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(
Rogério Dezem* /Foto: Museu Histórico da Imigração
Japonesa no Brasil)
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Fachada
da Cooperativa Agrícola de Cotia na década
de 30
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Os
maiores empreendimentos
em junho de 1988 (ordem decrescente)
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EMPRESA
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RAMO
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| Coopercotia |
Alimentos |
| Banco
América do Sul |
Banco |
| Cooperativa
Sul-Brasil |
Alimentos |
| Maeda |
Agropecuária |
| Matsubara |
Agropecuária |
| Cotia
Crédito Rural |
Cooperativa
de crédito |
| Takenaka |
Fertilizantes |
| Óleos
Pacembu |
Alimentos |
| Sansuy |
Plásticosl |
| Nakata |
Mecânica |
| T.
Tanaka |
Importação |
| Motorádio |
Eletroeletrônica |
| N.
Sra. da Penha |
Indústria
de papel |
| Jacto |
Mecânica |
| Kitano |
Alimentos |
| Gyotoku |
Cerâmica |
| Ito
Ovos |
Alimentos |
| Bratac |
Fiação
de seda |
| Papelok |
Indústria
de papel |
| Granja
Saito |
Alimentos |
A primeira
década do pós-guerra (1945- 1955) marcou o início
de uma nova dinâmica econômica para a comunidade nipo-brasileira.
Em 1958, o número de japoneses e descendentes que trabalhavam
na indústria era de 7,2% da população. Trinta
anos depois, esse percentual se elevou para 15, 81%. Além
de ser um reflexo do exôdo rural, esses dados também
atestam um aumento do processo de inclusão dos nikkeis
nos setores secundário e terciário da economia nacional.
Nesse
período, iniciativas por parte de pequenos e médios
empreendedores nikkeis, tornavam-se patentes. São vários
os exemplos e histórias que podem ilustrar esse processo.
O Banco
América do Sul, ex- Casa Bancária Bratac, surgida
no final da década de 30, com capital japonês inicial
de 100 contos de réis, tinha como objetivo crescer
no contexto brasileiro, a serviço de toda a sociedade.
No entanto, a Segunda Guerra e as restrições junto
à comunidade japonesa adiaram por quase dez anos esses
objetivos. Ocorreu a intervenção do governo junto
ao banco que, com pouco mais de um ano e meio de funcionamento,
foi vendido para um grupo brasileiro em 1942.
No
final de 1945, iniciou-se um movimento na comunidade objetivando
a recompra do banco. Durante as negociações, o grupo
propôs uma sociedade, que não foi aceita pelos representantes
da comunidade. Estipulou-se um valor para compra acima do valor
real, fato que quase interrompeu as negociações.
Ocorreu, então, um movimento na comunidade visando a capitar
a quantia necessária para recompra.
Com
capital amealhado junto a pequenos acionistas, o banco foi recomprado
e deu-se início a um plano de reformulação
em sua estrutura. Já na década de 1950, o Banco
América o Sul tornava-se um dos grandes ícones da
comunidade nikkei, chegando a constituir, na década de
80, um sólido grupo constituído de 14 empresas.
Outra
interessante história é a do imigrante Hiroshi Urushima,
que sonhava em fabricar rádios para automóveis.
Natural de Kagoshima, chegou ao Brasil em 1936 com os pais e sete
irmãos. Desde cedo, ele optou pela eletrônica ao
trabalho na lavoura no Paraná, onde a família se
radicou em seus primeiros tempos.
Foi
a partir de sua experiência na oficina de um imigrante alemão,
que consertava rádios no bairro de Pinheiros, em São
Paulo, no início dos anos 40, que Urushima ficou fascinado
e prometeu para si mesmo fazer um auto-rádio dentro
das possibilidades. Leu e estudou com afinco os manuais
técnicos em japonês, e realizou alguns testes, até
que, com peças avulsas, fabricou seu primeiro rádio,
que pesava apenas 5 kg.
Em
1957, com a chegada da Volkswagen e a montagem de sua primeira
fábrica em São Paulo, Urushima já produzia
400 aparelhos por mês. Foi o embrião do que veio
a ser a Motorádio, fundada em 1964, que chegou a possuir
três fábricas e mais de 2,5 mil funcionários
(1988).
Em
1964, o atacadista Yoshikazu Tanaka introduziu máquinas
e tecnologia do Japão para inaugurar a Papelok S.A. Indústria
e Comércio. Dois anos depois, alguns cultivadores de batatas
se cotizaram para fundar a Sansuy S.A. Indústria de Plásticos,
fabricante de artigos plásticos para fins agrícolas,
silos e armazéns plásticos.
NOTA
DA REDAÇÃO
*Texto realizado por Rogério Dezem - historiador e
pesquisador da história dos imigrantes japoneses no
Brasil. Autor de Shindô Renmei: Terrorismo e Repressão
(Série Inventários Deops; São Paulo,
AESP, 2000) e Matizes do Amarelo: a gênese
dos dicursos sobre os orientais no Brasil (1878-1908) (São
Paulo, Associação Editorial Humanitas/Fapesp,
2005). |
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