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Sexta-feria, 30 de julho de 2010

Querer é poder
O sangue de samurai diz que devemos insistir sempre; o fracasso é o início do sucesso
 

(Texto: Minami Keizi | Foto: Divulgação)

Agente deve ter um objetivo definitivo na vida, galgando metas após metas, nunca esmorecendo no caminho. Na década de 50, um jovem adolescente nissei alimentou um sonho de se tornar um desenhista de histórias em quadrinhos, ou melhor, um desenhista de mangá. Naquela época, os brasileiros não conheciam o mangá, somente os nikkeis.

O jovem morava no interior paulista, num sítio nas proximidades de uma cidade de 50 mil habitantes. Trabalhando na roça, nas horas vagas, fazia seus esboços, copiando desenhos das revistas japonesas. Seu sonho começou quando, ao copiar um desenho, viu que ficou muito semelhante ao original. Então, essa idéia se tornou o projeto imediato de sua vida.

Começou a mandar os seus originais para editoras de São Paulo e Rio de Janeiro. Dezenas não, centenas de páginas.

Recebeu muitas respostas, como: “você tem jeito, mas ainda está muito cru”, ou “precisa praticar mais”. Porém, o jovem nissei não esmoreceu. Nenhuma negativa o deixava desanimado. Era mais um incentivo para continuar. Entre um cafeeiro e outro, ele continuou desenhando, seguindo o estilo de Osamu Tezuka, um magaka japonês famoso. Mangaka quer dizer desenhista de mangá.

Foi no ano de 1964, logo após a dita “revolução”. Na realidade, era o início de um longo período de ditadura no Brasil. Ele recebeu um convite para visitar uma editora em São Paulo. O rapaz que nunca tinha saído tão longe de casa fez a sua mala de papelão e rumou para a capital paulista.

Visitou a editora e conheceu alguns profissionais que apreciaram o seu mangá, mas um deles lhe disse que o estilo não pegaria nas terras tupiniquins e que ele teria que adaptar ao estilo americano.

Pensa que o jovem desistiu? Continuou mais firme ainda. Sob a orientação de mestres, ele resolveu seguir a linha sugerida. Mas sabia que o mangá, um dia, pegaria no Brasil. Dois anos depois, ele lançava, por meio da editora que o convidara, um gibi mensal. Também confeccionou um álbum com as primeiras histórias no estilo mangá publicadas no Brasil. Sucesso.

No terceiro ano, em São Paulo, ele já era editor triunfante de mangás no País. Nestes cem anos da imigração japonesa no Brasil, há muitas histórias de nikkeis que foram sucesso em seus trabalhos. O sangue de samurai diz que devemos insistir sempre, que querer é poder. O fracasso é o início do sucesso.


*Minami Keizi (Getulina, 9 de junho de 1945 - Itapevi, 14 de dezembro de 2009)
Natural de Getulina, interior paulista, formado em Jornalismo e em Desenho. Começou escrevendo em 62 para o Jornal Juvenil. Foi o primeiro desenhista a desenhar no estilo mangá, publicando tiras diárias no Diário Popular (65) e revista própria (Tupãzinho) de 66 a 72. Fez previsões astrológicas para vários semanários do interior. Escreveu também para diversas revistas, inclusive no exterior. Tem mais de 800 livros publicados.

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