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(
Rogério Dezem* /Foto: Elcio Ohnumal)
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Sede
da Igreja Tenrikyo, em Bauru,
interior de São Paulo
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Não
foram apenas o budismo e o xintoísmo as religiões
cultuadas pelos japoneses e seus descendentes aqui radicados.
O cristianismo a partir de religiões como o catolicismo
e o protestantismo e as religiões de origem japonesa, como
a Omoto-kyô, Tenrikyo e Seicho-No-Ie também passaram
a fazer parte do cotidiano da comunidade japonesa. Só para
citar algumas surgidas ainda no período pré-guerra,
no qual o culto aos antepassados e o culto às
deidades da comunidade eram os elementos religiosos mais
presentes.
Fator
que contribuiu para a inserção social do imigrante
japonês, a religiosidade passou a ser algo mais visível
na colônia japonesa a partir da década de 1920, sempre
tendo o sincretismo como um elemento coadunador. Para muitos japoneses
aqui radicados, por exemplo, aspectos do budismo e do xintoísmo
não estavam necessariamente dissociados do catolicismo,
fato este que causava uma certa estranheza entre os brasileiros.
Segundo
Koichi Mori, professor da disciplina de cultura japonesa da FFLCH/USP,
o período pós-guerra foi marcado pela ressurreição
das religiões japonesas, produto de uma série
de mudanças, como a idéia de permanecer definitivamente
no Brasil, a forte migração urbana, o crescimento
do número de nisseis e a desintegração de
uma visão de mundo orientada pelo culto à figura
do imperador associado ao xintoísmo. No final da década
de 1950, segundo dados da Comissão de Recenseamento da
Colônia Japonesa (1964), essas eram as porcentagens das
religiões declaradas pelos descendentes de japoneses no
Brasil, comparando as zonas rural e urbana:
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Brasil
|
Rural
|
Urbano
|
| Religião
japonesa tradicional |
44,5%
|
50,1%
|
37,9%
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| Católica
(Brasil) |
42,8%
|
36,5%
|
50,3%
|
|
Outras
|
12,7%
|
13,4%
|
11,8%
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Fonte:
Adaptado a partir de dados do Censo da Colônia Japonesa,
1964
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A partir
das décadas de 1960/70 as chamadas Novas Religiões
Japonesas (NRJ), como a Igreja Messiânica Mundial do Brasil
(IMMB) e a Perfect Liberty (PL), inicialmente restritas aos japoneses
e a seus descendentes, expandiram-se entre os não descendentes.
Esse fato se deveu, segundo Andréa Santiago Tomita, pesquisadora
e mestre em Letras, ao caráter mais universal dessas religiões
que foram traduzidas para a cultura brasileira, tornando-se
mais acessíveis aos não japoneses. Além
disso, elas acabam por transmitir noções culturais
japonesas à sociedade brasileira, algumas usando a língua
portuguesa como elemento coadunador.
Um
exemplo foi a Secho-No-Ie, que, em meados da década de
1960, modificou radicalmente as diretrizes do trabalho de difusão
de sua doutrina, ao criar um Departamento de Trabalho Doutrinário
em Língua Portuguesa, objetivando atingir os não
descendentes de japoneses. Resultado disso foi que, 20 anos depois
(1988), 85% dos adeptos eram não nikkeis.
Nesse
processo de universalização da religião,
Mori divide as religiões japonesas aqui radicadas em dois
blocos: aquelas que romperam a barreira da etnicidade graças
ao seu sincretismo, que mescla, em sua doutrina, aspectos das
religiões tradicionais, como o budismo e o xintoísmo,
como Seicho-No-Ie, Igreja Messiânica, Perfect Liberty, Soka
Gakkai e Suko Mahikari. E aquelas que ainda não conseguiram
penetração expressiva entre os não descendentes:
Tenrikyo, Risho-Koseikai e algumas seitas budistas mais tradicionais.
Segundo dados do Censo de 2000 do IBGE, o número de adeptos
de religiões japonesas era o seguinte:
| Religião |
Total
de adeptos (2000)
|
| Igreja
Messiânica Mundial |
109.310
|
| Seicho-No-Ie
|
27.784
|
| Perfect
Liberty |
5.465
|
| Tenrikyo |
3.786
|
| Mahicari |
3.054
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Fontes
consultadas
Koichi Mori, A vida religiosa dos japoneses e seus descendentes
residentes no Brasil e as religiões de origem japonesa.
In: Uma Epopéia Moderna 80 anos da Imigração
Japonesa no Brasil, vários autores, Ed. Hucitec e Sociedade
Brasileira de Cultura Japonesa, SP, 1992. Andréa G.
Santiago Tomita, As Novas Religiões Japonesas
como instrumento de transmissão de cultura japonesa
no Brasil. In: Revista de Estudos da Religião,
n° 3, 2004. pp. 88-102. |
NOTA
DA REDAÇÃO
*Texto realizado por Rogério Dezem - historiador e
pesquisador da história dos imigrantes japoneses no
Brasil. Autor de Shindô Renmei: Terrorismo e Repressão
(Série Inventários Deops; São Paulo,
AESP, 2000) e Matizes do Amarelo: a gênese
dos dicursos sobre os orientais no Brasil (1878-1908) (São
Paulo, Associação Editorial Humanitas/Fapesp,
2005). |
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