PORTAL NIPPO-BRASIL - 10 ANOS ONLINE
Sexta-feria, 30 de julho de 2010
Música Folclórica Japonesa, os variados caminhos de atuação
Setores Culturais focam na preservação e na divulgação

(Fotos: Museu Histórico da Imigração Japonesa)


Concurso Brasileiro de Min’you, no 58º aniversário da imigração japonesa

Tanto na música folclórica japonesa, como em alguns setores culturais, observa-se a constituição de diferentes entidades. Quem não está nesse meio sente dificuldade para estabelecer pronta distinção entre elas. O importante é que todas estão focadas na preservação e na divulgação desse legado cultural.

Não é fácil acompanhar a organização e/ou surgimento de inúmeros grupos dedicados às diferentes modalidades culturais japonesas. Isso cria confusão para aqueles pouco familiarizados com o setor. Essa divisão, muitas vezes, é gerada por desavenças pessoais internas; outras, por diferentes orientações na condução da entidade.

Isso não acontece só com o min’you. Ou as entidades são demasiadamente amplas para atender às necessidades dos associados e mestres, ou, pelo contrário, muito pequenas para abrigar as diferenças (e, porque não, o “ego” dos líderes!).

Deixando essa questão de lado, acompanhando a trajetória da música folclórica japonesa traçada em 1984, por Matsuzo Matsuzaki (então presidente do Brasil Min’you Dokokai) e Shigeo Sasaki (orientador do Hakkoku Nihon Min’you Kyokai), pode-se encontrar associações com as seguintes denominações: hozonkai (associação para preservação), kenkyukai (associação para pesquisa), tomo-no-kai (associação de amigos), dokokai (associação de aficionados) e a entidade propriamente dita, no caso, min’you kai (associação de música folclórica).

Portanto, principalmente aos não versados em japonês, as denominações das entidades podem parecer iguais. Todo cuidado é pouco, mesmo sem querer pode-se ferir suscetibilidades de mestres ou associados!

Voltando à trajetória do min’you, os concursos, festivais e a vinda de mestres do Japão (ou a ida dos nossos ao Japão) foram estímulos constantes para músicos e cantores e atrativos ao público.

Organização cultural


Luiz Gonzaga, atração do 1º Shiroto Nodojiman Taikai em 1953

A constituição da primeira entidade reunindo aficionados deu-se a partir dos anos 50 e, depois disso, até início dos anos 80, o min’yo desenvolveu intensa programação, com feitos memoráveis.

Shigeo Sasaki, destaca como fato marcante da estruturação da música folclórica no Brasil, a promoção, em janeiro de 1953, do 1º Shiroto Nodojiman Taikai (Concurso de Cantores Amadores), no Cine Teatro Odeon, patrocinado pela Casa Mizumoto. De acordo com ele, a inclusão da música folclórica nesse concurso e a presença do júri especializado contribuiu para elevação do nível do min’yo no Brasil.

Restou em sua memória, a figura do professor Midori Kobayashi, administrador da escola Seishu Gijuku, a primeira escola particular voltada para descendentes de japoneses. Num dos quartos dos fundos da antiga e tranqüila Rua Galvão Bueno da capital paulista, escreve Sasaki, podia-se ouvir a triste melodia de oiwake (canção de despedida, de separação) tocada com shakuhachi (tipo de flauta japonesa feita de bambu). Terceiro grau de kendo, Kobayashi também era músico exímio. “Nas nossas reuniões, ele tocava oiwake, de olhos fechados, como se fosse um monge, e não comentava nada”, escreve Sasaki, lembrando que, tempos depois, ele, Kobayashi e Tadao Chiba chegaram a gravar um disco.

