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(
Rogério Dezem* /Foto: Elcio Ohnumal)
O primeiro
navio de emigrantes ao Brasil, Kasato Maru, partiu de Kobe no
dia 28 de abril de 1908, às 17h55, com 802 tripulantes.
Desde o dia anterior, os emigrantes haviam embarcado no navio
atracado em alto-mar. Sentiram dentro dele um misto de ansiedade
e insegurança com o balançar das ondas da última
noite no Japão. A vida estava em jogo ao trocar de uma
embarcação para outra no mar.
Há
uma diferença no balançar do navio Kasato Maru,
que era de ferro e pesava 6.167 toneladas, com os barcos de pequeno
porte. Mesmos as pessoas acostumadas com o mar ficaram nervosas
com o tempo de pular da rampa de uma embarcação
que balança muito para a do Kasato Maru. Imaginem as mulheres
e as crianças que nunca tiveram nenhuma ligação
com o mar. Elas fizeram um esforço extraordinário
para trocar de embarcação. Se errassem o tempo do
salto, cairiam no mar.
Aqui
vem a pergunta: por que o Kasato Maru não ficou atracado
no cais para o embarque com segurança? A explicação:
na época, o porto de Kobe não tinha capacidade para
receber um navio de grande porte como aquele. A segunda questão:
por que os emigrantes, ao invés de embarcarem no dia da
viagem, tiveram que subir no navio com um dia de antecedência?
Para embarcar 800 passageiros em um navio em altomar perderia-se
muito tempo.
Os
emigrantes que se dividiram e pousaram nas hospedarias da rua
rente à praia e da Rua Motomachi deixaram as hospedarias
na manhã do dia da partida e foram a pé até
o Meriken Hatoba. Lá, pegaram uma barcaça que os
levou até o Kasato Maru.
Normalmente,
a barcaça era utilizada no transporte de cargas e os passageiros
eram levados em balsa até alto-mar. No caso dos passageiros
do Kasato Maru, eles eram levados de barcaça ao invés
da balsa, pois, para transportar 800 emigrantes, com certeza não
daria tempo. Provavelmente, foi a agência de emigrantes
que organizou todos os horários.
Uma
barcaça de 100 toneladas normalmente suporta cerca de 100
pessoas. O tempo utilizado por cada uma para transportar os emigrantes
do Meriken Hatoba até o Kasato Maru, para depois fazer
o caminho inverso, levava cerca de 60 minutos. Ou seja, 10 minutos
para os passageiros se locomoverem do cais até à
barcaça e 15 minutos de ida do Meriken Hatoba até
onde o Kasato Maru estava atracado, 20 minutos para os passageiros
trocarem de embarcações e 15 minutos de volta.
Para
transportar todos os 800 emigrantes, foram necessárias
oito viagens. Mas, na realidade, se contar a bagagem de mão
dos passageiros, as mulheres e as crianças, com certeza
deve ter levado bem mais tempo. Devido à maré, o
Kasato Maru, que estava ancorado em alto-mar, girava aos poucos
e os emigrantes já instalados no navio não o sentiam
se movendo. No momento que embarcaram no navio, ainda enxergavam
a cidade de Kobe.
NOTA
DA REDAÇÃO
Texto baseado no livro Ijusaka - Kobe kaigai ijushi Annai,
de Toshio Kusumoto. Editado em fevereiro de 2004, Self Support.
A COLINA DE EMIGRANTES (Ijusaka) Guia da História da
Emigração Japonesa ao Exterior Toshio Kusumoto
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