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Sexta-feria, 30 de julho de 2010

Os bons tempos
No meu tempo de primário, hasteava-se a bandeira nacional e cantava-se o hino, despontando a civilidade e o amor à pátria desde a mais tenra idade
 

(Texto: Minami Keizi | Foto: Divulgação)

No meu tempo de criança, bastava o homem saber manejar uma enxada e ele tinha o emprego garantido em muitas fazendas de café. Corria a década de 50. Logo de manhã, um condutor e uma charrete aguardavam a professora na beira da estrada de terra onde passava o ônibus. A professora descia do ônibus, tomava a charrete e percorria mais alguns quilômetros até chegar à escolinha da fazenda, onde a criançada já a aguardava.

Ela dava aula ao primeiro ano, segundo ano e terceiro ano do curso primário na mesma classe. Mas o ensino era bem melhor que o de hoje. A criançada sabia respeitar a mestra e aprendia. A escola pública tinha o seu devido valor, só estava na escola privada quem não tinha muita capacidade, segundo diziam. Atualmente, o ensino público decaiu e, freqüentemente, certos alunos estão batendo nos professores e até os ameaçando de morte.

Então, começou-se a exigir o estudo até o 4º ano primário para se ter um emprego na cidade. E, aos poucos, o comércio e a indústria começaram a exigir pelo menos o ginásio. Hoje em dia, o candidato a um bom emprego precisa de mais que o ensino fundamental, um curso profissionalizante ou um diploma na faculdade.

Na década de 50, os vereadores não recebiam nada; simplesmente davam sua contribuição à comunidade, ao município. Hoje, virou profissão, um meio de ganhar dinheiro de todas as maneiras. O caminho ideal para a corrupção.

Lembro que, no meu tempo de primário, a gente hasteava a bandeira nacional e cantava o hino brasileiro, despontando a civilidade e o amor à pátria desde a mais tenra idade. Não existia jardim nem pré naquela época.

A maioria dos profissionais eram rábulas. Bons tempos aqueles; e o tempo não regride.


*Minami Keizi (Getulina, 9 de junho de 1945 - Itapevi, 14 de dezembro de 2009)
Natural de Getulina, interior paulista, formado em Jornalismo e em Desenho. Começou escrevendo em 62 para o Jornal Juvenil. Foi o primeiro desenhista a desenhar no estilo mangá, publicando tiras diárias no Diário Popular (65) e revista própria (Tupãzinho) de 66 a 72. Fez previsões astrológicas para vários semanários do interior. Escreveu também para diversas revistas, inclusive no exterior. Tem mais de 800 livros publicados.

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