Juntos, conta Sasaki, fundaram a associação Nihon Min’you Kenkyukai e, para comemorar o quinto ano da entidade, organizaram o 1º Concurso Brasileiro de Min’you, mas: “Por alguma razão, não conseguimos continuar com esses eventos nos anos seguintes”, lembra, com saudade dos companheiros de shakuhachi dos anos 50, Midori Kobayashi e Shin’ichi Ikari e, nos anos 60, Naojiro Soma e Fujio Abe.

Dos jovens, nos anos 60, refere-se à organização do grupo Min’you Sanae kai (algo como associação de música folclórica ‘muda de arroz’), fundada em setembro de 1961. “[Composta] por jovens na casa dos 20, todos de voz muito bonita. A expectativa para esse grupo foi muito grande, mas, com o falecimento precoce de alguns membros principais e o casamento de outros, a entidade teve vida curta”, lamenta.

O fato é que, dessa primeira entidade, surgiram outras, empenhadas em promover eventos voltados para a prática e o aprimoramento da música folclórica japonesa. Sobre isso, trataremos na próxima edição de “História da Imigração”.

 
NOTA DA REDAÇÃO
As fontes para os textos são: Texto de Matuzaki Matsuzo e Sasaki Shigeo, de 1984 e fotos do livro Coronia Gueinoshi, vários autores, editado pela Comissão de Publicação do Coronia Guenoshi, 1986, São Paulo.
História da Imigração
O extremo sul do Brasil na história da imigração japonesa
"Senhor(a) Emigrante"
Casamentos interétnicos
A vida no Centro de Emigrantes de Kobe
Movimento para a construção do Centro de Emigrantes
Indústria à nipo-brasileira:
a economia nikkei (parte II)
Indústria à nipo-brasileira:
a economia nikkei (parte I)
Véspera da partida do navio Kasato Maru
A religião e os nikkeis no pós-guerra
Navegação cheia de confusões
Cooperativa Agrícola Central Sul-Brasil, referência nacional de cooperativismo
Kasato Maru: o primeiro navio de emigrantes ao Brasil
O Prédio da Emigração em Kobe e a Hospedaria de Emigrantes
Contexto brasileiro - Nisseis (parte II) ascensão
Contexto brasileiro - Nisseis (parte I)
A elegia da Colina de Emigrantes
Mapeando a Imigração
Os três grandes cenários do porto de Kobe
Música, a mais pura fragrância da terra natal
Disposição para se relacionar com outros mundos
Miyagi-kai, ouvidos para os sons do Ocidente
“Senso artístico que dá lustro à vida”
Grupo Miwa: música, modernidade e solidariedade
A alma mais tropical e o bolso mais pobre do Japão
Música para koto: histórias do dragão confabulando
Nishikigoi: encantamento, técnica e ação política
O poder dos festivais de música folclórica japonesa
Música Folclórica Japonesa, os variados caminhos de atuação
Min’you - tradição musical japonesa
Cine Niterói, a referência do bairro da Liberdade
Balada de Narayama, filme de estréia da Shochiku no Brasil
Cinema Japonês: chegam as grandes distribuidoras
“Vida de artista”, o cinema japonês no Brasil
Nippaku Cinemasha (2) - Velhas lembranças de um tempo do cinema
Nippaku Cinemasha (1) - A pioneira do cinema ambulante
Os primeiros filmes japoneses no Brasil
Ichiro Wakiyama: música para acalmar os sofrimentos
Ichiro Wakiyama o talento a serviço da música
Música entre os imigrantes: o talento de Ichiro Wakiyama
Daimao, dedicação à arte da magia
Lembranças do kabuki: os tempos
Lembranças de um ator de kabuki
Cinema-teatro: o sucesso de uma novidade
Memórias de um ator do teatro nipo-brasileiro
Arquivo - História da Imigração
Veja todas as matérias publicadas
 Link direto com a redação (sugestões, dúvidas ou reclamações): Clique aqui
  © Copyright 1992-2010 - Jornal NippoBrasil - Todos os direitos reservados - www.nippo.com.br - www.zashi.com.br