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Quarta-feira, 08 de setembro de 2010
A vida no Centro de Emigrantes de Kobe
A entrada de emigrantes na instituição era feita com até dez dias de antecedência da viagem

( Foto: Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil)

Vacina preventiva era parte da rotina dentro do Centro de Emigrantes

Cerca de 2,5 milhões de nikkeis estão espalhados pelo mundo. Desse total, estima-se que algo em torno de 1,3 milhão estejam no Brasil e outros 1 milhão nos Estados Unidos. Em seguida, encontram-se 80 mil no Peru, 60 mil no Canadá e 30 mil na Argentina.

O Porto de Kobe, que, durante décadas, representou o Japão no comércio internacional, teve papel fundamental para a emigração japonesa. O Centro de Emigrantes da cidade teve início em 1928, tendo suas atividades sob jurisdição do ministro dos Assuntos Internos.

O Centro de Emigrantes é o local onde se conseguia informações sobre língua, religião, geografia, hábitos, costumes e situação da agricultura dos países que recebiam os japoneses. Em tese, era ali que o emigrante recebia o conhecimento necessário para sair do país.

A entrada na instituição era feita com até dez dias de antecedência da viagem e a taxa de hospedaria isenta. O governo arcava com todos esses custos, já que era o maior interessado na promoção do processo emigratório.

No Centro de Emigrantes, a primeira prova feita com os candidatos de todos os cantos do Japão era o exame médico. No primeiro ano, 13.198 pessoas foram examinadas e 86 delas reprovadas. Desse grupo de reprovados, 80 eram portadoras de tracoma grave. Como seria a vida das pessoas reprovadas, já que todas se desfaziam de todos os seus bens, despediam-se de sua família e amigos para enfrentar uma viagem até Kobe?

O dia-a-dia dentro do Centro de Emigrantes era de vacinações e palestras. No caso daqueles que vieram ao Brasil, a programação diária incluía aulas sobre a situação brasileira, língua portuguesa e palestras de higiene. Também eram vacinados contra varíola, sífilis e cólera, além de terem suas bagagens vistoriadas e seus passaportes analisados.

O lazer dos internos no centro resumia-se a mostras de fotografias das atividades e outros entretenimentos. Em maio de 2000, familiares do proprietário de uma loja de fotografias localizada perto do Centro de Emigrantes, chamado Masaaki Iinuma, doou à cidade de Kobe aproximadamente 200 fotografias tiradas dos emigrantes dentro do Centro.

Em abril de 2001, os jornais São Paulo Shimbun e Nikkey Shimbun, editados na capital paulista, divulgaram a exposição de fotografias Memórias do século XX – O momento do embarque dos emigrantes no pós-guerra. A exposição foi realizada em São Paulo, Belém e Londrina e causou grande impacto dentro da comunidade nikkei, a ponto de receber um prêmio da Associação Jornalística Nikkei do Exterior naquele mesmo ano.

NOTA DA REDAÇÃO
Texto baseado no livro Ijusaka – Kobe kaigai ijushi Annai, de Toshio Kusumoto. Editado em fevereiro de 2004, Self Support.

A COLINA DE EMIGRANTES (Ijusaka) Guia da História da Emigração Japonesa ao Exterior Toshio Kusumoto

 
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