PORTAL NIPPO-BRASIL - 10 ANOS ONLINE
Sexta-feria, 30 de julho de 2010
Do Japão para o Brasil
O Prédio da Emigração em Kobe e a Hospedaria de Emigrantes
Cidadãos iam a Kobe com alguns dias de antecedência e ficavam nesses locais, aguardando a data para o comparecimento ao Prédio da Emigração

(Foto: Reproduçãol)


Emigrantes do Japão inteiro encontravam-se em Kobe com suas famílias carregando grandes bagagens

Onde fica Jyogaguchi-suji?” São poucos os que conseguem responder a essa questão, até mesmo os nascidos em Kobe. Entretanto, ao serem indagados sobre onde ficava Kakijyu, um famoso restaurante especializado em ostras, grande parte das pessoas poderia responder, se fosse antes daquele grande terremoto.

Lembranças

Indo da estação Motomachi ao norte de Koikawa-suji, passando pela linha principal Yamate, o caminho conduzia àquela ladeira que de repente ficava estreita. Atualmente, nem a região “jyogaguchi” se encontra no mapa e só restou um posto policial e um jardim de infância com esse nome. No final dessa ladeira, foi fundada, em março de 1928, o primeiro Centro Nacional de Emigração em Kobe. O informativo local “Kobe Yuushin Nippou” noticiou desde o movimento popular e seus esforços para que fosse criada a instituição, até sua fundação e o dia do embarque da primeira leva de emigrantes.

Na reportagem de capa, em destaque o título “No próximo dia 10, 600 serão os primeiros hóspedes a ocuparem a hospedaria recém-inaugurada”, “O recém concluído Prédio Nacional da Emigração em Jyogaguchi, Kobe começa a funcionar”.

Concorrência

Com a inauguração do Prédio da Emigração, após a Era Meiji, as hospedarias para emigrantes da avenida da praia próxima ao Porto Meriken Hatoba e da cidade de Sakae entre outras passaram a sofrer influências na administração, agravando a concorrência entre as hospedarias de emigrantes. No informativo da Associação Nippo-brasileira “Brasil” (edição de outubro de 1927, ano 2, Era Showa), havia a propaganda de 13 hospedarias só na cidade para emigrantes:

• cinco na cidade de Sakae: Maeda-ryokan (hotel em estilo japonês), Jiyuu-kan, filial da Imaizumi-ryokan, Kobe-kan e a sede da Takaya-ryokan;
• três na avenida próxima à praia: Azuma-ya, sede da Imaizumi-ryokan e filial da Kobe-kan;
• dois em Motomachi: Daikoku-ya e Iwakuniya-ryokan;
• uma na avenida Kitanagasa: Ebisu-ya;
• uma em Nakamachi: Sakaiya-ryokan;
• uma em Ujigawa-Kusunokibashi-higashizume: filial da Takaya-ryokan.

Os emigrantes iam a Kobe com alguns dias de antecedência e ficavam hospedados nesses locais, aguardando a data marcada para comparecer ao prédio da emigração. Emigrantes do Japão inteiro que se reuniam em Kobe iam com suas famílias carregando grandes bagagens em viagens de longa duração, pois pegavam o trem a vapor e depois tinham que embarcar no navio a vapor (rota doméstica) para chegar até o porto. Por ser uma longa viagem, era comum eles se programarem para partir com dias de antecedência e não chegarem atrasados na data estipulada para se apresentarem ao prédio da emigração.

No prédio da emigração, era comum ver funcionários da empresa ou agentes de viagem carregando o soroban (ábaco) para calcular o empréstimo feito para cobrir o valor da hospedagem, dos gastos da viagem e outras despesas.

NOTA DA REDAÇÃO
Texto baseado no livro Ijusaka - Kobe kaigai ijushi Annai, de Toshio Kusumoto. Editado em fevereiro de 2004, Self Support.
“A Colina de Emigrantes” (Ijusaka)
Guia da História da Emigração Japonesa ao Exterior
Toshio Kusumoto
 
História da Imigração
O extremo sul do Brasil na história da imigração japonesa
"Senhor(a) Emigrante"
Casamentos interétnicos
A vida no Centro de Emigrantes de Kobe
Movimento para a construção do Centro de Emigrantes
Indústria à nipo-brasileira:
a economia nikkei (parte II)
Indústria à nipo-brasileira:
a economia nikkei (parte I)
Véspera da partida do navio Kasato Maru
A religião e os nikkeis no pós-guerra
Navegação cheia de confusões
Cooperativa Agrícola Central Sul-Brasil, referência nacional de cooperativismo
Kasato Maru: o primeiro navio de emigrantes ao Brasil
O Prédio da Emigração em Kobe e a Hospedaria de Emigrantes
Contexto brasileiro - Nisseis (parte II) ascensão
Contexto brasileiro - Nisseis (parte I)
A elegia da Colina de Emigrantes
Mapeando a Imigração
Os três grandes cenários do porto de Kobe
Música, a mais pura fragrância da terra natal
Disposição para se relacionar com outros mundos
Miyagi-kai, ouvidos para os sons do Ocidente
“Senso artístico que dá lustro à vida”
Grupo Miwa: música, modernidade e solidariedade
A alma mais tropical e o bolso mais pobre do Japão
Música para koto: histórias do dragão confabulando
Nishikigoi: encantamento, técnica e ação política
O poder dos festivais de música folclórica japonesa
Música Folclórica Japonesa, os variados caminhos de atuação
Min’you - tradição musical japonesa
Cine Niterói, a referência do bairro da Liberdade
Balada de Narayama, filme de estréia da Shochiku no Brasil
Cinema Japonês: chegam as grandes distribuidoras
“Vida de artista”, o cinema japonês no Brasil
Nippaku Cinemasha (2) - Velhas lembranças de um tempo do cinema
Nippaku Cinemasha (1) - A pioneira do cinema ambulante
Os primeiros filmes japoneses no Brasil
Ichiro Wakiyama: música para acalmar os sofrimentos
Ichiro Wakiyama o talento a serviço da música
Música entre os imigrantes: o talento de Ichiro Wakiyama
Daimao, dedicação à arte da magia
Lembranças do kabuki: os tempos
Lembranças de um ator de kabuki
Cinema-teatro: o sucesso de uma novidade
Memórias de um ator do teatro nipo-brasileiro
Arquivo - História da Imigração
Veja todas as matérias publicadas
 Link direto com a redação (sugestões, dúvidas ou reclamações): Clique aqui
  © Copyright 1992-2010 - Jornal NippoBrasil - Todos os direitos reservados - www.nippo.com.br - www.zashi.com.br