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Sexta-feria, 30 de julho de 2010
Navegação cheia de confusões
A triste vida do Kasato Maru e dos emigrantes

( Foto: Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasill)

O capitão do navio de emigrantes Kasato Maru era inglês e seus tripulantes eram japoneses, sendo que o primeiro comandante, Takeshi Murao, e Nagayoshi Hasegawa, do administrativo, eram naturais de Kobe. A bordo do navio, várias histórias de vidas confusas foram se estendendo no desenrolar da viagem, como o assassinato de um funcionário responsável pela caldeira, o caso do marinheiro que viajava em segredo, o dos emigrantes que perderam todo o dinheiro enganados pela empresa de viagens e a trágica história de amor da esposa do intérprete, entre outras.

“Pretendo voltar com o meu baú cheio de dinheiro” dizia um emigrante da província de Kumamoto. Cheios de esperanças e sem nada saber o destino cruel reservado à vida deles, atravessaram o oceano e foram em busca das terras brasileiras. O livro escrito por Yasuo Wakatsuki, “Genshirin no naka no nihonjin”, da editora Chuukoushinsho, relata a dificuldade que os emigrantes passaram durante o desbravamento.

As histórias, em muitos casos, são trágicas. Há a de uma pessoa que não agüentou e fugiu das terras devido ao comportamento do coronel da fazenda, que o tratava como escravo e o ameaçava com o revólver e chicote. Há também relatos de pessoas que ao desembaraçavam em Santos sem dinheiro para voltar ao país de origem.

Entre essas histórias miseráveis, há também outras de cunho vitoriosas, como a de dois jovens amigos vindos de Okinawa. Essa história é relatada no livro de Yasuo Fujisaki, “Santos Dai 14 Futou”, da editora Chuoukouronsha. Kamata Gibo, conhecido como “Ippachi”, emigrou aos 13 anos e tornou-se conhecido no mundo das apostas, sendo, muitas vezes, procurado por pessoas importantes, como da Embaixada japonesa.

Outro jovem, Yamato Kinjo, emigrou aos 14 anos e, após batalhar muito, tornou-se um grande nome na alta sociedade. Conquistou popularidade e prestígio como o primeiro dentista japonês. Deixou nome e fortuna.

Igualmente à vida desses emigrantes, o Kasato Maru teve uma trajetória perturbadora. Foi construído em 1900 em Newcastle, na Inglaterra, e foi batizado como navio de cargas e passageiros Kazan, com 6.167 toneladas. Em seguida, a Rússia iniciou a rota de navegação comprando o navio com o propósito de usá-lo como meio de transporte, da costa do Mar Negro até o extremo Oriente, para carregar materiais para a construção da rede ferroviária da Sibéria.

O Kazan, posteriormente, foi utilizado como navio-hospital da frota do exército do extremo Oriente durante a Guerra Russo-Japonesa. Após a guerra, o navio foi encontrado encalhado no porto de Lushunkou (China) e a marinha japonesa se apossou, renomeando-o como Kasato Maru. Em seguida, a companhia Toyokisen passou a alugar o navio para transportar emigrantes, fazendo, assim, partir a primeira leva de emigrantes japoneses ao Brasil.

No início da Era Taisho, 1912, a Osaka Navio Mercante comprou o Kasato Maru e o introduziu na rota de navegação de Taiwan. Em 1930, um dono de navios de Osaka o comprou e o enviou como navio pesqueiro de sardinhas e, na Segunda Guerra, tornou-se o navio pesqueiro de caranguejo da Nihon Suisan. A embarcação chegou ao fim de sua triste história após ser bombardeada pelos soviéticos na penísula da costa oeste em 1945.

Na letra da música de enka Ishikaribanka, há um trecho em que diz: “O que está indo em direção ao alto-mar é o Kasado Maru”. Curiosamente, na canção, o nome do navio é cantado “Kasado”, sendo que o nome oficial era “Kasato”.

Não há, na história, uma foto que retrate o Kasato Maru por inteiro. Mesmo nas fotos de 1908, quando chegou ao Brasil, a embarcação só é visualizada atracada no Porto de Santos. Shouzo Usami, professor titular da Universidade Feminina de Komazawa, é pesquisador do Kasato Maru e foi ele quem encontrou na construtora naval de Newcastle, a planta do projeto da cerimônia de lançamento.

Com base nessas informações, Hayao Nogami, pintor de navios, redesenhou e apresentou a obra no dia da cerimônia de conclusão do monumento em homenagem à embarcação dos emigrantes do porto de Kobe em 28 de abril de 2001. A obra restaurada do professor está colocada junto ao monumento em homenagem aos emigrantes e contou com a colaboração meticulosa de Michio Yamada, historiador de assuntos marítimos, para que fosse conservada a autenticidade da época.

NOTA DA REDAÇÃO
*Texto baseado no livro Ijusaka - Kobe kaigai ijushi Annai, de Toshio Kusumoto. Editado em fevereiro de 2004, Self Support.
A Colina de Emigrantes (Ijusaka) - Guia da História da Emigração Japonesa ao Exterior Toshio Kusumoto
 
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