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(Fotos:
Yuko Ogura/Arquivo Pessoali)

Grão-mestre
Tsuna Iwami ao centro, em apresentação com as
professoras Kitahara (esq.) e Ogura
O
artista plástico e autor de várias obras sobre
imigração japonesa Tomoo Handa, ao escrever sobre
a difícil vida dos imigrantes pré-guerra, lamentava
a perda do senso artístico que dá lustro
à vida.
Alice
Yumi Satomi, ao desenvolver a tese de doutorado Dragão
Confabulando: Etnicidade, Ideologia e Herança Cultural
através da música para Koto no Brasil, apresentada
na Universidade Federal da Bahia em 2004, defende o fato de
que a retomada do fluxo de imigrantes pós-guerra também
significou a retomada desse senso artístico
(perdido ou abandonado) na comunidade nipo-brasileira.
Essa
afirmativa tem como uma das referências a chegada, em
1956, da família Iwami Tomii Iwami (professora
e performer de koto do estilo Yamada-ryu) e de seu filho, Tsuna
Iwami (grão-mestre Baikyoku V).
Tsuna
Iwami, nascido em 1923, iniciou estudos de shakuhachi (flauta
vertical de bambu com quatro orifícios anteriores e um
posterior) aos 7 anos de idade e, aos 19 anos, conquistou o
pseudônimo artístico de Baikyoku V, herdando a
tradição de iemoto (literalmente, principal da
casa), representando a quinta geração da corrente
Kinko-ryu.
A
trajetória de Iwami

Grupo
de música clássica japonesa em apresentação:
performances são escassas;
mesmo assim, a agenda de eventos têm atividades constantes
O sistema de iemoto, adotado pela maioria dos gêneros
de música e dança artística, está
organizado em escolas ou linhagens hierarquicamente
estruturadas com o iemoto na liderança, que toma decisões
sobre estilo de performance, licença de professores,
etc.
Além
do shakuhachi, Tsuna Iwami também estudou okuralo (flauta
vertical de metal com embocadura de shakuhachi), composição
ocidental, e, na década de 40, compôs várias
obras. Formou-se geofísico e químico pela Universidade
de Kyoto e, em 1956, chegou ao Brasil para abrir sua própria
indústria.
Desde
a chegada ao Brasil, tem se apresentado com intérprete
de shakuhachi, inicialmente com a mãe, Tomii Iwami, e,
com o falecimento desta, com Tomoi Inoki, Yuko Ogura, Gakkyo
Yumoto e Utahito Kitahara. Também organizou vários
recitais em importantes palcos de música erudita, como
o Teatro Municipal de São Paulo.
Viaja
constantemente ao Japão para os encontros da Kinko-ryu
(quando acontecem as cerimônias de outorga de certificados)
e para apresentações em diferentes locais, como
ocorreu em 1970, quando gravou na NHK um especial sobre a história
da música para shakuhachi. No Brasil, também gravou
programas na TV Cultura.
Nesses
50 anos de Brasil, Tsuna Iwami já habilitou vários
alunos. E a pesquisadora Alice Satomi chama atenção
para um fato curioso: entre os oito alunos que participam das
apresentações, apenas três são nikkeis:
Baiô Natori (já falecido) e os nisseis Júlio
Kobayashi e Máximo Hamada. Predominam os não nikkeis:
Carlos Raigorodsky (engenheiro civil), Antônio Mauro Rodrigues
Roque (músico profissional), Dale Olsen (norte-americano,
doutor em músicas japonesas e latino-americanas), Danilo
Tomic (músico, recebeu o pseudônimo de Baikyo,
em 2001), José Vicente Ribeiro (flautista, aluno de Antonio
Carrasqueira). Eles conhecem e valorizam a música
artística japonesa mais que os próprios descendentes,
ressalta o grão-mestre Iwami.
Do
período pós-guerra, destaque para a fundação
da Associação Brasileira de Música Clássica
Japonesa, em 1989, por líderes da maioria das escolas
de shakuhachi e koto da cidade de São Paulo. A presidência
vem sendo exercida por Baikyoku Iwami (Tsuna Iwami) pelo alto
grau de grão-mestre.
As
apresentações dessa entidade são escassas,
tendo como tradição a participação
anual no Festival de Música e Dança Japonesa (Gueinosai),
no Bunkyo, desde 1966, em comemoração ao aniversário
da imigração japonesa no Brasil. Trata-se da vitrine
dos grupos musicais e de dança tradicional, popular e
clássica de comunidade nikkei, segundo ressalta Alice
Satomi.
A
principal performance da Associação, desde a fundação,
tem sido a promoção, a cada dois ou três
anos, de concerto em prol da Sociedade Beneficente Casa da Esperança
(Kibo-no-Ie).
Apesar
das poucas apresentações conjuntas da entidade,
os grupos que fazem parte dela, principalmente os de koto, têm
atividades constantes. E, nesse caso, a Associação
funciona como órgão centralizador dos convites
que chegam de diversos locais.
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