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Sexta-feria, 30 de julho de 2010

Manter a tradição
É muito triste ver pessoas idosas não receberem o tratamento merecido,
sendo jogadas nos cantos da casa
 

(Texto: Minami Keizi | Foto: Divulgação)

Os valores morais precisam ser preservados, principalmente o respeito pelos idosos. Desde a mais tenra idade, aprendi a manter a tradição, que ditiyam e batiyam (avôs) eram os maiores tesouros da família. Porém, no dia-a-dia de hoje, mesmo nas famílias nikkeis, os velhos não são mais respeitados como deveriam ser.

Meu avô sempre manteve o ar patriarcal. Era o primeiro a ser servido no almoço ou jantar. Mamãe fazia questão disso: no jantar, acompanhava uma cumbuca de saquê quente e suzukê de frango (peito de frango cru, cortado em fatias, ao molho de vinagre). Lembro do vovô, na época de inverno, quando o vento gelado era cortante fora de casa, sempre solicitando mais uma cumbuca de saquê. Quando havia peixe, o melhor pedaço era reservado para sashimi, que era degustado pelo ditiyam.

Assim, fui criado neste ambiente do tempo do imperador Meiji, em plena Era Showa do pós-guerra, numa colônia japonesa, no interior de São Paulo. A Era Showa foi o longo reinado do imperador Hirohito. Atualmente, estamos na Era Heisei, do imperador Akihito.

É muito triste ver pessoas idosas não receberem o tratamento merecido, sendo jogadas nos cantos da casa, destratadas, ou em asilos, abandonadas pelas famílias.

Então, lembro dos meus pais. Poderia tê-los tratados melhor. Não que eu os tenha tratado mal. É tradição o filho primogênito cuidar dos pais e, como era o caçula, fui viver a minha vida aos 19 anos em São Paulo. Eu os visitava, em Lins, interior do Estado, nas datas festivas e, invariavelmente, em oshogatsu (ano-novo).

Meus pais me aguardavam, de pescoços compridos, ansiosos. Eu deveria ter ido mais vezes.

Portanto, se vocês têm pais vivos, que essas palavras lhes sirvam de alerta. Não adianta lamentar, depois, como eu. É preciso tratá-los bem enquanto ainda os nossos pais estão vivos.


*Minami Keizi (Getulina, 9 de junho de 1945 - Itapevi, 14 de dezembro de 2009)
Natural de Getulina, interior paulista, formado em Jornalismo e em Desenho. Começou escrevendo em 62 para o Jornal Juvenil. Foi o primeiro desenhista a desenhar no estilo mangá, publicando tiras diárias no Diário Popular (65) e revista própria (Tupãzinho) de 66 a 72. Fez previsões astrológicas para vários semanários do interior. Escreveu também para diversas revistas, inclusive no exterior. Tem mais de 800 livros publicados.

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