividades em diferentes locais, como as plantações de arroz, trabalhos na floresta, na montanha, na carvoaria, entre outros. À medida que o país evolui da agricultura para a zona urbana, aparecem outras atividades: carpinteiro, fabricante de saquê, pescador, construtor de telhados, criador de gado, construtor de barcos. Há também as comemorações, como casamento, nascimento, ano-novo, finados, etc.

Portanto, o mundo do min’you é bastante extenso e variado, incluindo músicas somente instrumentais, ou usadas para acompanhar as danças, os festivais ou os rituais.

Min’you no Brasil

No Brasil, desde os primeiros anos, o min’you foi praticado de maneira informal e, somente a partir de 1952, foi organizado o primeiro grupo. Trata-se do “Nihon Min’you Kenkyukai” (Associação de Estudos do Min’you) fundado por nove pessoas: Midori Kobayashi, Takashi Sakurai, Tadami Tiba, Sohou Ikari, Kei Kikushi, Shigueo Sasaki, Yoshimiti Iwamoto, Tsutomu Fujiyama e ele, Matsuzo Matsuzaka, autor do texto sobre a trajetória do min’you no Brasil. Na realidade, funcionava informalmente, sem sede (os ensaios eram feitos nas casas dos associados) e, formalmente, só havia o cargo de tesoureiro.

Matsuzaka lembra que promoveram o primeiro concurso em 1953, no Teatro Colombo, na Praça Roosevelt, em São Paulo, com a colaboração da Associação de Rokyoku. O ineditismo e a falta de opções de divertimentos dos nipo-brasileiros ajudaram no sucesso do evento.

Outro evento memorável, conta, aconteceu em 1956, quando Yoshikazu Tanaka, do Cine Niterói, promoveu uma semana de shows, filmes, danças, músicas, etc., para comemorar o 3º aniversário da empresa. Todos os integrantes da entidade se apresentaram e foi um evento muito divertido, conforme descreve.

No entanto, a partir desse ano, por causa de algumas diferenças de opinião, o grupo dividiu-se e nasceu o “Nippon Min’you Hozonkai” (Associação de Preservação do Min’you). É um assunto que fica para a próxima edição de História da Imigração.

 
NOTA DA REDAÇÃO
As fontes para os textos são: Texto de Matsuzaka Matsuzo, de 1984, e fotos publicadas no livro Coronia Gueinoshi, vários autores, editado pela Comissão de Publicação do Coronia Gueinoshi, 1986, São Paulo.
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