|
(Fotos:Reprodução)

Mapear
os imigrantes japoneses e seus descendentes após cinqüenta
anos de história (1908-1958) foi uma tarefa pioneira até
hoje não igualada na história dos imigrantes que
para cá vieram.
A década
de 50 marcou uma série de transformações
no seio da comunidade japonesa no Brasil. A reativação
da imigração japonesa (1953), a migração
interna para outras regiões do território nacional,
em destaque para a cidade de São Paulo e arredores, o surgimento
de novas entidades, associações e de um hospital,
e os preparativos para as comemorações do cinqüentenário
da imigração (1958) deram um novo colorido à
saga dos japoneses no Brasil.
A Comissão
Preparatória do Cinqüentenário da Imigração
Japonesa elaborou uma pesquisa sobre a população
japonesa e seus descendentes entre 1908 e 1958. A Comissão
de Pesquisa da Situação Real dos Nikkeis do Brasil
(Burajiru Nikkeijin Jittai Chosa Iinkai), sob coordenação
do pesquisador e professor Teiiti Suzuki (1911-1996), levantou
que japoneses e descendentes somavam um total de 404.630 pessoas
no país.
Rigor
A pesquisa,
apesar da falta de um documento que ilustrasse de forma oficial
e rigorosa os primeiros cinquenta anos da história dos
imigrantes japoneses, buscou dados estatísticos atualizados
(1958) sobre população, economia, situação
social e cultural da comunidade nipo-brasileira. Houve também
a preocupação em se delinear a trajetória
dos imigrantes desde antes da sua saída da terra natal
(província no Japão), sua chegada no Brasil e sua
distribuição em território nacional.
Referência
Entre
os anos de 1958 e 1964 (data da publicação do trabalho),
participaram cerca de 6 mil pesquisadores, cobrindo todo território
nacional, algo nunca antes feito. O resultado foi publicado em
duas partes (volumes), um contendo os dados da pesquisa e outro
descrevendo-os. O Censo da Colônia Japonesa publicado em
1964 com o título de Burajiru no Nihon Imin (Os Imigrantes
Japoneses no Brasil) é ainda hoje uma grande referência
para pesquisa.
A partir
do censo podemos destacar, como por exemplo, a grande mobilidade
dos imigrantes, principalmente no estado de São Paulo e
norte do Paraná nas primeiras décadas da imigração.
Quanto melhores as condições econômicas em
que se encontrava o imigrante, menor era sua mobilidade. Outra
informação interessante é que até
os anos 20, Mato Grosso perdia apenas para São Paulo no
número de imigrantes. Na década de 30, o Paraná
ultrapassou Mato Grosso, posição que mantém
até os dias de hoje.
Nota
Texto de Rogério Dezem. Historiador e pesquisador da
história dos imigrantes japoneses no Brasil. Autor
de Shindô Renmei: Terrorismo e Repressão (Série
Inventários Deops; São Paulo, AESP, 2000) e
Matizes do Amarelo: a gênese dos dicursos
sobre os orientais no Brasil (1878-1908) (São Paulo,
Associação Editorial Humanitas/FAPESP, 2005) |
|