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Você
já reparou que tornamos a convivência com as pessoas
que gostamos mais complicada do que com as pessoas que nos são
mais indiferentes? Temos a tendência de propagar quanto
gostamos dos nossos entes queridos, mas, em nome desse gostar,
quantas posturas incoerentes acabamos por tomar em relação
a esse sentimento?
Somos
capazes de escutar o problema de alguém com quem por acaso
cruzamos na fila, à espera de uma condução,
e entender a situação, usando toda a nossa atenção
e compreensão. Entretanto, quando se trata da pessoa querida,
por desejar o seu bem, acreditamos que precisamos lhe mostrar
e ensinar o que é o melhor para sua vida.
Perceba
que, na realidade, podemos querer não o melhor para ela,
mas sim uma situação cômoda para nós
próprios, porque nos concedemos até o direito de
desrespeitar os seus momentos de aprendizado, ora criticando,
ora humilhando, tudo em nome desse sentimento que nutrimos pela
pessoa com quem convivemos.
Ficamos
doutrinando-a para que ela mude, para não precisarmos olhar
para o que nós também temos que aprender e mudar.
O relacionamento com quem quer que seja é sempre um desafio
para cada um, porque é sempre o outro que nos mostra as
nossas capacidades ou inabilidades em lidar com as situações
que surgem diante dele.
O verdadeiro
gostar não impõe condições, não
tem espaço para apegos, nem preconceitos. Conseguindo essa
qualidade no sentimento, a convivência passa a ser uma alegria.
Assim, aprender a se relacionar, aceitando a pessoa como ela é,
com os seus pontos fortes e fracos, sem formular nenhum tipo de
julgamento.
Como
conquistar esse nível de entendimento em relação
à pessoa querida? Trabalhando essas atitudes primeiro em
relação a você mesmo, para poder desfrutar
do melhor que se pode obter em um relacionamento, que é
a troca dos pontos bem resolvidos que fomos conquistando no decorrer
do nosso processo evolutivo.
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