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Sexta-feria, 30 de julho de 2010

Despedida
Embora eu não aprove o comportamento, sinto certa admiração;
ela teve coragem de abandonar tudo por um novo amor
 

(Texto: Minami Keizi | Foto: Divulgação)

Funeral é sempre melancólico. Por mais que a gente não queira, o coração sente, embora faça 22 anos que houve a nossa separação. Estávamos casados há sete anos, quando ela conheceu outro homem, aliás, um rapaz de 19 anos. Ela não levou em conta os nossos três filhos pequenos; preferiu seguir esse arrebatamento. Com uma mão na frente e outra atrás, eu e meus filhos tivemos que deixar a nossa confortável casa.

Começar do zero. Um amigo me emprestou a sua casa de campo, onde acomodei meus filhos. Trabalhei em três empregos até que comprei uma nova casa. No entanto, nunca, em tempo algum, briguei com a minha ex-esposa. Mantive uma convivência pacífica. Ela, sempre que podia, visitava os filhos, passava os dias festivos conosco, juntamente com o companheiro.

Ela contraiu uma doença grave trazida pelo companheiro. Perdeu o bom emprego e nunca mais arrumou outro, sobrevivendo de biscates. Os bens que ficaram com ela, aos poucos ela os vilipendiou, chegando à miséria absoluta.

Então, em fevereiro de 2008, ela foi internada em estado terminal. Os filhos a visitavam todos os dias. Duas semanas depois, ela foi para o andar de cima. Neste ano, ela completaria 50 anos. Que Deus a tenha.

Nunca mais me casei. Vivo feliz, hoje mais ainda, com o calor de meus quatro netinhos. Os filhos são queridos, mas o amor que a gente sente pelos netos é diferente. Os netos fazem dos vovôs gato e sapato e nos tornam felizes.

No fundo, embora eu não aprove o comportamento, sinto certa admiração. Ela teve coragem de abandonar tudo por um novo amor.


*Minami Keizi (Getulina, 9 de junho de 1945 - Itapevi, 14 de dezembro de 2009)
Natural de Getulina, interior paulista, formado em Jornalismo e em Desenho. Começou escrevendo em 62 para o Jornal Juvenil. Foi o primeiro desenhista a desenhar no estilo mangá, publicando tiras diárias no Diário Popular (65) e revista própria (Tupãzinho) de 66 a 72. Fez previsões astrológicas para vários semanários do interior. Escreveu também para diversas revistas, inclusive no exterior. Tem mais de 800 livros publicados.

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