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Sexta-feria, 10 de setembro de 2010
“Senhor(a) Emigrante”
Habitantes da cidade receberam bem as pessoas vindas de diversas localidades do Japão

( Foto: Reprodução)

Próximo à Hospedaria de Emigrantes, havia várias lojas especializadas

O Centro de Emigrantes foi fundado em março de 1928. Com a inauguração do centro, houve um motivo a mais para reunir emigrantes de diversas partes do Japão em Kobe. O Centro de Emigrantes transformou- se num local onde os passageiros se apresentavam e, como os navios de emigrantes aportavam em Kobe, ele se tornou também um local que oferecia segurança aos passageiros. Foi um estabelecimento que contribuiu para o crescimento da cidade e do porto. No primeiro ano, o número total de usuários foi de 12,5 mil pessoas (5,3 pessoas por família) sendo elas nascidas em 47 diferentes províncias, além de pessoas que haviam emigrado à Coréia do Norte. Por províncias, vieram 2.368 de Kumamoto (18,8%), 1.197 de Hiroshima (9,5%), 1.180 de Fukuoka (9,4%), seguidos de Hokkaido, Yamaguchi e Okinawa. Pouco mais de 40% eram vindos de Kyushu e Okinawa e 20% eram ocupadas pelos da região central.

Os habitantes da cidade receberam bem as pessoas vindas de diversas localidades do Japão, apelidando-os carinhosamente de “senhor(a) emigrante”. Para eles, os imigrantes eram como pessoas muito próximas.

O senhor Kunikichi Sato (presidente da antiga associação de relações públicas marítimas), nascido e criado nas proximidades do Centro de Emigrantes, viveu até os seus últimos dias de vida em 2002. Com a construção do Centro de Emigrantes, o cemitério que havia nas proximidades foi transferido de local e, conforme as lembranças do senhor Sato, na sua adolescência, ele ia freqüentemente treinar tênis no terreno vazio. “Na área residencial de Koikawasuji, haviam várias lojas de presentes para os emigrantes. Lembro-me que observava, descia reto até a praia e me despedia jogando fitilhos para os navios de emigrantes. Os isseis que emigraram naquela época com certeza passaram por diversos sacrifícios” – assim está registrado em suas recordações Ultrapassando Ondas Enormes. Sato foi quem se esforçou, promovendo a fundação do comitê executivo do monumento histórico do Porto de Kobe e, após a inauguração da comissão, foi nomeado conselheiro. Foi o primeiro a deixar doação para fundos pela construção do monumento histórico, contribuindo de maneira ampla para sua construção.

Juntamente com Sato, Tomekichi Goto, nascido na cidade de Himeji, província de Hyogo, e residente no Brasil, fez a doação número 1. Trabalhava e estudava na Takadori Koujou, do extinto ministério das ferrovias de Kobe, e, em 1929, aos 20 anos, emigrou ao Brasil, seu esforço extremo prosperou, alcançando o auge como homem de negócios. Atualmente, mora em Campinas, levando uma vida pacata.

O fotógrafo residente em Chuusui-ku, Tokutaro Hiraoka, tem em sua mente, até hoje, imagens claras de antes da guerra. Filas de emigrantes caminhando e carregando enormes bagagens desde o Centro de Emigrantes, passando por Jyogaguchi-suji, e descendo pelo Anamon-suji em silêncio, rumo ao navio de emigrantes e, na mesma colina, a imagem de estudantes mulheres vestidas de hakama subindo alegremente rumo à Escola Kobe Jougakuin. Na época, a Escola Kobe Jougakuin estava localizada no lugar onde está o atual Colégio de Kobe. Hiraoka, após a guerra, enquanto trabalhava no porto de Kobe, tirava fotografias de navios de emigrantes e do porto. As fotografias de sua autoria tiradas do porto nos momentos da partida dos navios de emigrantes estão arquivadas como parte de importantes materiais da história da emigração.

NOTA DA REDAÇÃO
Texto baseado no livro Ijusaka – Kobe kaigai ijushi Annai, de Toshio Kusumoto. Editado em fevereiro de 2004, Self Support.

A COLINA DE EMIGRANTES (Ijusaka) Guia da História da Emigração Japonesa ao Exterior Toshio Kusumoto

 
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