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(Texto:
Minami Keizi | Foto: Divulgação)
A
maior parte das pessoas vê apenas a vida materialmente,
sob o ponto de vista do valor real, com a rapidez e quase indiferença
de quem vai num carro, numa velocidade que não lhe deixa
ver bem os aspectos encantadores da paisagem. Pode surpreender
aqui, além, em rápida visão, um pico de
monte, um vale delicioso, um esplêndido pôr do sol;
mas o cenário deslumbrante, a beleza das flores, esses
não os pode admirar.
Assim,
também nós deixamos de apreciar todos os deliciosos
pormenores da vida, a delicadeza, o sentimento, tudo quanto
devia ter para nós um verdadeiro valor, porque vivemos
à pressa, na ânsia contínua de realizarmos
as nossas ambições. Não dispomos de tempo
para ver e gozar todos esses bens; não consagramos tempo
às nossas amizades.
Toda
a nossa vida mental está concentrada na máquina
em que viajamos e na estrada que vemos diante de nós.
Somos
semelhantes a homens que levassem as malas num pônei de
carreira. Vamos numa máquina infernal, desmontados apenas
para montar de novo. E assim despedaçamos a vida, mudando
de um cavalo exausto para outro folgado.
Corpo
vergado, cabelos prematuramente grisalhos, um passo pesado,
uma agitação febril são as conseqüências
da vida tumultuosa que levamos.
A
tensão de espírito, a luta, o esforço não
são vida: é uma febre, uma doença, e não
podem, portanto, concorrer para a felicidade.
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