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(Texto:
Minami Keizi | Foto: Divulgação)
Os
valores morais precisam ser preservados, principalmente o respeito
pelos idosos. Desde a mais tenra idade, aprendi a manter a tradição,
que ditiyam e batiyam (avôs) eram os maiores tesouros
da família. Porém, no dia-a-dia de hoje, mesmo
nas famílias nikkeis, os velhos não são
mais respeitados como deveriam ser.
Meu
avô sempre manteve o ar patriarcal. Era o primeiro a ser
servido no almoço ou jantar. Mamãe fazia questão
disso: no jantar, acompanhava uma cumbuca de saquê quente
e suzukê de frango (peito de frango cru, cortado em fatias,
ao molho de vinagre). Lembro do vovô, na época
de inverno, quando o vento gelado era cortante fora de casa,
sempre solicitando mais uma cumbuca de saquê. Quando havia
peixe, o melhor pedaço era reservado para sashimi, que
era degustado pelo ditiyam.
Assim,
fui criado neste ambiente do tempo do imperador Meiji, em plena
Era Showa do pós-guerra, numa colônia japonesa,
no interior de São Paulo. A Era Showa foi o longo reinado
do imperador Hirohito. Atualmente, estamos na Era Heisei, do
imperador Akihito.
É
muito triste ver pessoas idosas não receberem o tratamento
merecido, sendo jogadas nos cantos da casa, destratadas, ou
em asilos, abandonadas pelas famílias.
Então,
lembro dos meus pais. Poderia tê-los tratados melhor.
Não que eu os tenha tratado mal. É tradição
o filho primogênito cuidar dos pais e, como era o caçula,
fui viver a minha vida aos 19 anos em São Paulo. Eu os
visitava, em Lins, interior do Estado, nas datas festivas e,
invariavelmente, em oshogatsu (ano-novo).
Meus
pais me aguardavam, de pescoços compridos, ansiosos.
Eu deveria ter ido mais vezes.
Portanto,
se vocês têm pais vivos, que essas palavras lhes
sirvam de alerta. Não adianta lamentar, depois, como
eu. É preciso tratá-los bem enquanto ainda os
nossos pais estão vivos.
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