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Sexta-feria, 10 de setembro de 2010
Movimento para a construção do Centro de Emigrantes
Centro de Kobe seria o primeiro de promoção de saída dos nipônicos controlado pelo Estado

( Rogério Dezem* /Foto: Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil)

Amino, presidente da Federação da Associação das Províncias (canto esquerdo); Maeno, assistente oficial da cidade de Kobe (segundo a direita), recebendo das mãos de Onishi, presidente da Associação Hyogo Kenjin do Brasil (canto direito) a petição (São Paulo, outubro de 1998)

O Centro Nacional de Emigrantes de Kobe começou a funcionar em março de 1928, ao pé do Monte Suwayama, ou seja, 20 anos após a partida do Kasato Maru ao Brasil. Com a operação desse estabelecimento, Kobe tornou- se, para sempre, parte da história da emigração japonesa.

Conforme tese de Kimio Kuroda (“Ima wa mukashi – Ijuukichi Kobe” ou “Hojé é o passado – Kobe, a base da emigração”, em português), o Centro Nacional foi fundado em Kobe, ao invés de Yokohama, devido ao entusiasmo do povo e a ações de apoio ao governo local. Em julho de 1926, a Associação Nippaku entregou o projeto do centro ao vereador Juuzou nami (fundador da Indústria Química Bando Ltda.). Foi ele quem conseguiu apoio junto a personalidades influentes do mundo acadêmico, como Hachisaburou Hirao, Seibee Kawanishi, Tadao Okazaki e Shinmatsu Kosone.

Enami, juntamente com seus apoiadores, entregou a carta de recomendação de fundação do Centro de Emigrantes de Kobe aos cuidados dos ministros do Interior, Relações Exteriores e das Finanças. A área foi oferecida gratuitamente pela cidade de Kobe e metade das despesas da construção foi arcada pelo governo da província de Hyogo.

O Centro de Emigração de Kobe seria a primeira instituição de promoção de saída de nipônicos controlada pelo Estado e exerceria um importante papel pelo desenvolvimento da cidade e do porto local. Em 1956, foi fundado o mediador de migração de Yokohama, criado pelo Ministério das Relações Exteriores.

A construção do empreendimento em Yokohama foi necessária porque o estabelecimento de Kobe passou a ficar pequeno com o aumento do número de emigrantes. Mas o movimento para se conservar o prédio do Centro de Emigrantes de Kobe como Centro Nacional de Migração Nikkei ao Exterior iniciou-se após janeiro de 1995, quando aconteceu o Grande Terremoto de Kobe.

Cenas deprimentes do Grande Terremoto de Kobe, que fez milhares de vítimas, também foram destaques na imprensa brasileira. Uma pessoa preocupada com seu filho nikkei desaparecido durante o terremoto pediu a um morador de Tóquio para buscar informações no local. Quatro dias após o terremoto, foi de trem-bala até Shin Osaka, fez baldeação em um trem da Hankyu até a estação de Nishinomiya e, de lá, foi andando até Kobe procurando pelo brasileiro desaparecido nos escombros.

Lá, descobriu que o Centro de Emigrantes estava intacto. Deu a notícia ao Brasil e começou, assim, o movimento de preservação da construção. Cinco anos e nove meses após o grande terremoto, Yasuo Maeno, assistente oficial de Kobe, visitou o Brasil na ocasião dos 30 anos de aniversário das cidades-irmãs Rio de Janeiro e Kobe e também para agradecer as doações na ocasião da calamidade.

Maeno ficou impressionado com o sentimento dos brasileiros nikkeis com relação a Kobe. Na cidade do Rio de Janeiro, a Associação Nikkei entregou em mãos a petição da conservação do prédio endereçada ao prefeito da época, Yukitoshi Sasayama. Em seguida, ao visitar São Paulo, a Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa (Bunkyo), a Beneficiência Nipo-Brasileira de São Paulo (Enkyo), a Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil (Kenren) e a Associação Hyogo Kenjin entregaram a Maeno outra petição similar.

Em resposta aos nikkeis do exterior, a cidade de Kobe contribuiu trabalhando para a concretização do Centro Nacional de Nikkeis, oferecendo a área para o monumento histórico e a reforma da colina dos emigrantes. Os cidadãos uniram suas forças e o monumento histórico ficou pronto depois de um ano e meio. E, desde então, está aberto o Meriken Park de Kobe.

NOTA DA REDAÇÃO
*Texto baseado no livro Ijusaka - Kobe kaigai ijushi Annai, de Toshio Kusumoto. Editado em fevereiro de 2004, Self Support.
A COLINA DE EMIGRANTES (Ijusaka) Guia da História da Emigração Japonesa ao Exterior Toshio Kusumoto
 
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