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(
Foto: Museu Histórico da Imigração Japonesa
no Brasill)
O
capitão do navio de emigrantes Kasato Maru era inglês
e seus tripulantes eram japoneses, sendo que o primeiro comandante,
Takeshi Murao, e Nagayoshi Hasegawa, do administrativo, eram naturais
de Kobe. A bordo do navio, várias histórias de vidas
confusas foram se estendendo no desenrolar da viagem, como o assassinato
de um funcionário responsável pela caldeira, o caso
do marinheiro que viajava em segredo, o dos emigrantes que perderam
todo o dinheiro enganados pela empresa de viagens e a trágica
história de amor da esposa do intérprete, entre
outras.
Pretendo
voltar com o meu baú cheio de dinheiro dizia um emigrante
da província de Kumamoto. Cheios de esperanças e
sem nada saber o destino cruel reservado à vida deles,
atravessaram o oceano e foram em busca das terras brasileiras.
O livro escrito por Yasuo Wakatsuki, Genshirin no naka no
nihonjin, da editora Chuukoushinsho, relata a dificuldade
que os emigrantes passaram durante o desbravamento.
As
histórias, em muitos casos, são trágicas.
Há a de uma pessoa que não agüentou e fugiu
das terras devido ao comportamento do coronel da fazenda, que
o tratava como escravo e o ameaçava com o revólver
e chicote. Há também relatos de pessoas que ao desembaraçavam
em Santos sem dinheiro para voltar ao país de origem.
Entre
essas histórias miseráveis, há também
outras de cunho vitoriosas, como a de dois jovens amigos vindos
de Okinawa. Essa história é relatada no livro de
Yasuo Fujisaki, Santos Dai 14 Futou, da editora Chuoukouronsha.
Kamata Gibo, conhecido como Ippachi, emigrou aos 13
anos e tornou-se conhecido no mundo das apostas, sendo, muitas
vezes, procurado por pessoas importantes, como da Embaixada japonesa.
Outro
jovem, Yamato Kinjo, emigrou aos 14 anos e, após batalhar
muito, tornou-se um grande nome na alta sociedade. Conquistou
popularidade e prestígio como o primeiro dentista japonês.
Deixou nome e fortuna.
Igualmente
à vida desses emigrantes, o Kasato Maru teve uma trajetória
perturbadora. Foi construído em 1900 em Newcastle, na Inglaterra,
e foi batizado como navio de cargas e passageiros Kazan, com 6.167
toneladas. Em seguida, a Rússia iniciou a rota de navegação
comprando o navio com o propósito de usá-lo como
meio de transporte, da costa do Mar Negro até o extremo
Oriente, para carregar materiais para a construção
da rede ferroviária da Sibéria.
O Kazan,
posteriormente, foi utilizado como navio-hospital da frota do
exército do extremo Oriente durante a Guerra Russo-Japonesa.
Após a guerra, o navio foi encontrado encalhado no porto
de Lushunkou (China) e a marinha japonesa se apossou, renomeando-o
como Kasato Maru. Em seguida, a companhia Toyokisen passou a alugar
o navio para transportar emigrantes, fazendo, assim, partir a
primeira leva de emigrantes japoneses ao Brasil.
No
início da Era Taisho, 1912, a Osaka Navio Mercante comprou
o Kasato Maru e o introduziu na rota de navegação
de Taiwan. Em 1930, um dono de navios de Osaka o comprou e o enviou
como navio pesqueiro de sardinhas e, na Segunda Guerra, tornou-se
o navio pesqueiro de caranguejo da Nihon Suisan. A embarcação
chegou ao fim de sua triste história após ser bombardeada
pelos soviéticos na penísula da costa oeste em 1945.
Na
letra da música de enka Ishikaribanka, há um trecho
em que diz: O que está indo em direção
ao alto-mar é o Kasado Maru. Curiosamente, na canção,
o nome do navio é cantado Kasado, sendo que
o nome oficial era Kasato.
Não
há, na história, uma foto que retrate o Kasato Maru
por inteiro. Mesmo nas fotos de 1908, quando chegou ao Brasil,
a embarcação só é visualizada atracada
no Porto de Santos. Shouzo Usami, professor titular da Universidade
Feminina de Komazawa, é pesquisador do Kasato Maru e foi
ele quem encontrou na construtora naval de Newcastle, a planta
do projeto da cerimônia de lançamento.
Com
base nessas informações, Hayao Nogami, pintor de
navios, redesenhou e apresentou a obra no dia da cerimônia
de conclusão do monumento em homenagem à embarcação
dos emigrantes do porto de Kobe em 28 de abril de 2001. A obra
restaurada do professor está colocada junto ao monumento
em homenagem aos emigrantes e contou com a colaboração
meticulosa de Michio Yamada, historiador de assuntos marítimos,
para que fosse conservada a autenticidade da época.
NOTA
DA REDAÇÃO
*Texto baseado no livro Ijusaka - Kobe kaigai ijushi Annai,
de Toshio Kusumoto. Editado em fevereiro de 2004, Self Support.
A Colina de Emigrantes (Ijusaka) - Guia da História
da Emigração Japonesa ao Exterior Toshio Kusumoto |
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