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(
Rogério Dezem* /Foto: Museu Histórico da Imigração
Japonesa no Brasill)
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Nacazawa
foi um dos principais
articuladores da Sul-Brasil
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Criada
a partir da iniciativa de 49 plantadores de batata e sob a orientação
e subvenção do Consulado Geral do Japão em
São Paulo em 1929, a Cooperativa Agrícola de Juqueri
foi uma das cooperativas japonesas pioneiras no Brasil. Sua história
está associada à figura do imigrante japonês
Guenitiro Nacazawa (19071984), possuidor de um perfil diferente
da maioria dos emigrantes japoneses.
Bacharel
em Pedagogia e Filosofia pela Universidade de Tóquio (1930)
e primogênito da família Nakazawa, o jovem Guenitiro,
recém-casado, decidiu emigrar para o Brasil, mesmo sob
os protestos da família de sua jovem esposa, Yuri. Apoiado
pelo pai e com o ideal de empreender novas atividades agrícolas,
aportou em Santos no dia 2 de agosto de 1933.
Após
algumas andanças pelo interior de São Paulo e pelo
norte do do Paraná, Guenitiro acabou por se estabelecer,
na Vila Juqueri, subúrbio da capital paulista, atual munícipio
de Mairiporã. Lá, segundo o próprio Guenitiro,
o clima era bom e o solo propício para as atividades agrícolas.
Na
gleba de terra adquirida, deu início ao cultivo de batata
inglesa e tomate, além da criação de aves
de postura, sendo o pioneiro na região. Tornou-se cooperado
da Sociedade Cooperativa dos Produtores Agrícolas em Juqueri,
iniciando um estreito relacionamento com a cooperativa até
o seu falecimento. Na entidade, exerceu os cargos de gerente,
superintendente (1939-1973) e, logo depois, diretor-presidente.
No
final década de 30, a cooperativa estava quase falida,
com apenas 92 associados em dez anos de existência. Naquele
momento, o jovem Nacazawa foi convidado a se tornar gerente da
sociedade; era o ano de 1939.
Deu-se
o início de um processo de remodelação e
expansão da cooperativa, objetivando, entre outras coisas,
aumentar o número de cooperados. Pouco tempo depois, no
ano de 1954, a Sociedade Cooperativa dos Produtores Agrícolas
em Juquerí mudava seu nome para Cooperativa Agrícola
Central Sul-Brasil, abrigando, no seu quadro social, três
cooperativas de 1 grau e mais 1.192 produtores, com área
de atuação que abrangia desde Pernambuco até
o Rio Grande do Sul, com postos de vendas de produtos instalados
nas cidades de Santos, Rio de Janeiro, Curitiba, Porto Alegre
e em vários bairros de São Paulo. O sensível
aumento do número de cooperados entre as décadas
de 1950/1960 pode ser notado no quadro abaixo:
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Ano
|
1929
|
1939
|
1949
|
1959
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1969
|
1977
|
1988
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Cooperados
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49
|
92
|
563
|
2.655
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6.548
|
6.419
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10.074
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Fonte:
Adaptado a partir de Guenitiro Nacazawa curriculum
vitae. 1977. Cópia datilografada.
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A partir
da década de 1950, ocorreu um processo de diversificação
nas atividades agrícolas da cooperativa. A criação
de uma estação experimental em Atibaia (SP) deu
início a uma série de experimentos e melhoramentos
de linhagens na área de avicultura e de produção
de hortaliças.
Em
1969, em comemoração do 40º aniversário
da fundação da cooperativa, foi criado o Parque
Florestal Sul-Brasil, com uma área de 1,4 mil hectares
reflorestada com pinus e eucalipto. No início
da década de 1970, a cooperativa associada a projetos dos
governos estadual e federal (Plano Nacional do Desenvolvimento
do Cerrado) deu início à exploração
agrícola na região do cerrado mineiro.
Em
1977, haviam 38 cooperativas associadas, 30 em São Paulo,
6 no Paraná, uma no Rio de Janeiro e uma no Pará.
Na época, a Cooperativa Agrícola Central Sul-Brasil
foi considerada pelo Ministério da Agricultura como uma
das melhores e mais bem organizadas do Brasil.
Essa
trajetória de sucesso muito se deveu à figura de
Guenitiro Nacazawa, como também aos milhares de cooperados
que, com seu trabalho na lavoura, consolidaram um modelo de cooperativa
que se tornou referência na história da imigração
japonesa no Brasil.
NOTA
DA REDAÇÃO
*Texto realizado por Rogério Dezem - historiador e
pesquisador da história dos imigrantes japoneses no
Brasil. Autor de Shindô Renmei: Terrorismo e Repressão
(Série Inventários Deops; São Paulo,
AESP, 2000) e Matizes do Amarelo: a gênese
dos dicursos sobre os orientais no Brasil (1878-1908) (São
Paulo, Associação Editorial Humanitas/Fapesp,
2005). |
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