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(
Rogério
Dezem*/Foto:
Museu Histórico da Imigração Japonesa no
Brasil)
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Em
sua maior parte, japoneses estão ligados à
horticultura e à fruticultura
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A região
do extremo sul do Brasil conhecida pela forte presença
da imigração portuguesa, alemã, italiana
e eslava, entre outras, também foi um território
desbravado pelos filhos do país do Sol Nascente.
Mesmo em menor proporção se comparada a outros Estados,
como São Paulo e Paraná, a presença do nikkei
em Estados como Santa Catarina e Rio Grande do Sul é muito
importante. No caso gaúcho, a história dos imigrantes
japoneses acabou de completar, em 2006 (oficialmente), 50 anos.
Essa
história teve início em agosto de 1956, com o desembarque,
no porto do Rio Grande, de 23 imigrantes japoneses, jovens (de
17 a 26 anos) e solteiros, que chegaram, a bordo do navio Brasil
Maru, para trabalhar, principalmente na agricultura, em vários
municípios gaúchos. Estes são considerados
os pioneiros a vir diretamente do Japão para o Rio Grande
do Sul, no entanto, algumas famílias de imigrantes japoneses
já haviam migrado da região Sudeste para o extremo
sul do Brasil. Afirmase que o primeiro japonês em terras
gaúchas foi o médico Yunosuke Nemoto, em 1920, e,
algum tempo depois, Eito Asaeda (casado com brasileira) em 1924,
ambos vindos de São Paulo. Em meados da década de
1930, houve a tentativa da K.K.K.K. (Companhia Ultramarina de
Empreendimentos) de fixar 18 famílias ja- A ponesas na
região de Santa Rosa (RS), no munícipio de Horizontina.
A empreitada acabou não dando certo, entre outros fatores,
devido à situação de caráter nacionalista
vivida no país e pela iminência da Segunda Guerra
Mundial. Desse modo, esses imigrantes acabaram por se dispersar
para outras regiões e/ou Estados.
As
cidades gaúchas e catarinenses que se destacam pelo expressivo
número de nikkeis são: São Joaquim (SC),
Frei Rogério (SC), Ivoti (RS), Gravataí (RS), Pelotas
(RS), Santa Maria (RS) entre outras. Em sua maior parte, os japoneses
e seus descendentes estão associados à hortifruticultura
e à floricultura. Um exemplo disso é a cidade gaúcha
de Ivoti, distante cerca de 55 quilômetros de Porto Alegre.
A cidade ostenta o título de Cidade das Flores e
dos Nipo-gaúchos. O início de tudo ocorreu
no ano de 1966, quando autoridades municipais destinaram terras
para 26 famílias de imigrantes japoneses, dando origem
à Colônia Japonesa da região, produtora de
kiwi, uvas de mesa, hortaliças e flores.
Em
outra cidade gaúcha, Santa Maria, os primeiros imigrantes
japoneses chegaram em 1958. Eram cerca de 17 famílias,
oriundas da província japonesa de Kumamoto. Na realidade,
esse grupo fazia parte de um contigente de 33 famílias
da mesma província, que haviam desembarcado no porto de
Rio Grande no ano anterior. Essas famílias foram levadas
para uma fazenda produtora de arroz irrigado na cidade de Uruguaiana,
mas, devido às péssimas condições
de trabalho, romperam o contrato e se dispersaram.
Na
cidade catarinense de Frei Rogério, os imigrantes e seus
descendentes, desde meados da década de 1960, dedicam-se
à agricultura. Atualmente, são cerca de 40 famílias
que se especializaram na produção da pêra
asiática, conhecida na região como pêra japonesa,
introduzida no Brasil por esses imigrantes oriundos da província
de Nagasaki.
Em
Frei Rogério, existe um Monumento pela Paz, onde se encontra
também o Sino da Paz. Moldado em bronze há mais
de 400 anos, ele foi enviado pela Associação Internacional
da Província de Nagasaki em 1998. Foi fundada uma Associação
das Vítimas e seus Descendentes de Explosão de Bombas
Atômicas, que é a responsável pela guarda
do sino. Um belo símbolo universal da paz entre os povos
que podemos vislumbrar no Sul do Brasil.
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NOTA
DA REDAÇÃO
*Rogério Dezem é historiador e pesquisador
da história dos imigrantes japoneses no Brasil. Autor
de Shindô Renmei: Terrorismo e Repressão (Série
Inventários Deops; São Paulo, AESP, 2000)
e Matizes do Amarelo: a gênese dos dicursos sobre
os orientais no Brasil (1878-1908) (São Paulo, Associação
Editorial Humanitas/Fapesp, 2005).
Fontes consultadas: Sites acessados em 18/12/2007.
http://www.todafruta.com.br/todafruta/ mostra_conteudo.asp?conteudo=1995
http://www2.portoalegre.rs.gov.br/imigracaojaponesa/ default.php?p_secao=16
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