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(Foto:
Reprodução)

Em
meados da terceira década da Era Showa (1955 até
1964), no porto de Kobe havia cenas comuns conhecidas como os
três grandes cenários de despedidas: o navio
de emigrantes, o grupo pesqueiro de caça às baleias
e a Companhia Kansai Kisen (rota Beppu). O navio de emigrantes
atracava de duas a três vezes por mês; o grupo baleeiro,
cerca de duas vezes ao ano; e a Companhia Kansai Kisen partia
todos os dias ao entardecer.
A
despedida de cada uma dessas embarcações eram
realizadas em grande estilo. No momento da partida, o cais se
enchia de pessoas para se despedirem e cinco tipos de cores
de fitilhos separavam o navio e o porto como se todo o cais
comemorasse.
Tipos
de despedidas
As
despedidas assemelhavam-se pelo aspecto grandioso, mas, por
outro lado, havia uma diferença dramática no significado
da partida de cada uma destas embarcações. O navio
de emigrantes parecia se distanciar como se cumprisse um percurso
para toda a eternidade; já o grupo pesqueiro de caça
às baleias partia como se fosse levasse consigo um grupo
de heróis e com o sentimento de dekassegui (pessoas que
emigram a algum lugar a trabalho); e a rota Beppu da Companhia
Kansai Kisen partia para um futuro cheio de alegrias, pois era
um famoso cruzeiro que pernoitava em várias localidades
e os fregueses eram casais em lua-de-mel.
Navios
e levas de imigrantes
A
primeira leva de emigrantes do navio Kasato Maru partiu no dia
28 de abril de 1908 de Kobe. Após 52 dias de longa jornada,
o navio aportou em Santos.
Devido
à eclosão da Segunda Guerra Mundial, as atividades
de emigração foram suspensas e, em junho de 1941,
partiu o último navio de emigrantes, o Buenos Aires Maru,
antes do início da guerra. As atividades de emigração
reiniciadas no pós-guerra começaram com a partida
do navio Santos Maru, em 28 de dezembro de 1952, do porto de
Kobe.
Dentre
os 54 emigrantes, havia algumas mulheres que estavam atravessando
o continente para se tornarem esposas (mediante apresentação
de fotografia) e uma criança que nasceu da união
de um soldado americano com uma moça japonesa para ser
adotado por uma família nikkei.
Nota
Matéria
produzida por Rogério Dezem. Historiador e pesquisador
da história dos imigrantes japoneses no Brasil. Autor
de Shindô Renmei: Terrorismo e Repressão (Série
Inventários Deops; São Paulo, AESP, 2000)
e Matizes do Amarelo: a gênese dos dicursos
sobre os orientais no Brasil (1878-1908) (São Paulo,
Associação Editorial Humanitas/FAPESP, 2005) |
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