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(Texto:
Minami Keizi | Foto: Divulgação)
Agente
deve ter um objetivo definitivo na vida, galgando metas após
metas, nunca esmorecendo no caminho. Na década de 50,
um jovem adolescente nissei alimentou um sonho de se tornar
um desenhista de histórias em quadrinhos, ou melhor,
um desenhista de mangá. Naquela época, os brasileiros
não conheciam o mangá, somente os nikkeis.
O
jovem morava no interior paulista, num sítio nas proximidades
de uma cidade de 50 mil habitantes. Trabalhando na roça,
nas horas vagas, fazia seus esboços, copiando desenhos
das revistas japonesas. Seu sonho começou quando, ao
copiar um desenho, viu que ficou muito semelhante ao original.
Então, essa idéia se tornou o projeto imediato
de sua vida.
Começou
a mandar os seus originais para editoras de São Paulo
e Rio de Janeiro. Dezenas não, centenas de páginas.
Recebeu
muitas respostas, como: você tem jeito, mas ainda
está muito cru, ou precisa praticar mais.
Porém, o jovem nissei não esmoreceu. Nenhuma negativa
o deixava desanimado. Era mais um incentivo para continuar.
Entre um cafeeiro e outro, ele continuou desenhando, seguindo
o estilo de Osamu Tezuka, um magaka japonês famoso. Mangaka
quer dizer desenhista de mangá.
Foi
no ano de 1964, logo após a dita revolução.
Na realidade, era o início de um longo período
de ditadura no Brasil. Ele recebeu um convite para visitar uma
editora em São Paulo. O rapaz que nunca tinha saído
tão longe de casa fez a sua mala de papelão e
rumou para a capital paulista.
Visitou
a editora e conheceu alguns profissionais que apreciaram o seu
mangá, mas um deles lhe disse que o estilo não
pegaria nas terras tupiniquins e que ele teria que adaptar ao
estilo americano.
Pensa
que o jovem desistiu? Continuou mais firme ainda. Sob a orientação
de mestres, ele resolveu seguir a linha sugerida. Mas sabia
que o mangá, um dia, pegaria no Brasil. Dois anos depois,
ele lançava, por meio da editora que o convidara, um
gibi mensal. Também confeccionou um álbum com
as primeiras histórias no estilo mangá publicadas
no Brasil. Sucesso.
No
terceiro ano, em São Paulo, ele já era editor
triunfante de mangás no País. Nestes cem anos
da imigração japonesa no Brasil, há muitas
histórias de nikkeis que foram sucesso em seus trabalhos.
O sangue de samurai diz que devemos insistir sempre, que querer
é poder. O fracasso é o início do sucesso.
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