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Sexta-feria, 30 de julho de 2010
Nishikigoi: encantamento, técnica e ação política
A carpa colorida, considerada “peixe nacional do Japão”, tornou-se mais comum por aqui, graças ao trabalho intenso dos criadores pioneiros. Conheça um pouco dessa história

(Fotos: Museu Histórico da Imigração Japonesa)


O viveiro de Onoe em 1980 e à direita o Sr. Hisakazu Onoe

Não se sabe ao certo quem foi o pioneiro na criação dos peixes nishikigoi (carpas com cores ou estampas criadas para fins ornamentais). Uns afirmam que foi Yosasuke Okaue em 1929. Outros apontam Ryuichi Matsumoto, da Colônia Mizuho (São Bernardo do Campo), que, em 1956, trouxe 12 exemplares de nishikigoi da província de Niigata.

No entanto, cabe a Saburo Furukubo o pioneirismo da viabilidade econômica para a criação desse tipo de peixe, empreendimento iniciado em 1961, no bairro do Tanque, em Atibaia. Além da aquisição de variedades junto ao viveiro de Matsumoto, ele também comprou carpas matrizes entre 1971/72 no Japão.

Furukubo, primeiro sócio da Zen Nippon Airinkai (Associação Japonesa de Criadores de Nishikigoi) radicado no Brasil, realizou a 1ª Exposição e Feira de Nishikigoi em julho de 1975, em sua propriedade (Carpalândia) com grande repercussão, graças ao “apoio de políticos influentes e da mídia”, trazendo muitos visitantes acompanhados de seus familiares, conforme descreve o livro Nishikigoi no Brasil, editado pela Associação Brasileira de Nishikigoi.

Em 1977, Yosaburo Tsuchiya, então presidente da Sanyo Shoken, em visita ao Brasil, trouxe material da entidade japonesa e propôs a fundação de uma filial no Brasil. Furukubo explicou-lhe os empecilhos, principalmente relacionados à produção, ou seja, escassez de boas matrizes, falta de valorização/reconhecimento do nishikigoi e ausência de tecnologia.

O fato é que a entidade japonesa, a Zen Nippon Airinkai, a partir dos anos seguintes tornou-se uma forte aliada para o desempenho dessa atividade, estabelecendo um autêntico intercâmbio entre as duas nações. Assim, em abril de 1978, quando Saburo Furukubo e outros criadores, Hisakazu Onoe e Teruo Wakabayashi, desembarcaram no Japão para comprar matrizes, dispostos a constituir uma associação, contaram com todo o apoio da entidade, incluindo de seus associados.

Por exemplo, Onoe conta que várias vezes, ao comprar matrizes de Kanichiro Sakuma, recebeu doações de outra quantidade para ser leiloada no Brasil e, assim, obter recursos para a Associação Brasileira de Nishikigoi (fundada em setembro de 1978).

Totalmente fascinado pelos nishikigoi, Onoe foi fundamental para a difusão desses peixes no Brasil. Anualmente, esvaziava a lagoa de criação para a captura de todo cardume. Nesse dia, selecionava aqueles que pretendia criar e o restante doava aos sócios admiradores. Assim, todos teriam acesso a carpas de bom nível, contribuindo para o aumento da produção. Não é à toa que ele recebeu o apelido de “samurai do nishikigoi”.

Primeiro evento


Sr. Guaçu Piteri, presidente Sr. Wakabayashi e vice-presidente Sr. Onoe

Em 1980, a Associação Brasileira de Nishikigoi escolheu o Pavilhão Japonês para realizar a 1ª Exposição de Nishikigoi. Liderado por Teruo Wakabayashi (presidente da Associação), o Pavilhão teve seu tanque reformado para receber a doação de 85 exemplares da Prefeitura de Osaka (cidade-irmã da cidade de São Paulo), em comemoração do 25º aniversário da construção. A longa fila para visitar a exposição surpreendeu os organizadores.

A 3ª Exposição foi realizada no Parque da Água Fria, com apoio da Secretaria Estadual da Agricultura e da Paulistur (órgão municipal para incentivo ao turismo). Para estimular a adesão de crianças e iniciantes, vendiam-se, a preços módicos, alevinos e ração.

Durante esses anos, a Associação Brasileira de Nishikigoi desenvolveu esforços de difusão em várias frentes. Acompanhando a trajetória da entidade, verifica-se a ação política da doação de peixes aos órgãos governamentais, sempre com a presença de prefeitos, governadores e presidentes. Também tem sido destaque a atuação junto aos diferentes setores da comunidade nikkei.

Nas exposições, os julgamentos dos nishikigoi sempre contaram com a presença de juízes oficiais indicados pela Zen Nippon Airinkai, também responsáveis pelos aconselhamentos aos criadores locais. Em 1993, em reconhecimento ao nível técnico dos brasileiros, foi abolida a distinção, no julgamento, entre espécies importadas e criadas no Brasil.

 
NOTA DA REDAÇÃO
As fontes para os textos são: Nishikigoi no Brasil (texto e fotos), editado pela Associação Brasileira de Nishikigoi, em comemoração do 20º aniversário de fundação em 2000.
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