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Sexta-feria, 10 de setembro de 2010
O extremo sul do Brasil na história da imigração japonesa
Em terra de imigrantes europeus, os nikkeis também deixam
sua marca desde meados da década de 1950

( Rogério Dezem*/Foto: Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil)

Em sua maior parte, japoneses estão ligados à horticultura e à fruticultura

A região do extremo sul do Brasil conhecida pela forte presença da imigração portuguesa, alemã, italiana e eslava, entre outras, também foi um território “desbravado” pelos filhos do país do Sol Nascente. Mesmo em menor proporção se comparada a outros Estados, como São Paulo e Paraná, a presença do nikkei em Estados como Santa Catarina e Rio Grande do Sul é muito importante. No caso gaúcho, a história dos imigrantes japoneses acabou de completar, em 2006 (oficialmente), 50 anos.

Essa história teve início em agosto de 1956, com o desembarque, no porto do Rio Grande, de 23 imigrantes japoneses, jovens (de 17 a 26 anos) e solteiros, que chegaram, a bordo do navio Brasil Maru, para trabalhar, principalmente na agricultura, em vários municípios gaúchos. Estes são considerados os pioneiros a vir diretamente do Japão para o Rio Grande do Sul, no entanto, algumas famílias de imigrantes japoneses já haviam migrado da região Sudeste para o extremo sul do Brasil. Afirmase que o primeiro japonês em terras gaúchas foi o médico Yunosuke Nemoto, em 1920, e, algum tempo depois, Eito Asaeda (casado com brasileira) em 1924, ambos vindos de São Paulo. Em meados da década de 1930, houve a tentativa da K.K.K.K. (Companhia Ultramarina de Empreendimentos) de fixar 18 famílias ja- A ponesas na região de Santa Rosa (RS), no munícipio de Horizontina. A empreitada acabou não dando certo, entre outros fatores, devido à situação de caráter nacionalista vivida no país e pela iminência da Segunda Guerra Mundial. Desse modo, esses imigrantes acabaram por se dispersar para outras regiões e/ou Estados.

As cidades gaúchas e catarinenses que se destacam pelo expressivo número de nikkeis são: São Joaquim (SC), Frei Rogério (SC), Ivoti (RS), Gravataí (RS), Pelotas (RS), Santa Maria (RS) entre outras. Em sua maior parte, os japoneses e seus descendentes estão associados à hortifruticultura e à floricultura. Um exemplo disso é a cidade gaúcha de Ivoti, distante cerca de 55 quilômetros de Porto Alegre. A cidade ostenta o título de “Cidade das Flores e dos Nipo-gaúchos”. O início de tudo ocorreu no ano de 1966, quando autoridades municipais destinaram terras para 26 famílias de imigrantes japoneses, dando origem à Colônia Japonesa da região, produtora de kiwi, uvas de mesa, hortaliças e flores.

Em outra cidade gaúcha, Santa Maria, os primeiros imigrantes japoneses chegaram em 1958. Eram cerca de 17 famílias, oriundas da província japonesa de Kumamoto. Na realidade, esse grupo fazia parte de um contigente de 33 famílias da mesma província, que haviam desembarcado no porto de Rio Grande no ano anterior. Essas famílias foram levadas para uma fazenda produtora de arroz irrigado na cidade de Uruguaiana, mas, devido às péssimas condições de trabalho, romperam o contrato e se dispersaram.

Na cidade catarinense de Frei Rogério, os imigrantes e seus descendentes, desde meados da década de 1960, dedicam-se à agricultura. Atualmente, são cerca de 40 famílias que se especializaram na produção da pêra asiática, conhecida na região como pêra japonesa, introduzida no Brasil por esses imigrantes oriundos da província de Nagasaki.

Em Frei Rogério, existe um Monumento pela Paz, onde se encontra também o Sino da Paz. Moldado em bronze há mais de 400 anos, ele foi enviado pela Associação Internacional da Província de Nagasaki em 1998. Foi fundada uma Associação das Vítimas e seus Descendentes de Explosão de Bombas Atômicas, que é a responsável pela guarda do sino. Um belo símbolo universal da paz entre os povos que podemos vislumbrar no Sul do Brasil.

NOTA DA REDAÇÃO
*Rogério Dezem é historiador e pesquisador da história dos imigrantes japoneses no Brasil. Autor de Shindô Renmei: Terrorismo e Repressão (Série Inventários Deops; São Paulo, AESP, 2000) e Matizes do Amarelo: a gênese dos dicursos sobre os orientais no Brasil (1878-1908) (São Paulo, Associação Editorial Humanitas/Fapesp, 2005).

Fontes consultadas: Sites – acessados em 18/12/2007. http://www.todafruta.com.br/todafruta/ mostra_conteudo.asp?conteudo=1995 http://www2.portoalegre.rs.gov.br/imigracaojaponesa/ default.php?p_secao=16

 
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