|
(Fotos:
Museu Histórico da Imigração Japonesa)

Concurso Brasileiro de Minyou, no 58º aniversário
da imigração japonesa
Tanto
na música folclórica japonesa, como em alguns
setores culturais, observa-se a constituição de
diferentes entidades. Quem não está nesse meio
sente dificuldade para estabelecer pronta distinção
entre elas. O importante é que todas estão focadas
na preservação e na divulgação desse
legado cultural.
Não
é fácil acompanhar a organização
e/ou surgimento de inúmeros grupos dedicados às
diferentes modalidades culturais japonesas. Isso cria confusão
para aqueles pouco familiarizados com o setor. Essa divisão,
muitas vezes, é gerada por desavenças pessoais
internas; outras, por diferentes orientações na
condução da entidade.
Isso
não acontece só com o minyou. Ou as entidades
são demasiadamente amplas para atender às necessidades
dos associados e mestres, ou, pelo contrário, muito pequenas
para abrigar as diferenças (e, porque não, o ego
dos líderes!).
Deixando
essa questão de lado, acompanhando a trajetória
da música folclórica japonesa traçada em
1984, por Matsuzo Matsuzaki (então presidente do Brasil
Minyou Dokokai) e Shigeo Sasaki (orientador do Hakkoku
Nihon Minyou Kyokai), pode-se encontrar associações
com as seguintes denominações: hozonkai (associação
para preservação), kenkyukai (associação
para pesquisa), tomo-no-kai (associação de amigos),
dokokai (associação de aficionados) e a entidade
propriamente dita, no caso, minyou kai (associação
de música folclórica).
Portanto,
principalmente aos não versados em japonês, as
denominações das entidades podem parecer iguais.
Todo cuidado é pouco, mesmo sem querer pode-se ferir
suscetibilidades de mestres ou associados!
Voltando
à trajetória do minyou, os concursos, festivais
e a vinda de mestres do Japão (ou a ida dos nossos ao
Japão) foram estímulos constantes para músicos
e cantores e atrativos ao público.
Organização
cultural
Luiz
Gonzaga, atração do 1º Shiroto Nodojiman
Taikai em 1953
|
A
constituição da primeira entidade reunindo aficionados
deu-se a partir dos anos 50 e, depois disso, até início
dos anos 80, o minyo desenvolveu intensa programação,
com feitos memoráveis.
Shigeo
Sasaki, destaca como fato marcante da estruturação
da música folclórica no Brasil, a promoção,
em janeiro de 1953, do 1º Shiroto Nodojiman Taikai (Concurso
de Cantores Amadores), no Cine Teatro Odeon, patrocinado pela
Casa Mizumoto. De acordo com ele, a inclusão da música
folclórica nesse concurso e a presença do júri
especializado contribuiu para elevação do nível
do minyo no Brasil.
Restou
em sua memória, a figura do professor Midori Kobayashi,
administrador da escola Seishu Gijuku, a primeira escola particular
voltada para descendentes de japoneses. Num dos quartos dos
fundos da antiga e tranqüila Rua Galvão Bueno da
capital paulista, escreve Sasaki, podia-se ouvir a triste melodia
de oiwake (canção de despedida, de separação)
tocada com shakuhachi (tipo de flauta japonesa feita de bambu).
Terceiro grau de kendo, Kobayashi também era músico
exímio. Nas nossas reuniões, ele tocava
oiwake, de olhos fechados, como se fosse um monge, e não
comentava nada, escreve Sasaki, lembrando que, tempos
depois, ele, Kobayashi e Tadao Chiba chegaram a gravar um disco.
Juntos,
conta Sasaki, fundaram a associação Nihon Minyou
Kenkyukai e, para comemorar o quinto ano da entidade, organizaram
o 1º Concurso Brasileiro de Minyou, mas: Por
alguma razão, não conseguimos continuar com esses
eventos nos anos seguintes, lembra, com saudade dos companheiros
de shakuhachi dos anos 50, Midori Kobayashi e Shinichi
Ikari e, nos anos 60, Naojiro Soma e Fujio Abe.
Dos
jovens, nos anos 60, refere-se à organização
do grupo Minyou Sanae kai (algo como associação
de música folclórica muda de arroz),
fundada em setembro de 1961. [Composta] por jovens na
casa dos 20, todos de voz muito bonita. A expectativa para esse
grupo foi muito grande, mas, com o falecimento precoce de alguns
membros principais e o casamento de outros, a entidade teve
vida curta, lamenta.
O
fato é que, dessa primeira entidade, surgiram outras,
empenhadas em promover eventos voltados para a prática
e o aprimoramento da música folclórica japonesa.
Sobre isso, trataremos na próxima edição
de História da Imigração.
|