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Sexta-feria, 30 de julho de 2010
Mapeando a imigração
Como vivam os imigrantes e descendentes de japoneses cinqüenta anos atrás ?

(Fotos:Reprodução)

Mapear os imigrantes japoneses e seus descendentes após cinqüenta anos de história (1908-1958) foi uma tarefa pioneira até hoje não igualada na história dos imigrantes que para cá vieram.

A década de 50 marcou uma série de transformações no seio da comunidade japonesa no Brasil. A reativação da imigração japonesa (1953), a migração interna para outras regiões do território nacional, em destaque para a cidade de São Paulo e arredores, o surgimento de novas entidades, associações e de um hospital, e os preparativos para as comemorações do cinqüentenário da imigração (1958) deram um novo colorido à saga dos japoneses no Brasil.

A Comissão Preparatória do Cinqüentenário da Imigração Japonesa elaborou uma pesquisa sobre a população japonesa e seus descendentes entre 1908 e 1958. A Comissão de Pesquisa da Situação Real dos Nikkeis do Brasil (Burajiru Nikkeijin Jittai Chosa Iinkai), sob coordenação do pesquisador e professor Teiiti Suzuki (1911-1996), levantou que japoneses e descendentes somavam um total de 404.630 pessoas no país.

Rigor

A pesquisa, apesar da falta de um documento que ilustrasse de forma oficial e rigorosa os primeiros cinquenta anos da história dos imigrantes japoneses, buscou dados estatísticos atualizados (1958) sobre população, economia, situação social e cultural da comunidade nipo-brasileira. Houve também a preocupação em se delinear a trajetória dos imigrantes desde antes da sua saída da terra natal (província no Japão), sua chegada no Brasil e sua distribuição em território nacional.

Referência

Entre os anos de 1958 e 1964 (data da publicação do trabalho), participaram cerca de 6 mil pesquisadores, cobrindo todo território nacional, algo nunca antes feito. O resultado foi publicado em duas partes (volumes), um contendo os dados da pesquisa e outro descrevendo-os. O Censo da Colônia Japonesa publicado em 1964 com o título de Burajiru no Nihon Imin (Os Imigrantes Japoneses no Brasil) é ainda hoje uma grande referência para pesquisa.

A partir do censo podemos destacar, como por exemplo, a grande mobilidade dos imigrantes, principalmente no estado de São Paulo e norte do Paraná nas primeiras décadas da imigração. Quanto melhores as condições econômicas em que se encontrava o imigrante, menor era sua mobilidade. Outra informação interessante é que até os anos 20, Mato Grosso perdia apenas para São Paulo no número de imigrantes. Na década de 30, o Paraná ultrapassou Mato Grosso, posição que mantém até os dias de hoje.

Nota
Texto de Rogério Dezem. Historiador e pesquisador da história dos imigrantes japoneses no Brasil. Autor de Shindô Renmei: Terrorismo e Repressão (Série Inventários Deops; São Paulo, AESP, 2000) e Matizes do “Amarelo”: a gênese dos dicursos sobre os orientais no Brasil (1878-1908) (São Paulo, Associação Editorial Humanitas/FAPESP, 2005)
 
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