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Sexta-feria, 30 de julho de 2010
Os três grandes cenários do porto de Kobe
Embarcações diferentes e despedidas diversas marcavam o contexto da
despedida das terras do arquipélago na viagem rumo ao Brasil

(Foto: Reprodução)

Em meados da terceira década da Era Showa (1955 até 1964), no porto de Kobe havia cenas comuns conhecidas como “os três grandes cenários de despedidas”: o navio de emigrantes, o grupo pesqueiro de caça às baleias e a Companhia Kansai Kisen (rota Beppu). O navio de emigrantes atracava de duas a três vezes por mês; o grupo baleeiro, cerca de duas vezes ao ano; e a Companhia Kansai Kisen partia todos os dias ao entardecer.

A despedida de cada uma dessas embarcações eram realizadas em grande estilo. No momento da partida, o cais se enchia de pessoas para se despedirem e cinco tipos de cores de fitilhos separavam o navio e o porto como se todo o cais comemorasse.

Tipos de despedidas

As despedidas assemelhavam-se pelo aspecto grandioso, mas, por outro lado, havia uma diferença dramática no significado da partida de cada uma destas embarcações. O navio de emigrantes parecia se distanciar como se cumprisse um percurso para toda a eternidade; já o grupo pesqueiro de caça às baleias partia como se fosse levasse consigo um grupo de heróis e com o sentimento de dekassegui (pessoas que emigram a algum lugar a trabalho); e a rota Beppu da Companhia Kansai Kisen partia para um futuro cheio de alegrias, pois era um famoso cruzeiro que pernoitava em várias localidades e os fregueses eram casais em lua-de-mel.

Navios e levas de imigrantes

A primeira leva de emigrantes do navio Kasato Maru partiu no dia 28 de abril de 1908 de Kobe. Após 52 dias de longa jornada, o navio aportou em Santos.

Devido à eclosão da Segunda Guerra Mundial, as atividades de emigração foram suspensas e, em junho de 1941, partiu o último navio de emigrantes, o Buenos Aires Maru, antes do início da guerra. As atividades de emigração reiniciadas no pós-guerra começaram com a partida do navio Santos Maru, em 28 de dezembro de 1952, do porto de Kobe.

Dentre os 54 emigrantes, havia algumas mulheres que estavam atravessando o continente para se tornarem esposas (mediante apresentação de fotografia) e uma criança que nasceu da união de um soldado americano com uma moça japonesa para ser adotado por uma família nikkei.

Nota
Matéria produzida por Rogério Dezem. Historiador e pesquisador da história dos imigrantes japoneses no Brasil. Autor de Shindô Renmei: Terrorismo e Repressão (Série Inventários Deops; São Paulo, AESP, 2000) e Matizes do “Amarelo”: a gênese dos dicursos sobre os orientais no Brasil (1878-1908) (São Paulo, Associação Editorial Humanitas/FAPESP, 2005)
 
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